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Mundo lembra quatro décadas depois da morte de Ernesto Che Guevara

08.10.2007
 
Mundo lembra quatro décadas depois da morte de Ernesto Che Guevara

Cuba e todo o mundo lembram quatro décadas depois da morte de Ernesto Che Guevara. A América Latina se voltou para esquerda, com governos eleitos pelo voto, e não através da luta armada, como era seu sonho nos anos 60 e de cuja inspiração restam poucos grupos guerrilheiros ativos. “Che” está enterrado em Santa Clara , Cuba.

 Os restos de Che foram enterrados em uma fossa em Vallegrande (Bolívia) e resgatados em 1997 por uma equipe de especialistas cubanos e argentinos, que os levaram para Cuba. Desde esse ano, os restos mortais de Guevara estão no Mausoléu de Santa Clara, onde há uma estátua de Che com fuzil, uniforme, boina, cabelo e barba desalinhados.

Convencido de que a força dos ideais e fuzis libertaria os oprimidos, o revolucionário argentino-cubano perseguiu um projeto que combatia a hegemonia dos Estados Unidos, defendia um internacionalismo latino-americano e propunha a criação de um "novo homem".

Seus críticos destacam seus fracassos e o franco declínio em que entrou o guevarismo nos anos 80, mas, para seus seguidores, o pensamento de Guevara está mais vivo do que nunca.

"A presença de Che na América Latina é mais profunda e real do que naquela época. Está acontecendo algo que não imaginamos possível: um sonho com múltiplas formas de socialismo. Ele teria saudado os governos da Venezuela, Bolívia, Brasil, Nicarágua, Uruguai, Equador", disse à AFP o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón.

Mesmo com tendências diferenciadas - de radicais a moderadas-, a esquerda chegou ao poder em vários países da América Latina, com desafios ao histórico intervencionismo americano, contra o qual Guevara lutou.

Os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, evocam o ex-guerrilheiro em seus discursos; e quando ganhou a presidência do Equador, Rafael Correa, proclamou um "até a vitória sempre", o lema de Guevara.

Uma das poucas guerrilhas guevaristas que ainda está em atividade na América Latina é o Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia, que apareceu em 1964 e que há dois anos vem mantendo diálogos com o governo desse país em busca de um plano de paz.

No México, por sua vez, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (ELZN), pintou em muros o rosto de Che junto ao de Emiliano Zapata quando se pôs em pé de guerra em 1964 em Chiapas em 1994, e atualmente explora a possibilidade de combater na arena política sob a orientação do subcomandante Marcos.

O Exército Popular Revolucionário (EPR), que surgiu em 1996 a partir das guerrilhas dos anos 60 e 70 e atua no sul do México, esteve longo tempo sem operar, até que em julho e setembro passados atacou vários gasodutos.

Grupos como o peruano Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) estão desarticulados, e outros, que eclodiram nas décadas de 60 e 70 contra ditaduras ou governos de direita apoiados por Washington, abandonaram as armas e se integraram à vida civil ou à política ao término da guerra fria ou das ditaduras militares.

"O Che não fracassou. Os povos se cansam. As revoluções são ainda possíveis", disse à AFP a filha de Che, Aleida Guevara March. Mesmo que os socialistas não tenham conseguido criar "muitos Vietnãs", advertiu que os Estados Unidos "começaram a construí-los".

Após lutar em Cuba ao lado de Fidel Castro até o triunfo de janeiro de 1959, Che tentou concretizar o "Projeto Andino": desencadear a revolução na América Latina com uma "coluna mãe" de combatentes de vários países, que logo se estenderia o movimento insurgente para toda região.

Acusada de exportar sua revolução, Cuba prestou ajuda política e militar desde 1962 a organizações de esquerda em América Latina, com a exceção do México.

Dirigentes do Chile, Peru, Venezuela, Nicarágua, Uruguai, Colômbia, Guatemala, Argentina e outros países chegavam a Havana com planos revolucionários para apresentá-los a Fidel e Guevara.

Para as missões de Che, preparadas pelo comandante Manuel Piñeiro "Barbarroja", o governo cubano preparou tropas, facilitou informações, passaportes e identidades falsas e até alterações físicas.

Depois de fracassar no Congo, Che foi atrás de seu projeto continental, começando pela Bolívia, aonde chegou em novembro de 1966 para implantar uma guerrilha rural, aniquilada em menos de um ano pelas tropas bolivianas treinadas por assessores americanos.

Encurralado e sem apoio popular, em 8 de outubro Guevara foi capturado e executado no dia seguinte por um soldado que cumpria ordens superiores, no povoado de La Higuera, sem poder concretizar seu sonho de instaurar o socialismo mediante a criação de "dois, três, muitos Vietnã" na América Latina.


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