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Colômbia: Reconhecer beligerância já!

10.09.2007
 
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Colômbia: Reconhecer beligerância já!

Campanha internacional pelo reconhecimento da beligerância na Colômbia – Carta aberta do Comandante Raúl Reyes, Chefe da Comissão Internacional das FARC – Fuerzas Armadas Revolucionárias de Colómbia

Carta aberta

Recebam, senhores representantes dos governos do mundo, uma saudação bolivariana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo.

Nesta ocasião nos dirigimos aos senhores, Presidentes, Primeiros-Ministros e Chefes de Estado, com a finalidade de convidá-los a contribuir com a construção da Paz com Justiça Social para a Colômbia através do reconhecimento do status de beligerância que nossa organização guerrilheira, as FARC-EP, foi conquistando através destes mais de quarenta anos de resistência e luta pelos direitos do povo colombiano.

Acreditamos, como revolucionários que somos, na possibilidade de encontrar uma saída política para esta guerra que dessangra a Colômbia. De nossa parte, tenham certeza disso, a mais absoluta disposição para o diálogo e o entendimento. Nossos questionamentos revolucionários nos indicam que só com a participação de todos os colombianos e todas as colombianas poderemos transformar nossa pátria dolorida em uma onde floresçam a convivência pacífica e a liberdade.

Nossa vocação de paz continua incólume, pois somos uma organização político-militar levantada em armas contra o despotismo dos que pensam que governar se reduz ao ignóbil ato de reprimir selvagemente as expressões de inconformidade que surgem, inevitavelmente, a partir da fome e da miséria impostas às maiorias populares. Somos povo em armas; somos o exército desse povo que, inspirado no exemplo do Libertador Simón Bolívar, se levantou contra a violenta classe dominante de nosso país em busca de melhoras profundas para a vida dos colombianos.

Mas nossa vontade de paz para a Colômbia tem topado, uma e outra vez, com o obstáculo de uma cúpula guerreirista enquistada no poder. Essa cúpula, apoiada financeira e militarmente pelos Estados Unidos, está encabeçada no dia de hoje pelo atual presidente Álvaro Uribe Vélez, que chegou, inclusive, ao extremo de legalizar os paramilitares – impiedosos assassinos de milhares de colombianos – para conservar o poder e os benefícios econômicos que este traz (incluindo, naturalmente, o negócio do narcotráfico). O chamado escândalo da narco-para-política está na ordem do dia em nosso país a tal grau que se pode ouvir um dos maiores assassinos de colombianos indefesos, o chefe paramilitar Salvatore Mancuso, reclamar privilégios por ter cometido suas atrocidades em defesa do Estado. E quem pode negar isso: o paramilitarismo e o narcotráfico estão nas entranhas do Establishment e são a essência mesma do atual governo.

Ministros, militares de alta patente, ativos e da reserva-, legisladores, empresários, pecuaristas, embaixadores, todos com as mãos manchadas de sangue inocente; todos cerrando fileiras em torno do enriquecimento pessoal e do poder, único horizonte de sua atividade política.

É necessário, hoje mais do que nunca, que os governos do mundo, com base nos princípios do respeito à autodeterminação e soberania nacional, assumam o assunto. Nós, homens e mulheres que fazemos parte das FARC-EP, aportamos diariamente todos os nossos esforços para conseguir a solução política deste conflito, da mesma forma que todos os colombianos que lutam sem descanso de todas as trincheiras da vida diária, pela paz com justiça social.

A participação da Comunidade Internacional na busca de uma paz verdadeira para a Colômbia – uma paz apoiada, necessariamente, na justiça social – deve ser, acreditamos, cada vez mais decidida e firme. Não podemos permitir que triunfe o unilateralismo do atual governo norte-americano. Não podemos permitir que em seu delírio imperial, George W. Bush e os senhores da guerra arrastem o mundo para uma crise mais profunda do que todas as que conhecemos na história da humanidade. Não podemos permitir, muito menos, que George W. Bush continue enviando apoio militar e financeiro ao governo de Uribe e aos paramilitares em nosso país. É necessário tomar medidas multilaterais para evitar que se repitam episódios vergonhosos para a humanidade: novos holocaustos cometidos contra os povos do mundo em nome da “democracia ocidental”.

Não há democracia onde há miséria, nem há paz onde há opressão. É agora que deve ser ouvida a voz dos povos; e a voz do povo colombiano é clara e firme: queremos paz com justiça social; não queremos mais guerra fratricida, não queremos que o imperialismo norte-americano decida o que só compete aos colombianos e colombianas decidir.

E graças ao apoio dos Estados Unidos é que hoje pode se manter em pé a política repressiva de Uribe chamada de “Segurança Democrática”. Sob o pretexto de que a “democracia” se encontra sob a ameaça do “terrorismo” na Colômbia, Uribe e seus achegados escondem a verdadeira dimensão do conflito. Talvez valesse a pena inverter a máxima dos propagandistas do regime uribista e assim teríamos uma explicação mais próxima para explicar os temores que levaram os que governam a se tornarem cada vez mais repressivos e sanguinários: é o terrorismo o que atualmente está ameaçado pela democracia. Do lado da democracia verdadeira estamos a insurreição armada, o movimento revolucionário e democrático que cresce e se fortalece sob resguardo da clandestinidade, assim como o movimento popular de massas; do lado do terrorismo estão os narco-paramilitares no poder, exercendo o Terrorismo de Estado e cobrando uma cota de sangue cada vez mais alto a nosso povo.

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