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Assassinatos de Bolivarianos na Venezuela: Guerra Não-Convencional

08.04.2016
 
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Assassinatos de Bolivarianos na Venezuela: Guerra Não-Convencional

Cinco assassinatos de líderes bolivarianos e de agentes estatais em menos de uma semana na Venezuela. Além do terror por encapuzados da extrema-direita contra universidade. Como sempre, todo esse terror sob o mais absoluto silêncio midiático e por parte das principais organizações que se dizem pelo direitos humanos.

Edu Montesanti (*)

Desde que, em 25 de março, assassinaram por motivações políticas ao deputado substituto no estado de Táchira, César Vera (40), noticiado aqui na Pravda em Venezuela: Tentativa de Golpe e Guerra Econômica (seção Mundo), em curto espaço de tempo foram também mortos, eis a lista:

O ativista haitiano-venezolano Fritz Saint Louis (54), apoiante da Revolução Bolivariana e defensor dos direitos dos emigrantes haitianos na Venezuela e em outros países:  em dia 27 de março,  morreu com tiros dentro de sua casa, em um bairro da periferia de Caracas;

Dois oficiais da Guarda Bolivariana, a polícia venezuelana: em 30 de março, ao tentar conter vandalismo por setores da extrema-direita no Instituto Universitário de Tecnologia, na cidade de San Cristóbal, capital do estado de Táchira (fronteiriço com a Colômbia), Armando Otos Marqués Molina (24) e Nicolle Melisa Pérez Soler (21), foram intencionalmente atropelados por um ônibus dirigido por "manifestantes" (se fosse chavista ou mais genericamente, islamita, seria globalmente qualificado de "terrorista", certamente).

No mesmo dia 30, grupos violentos também de extrema-direita queimaram à noite três unidades de transporte estudantil da Universidad de Oriente de Venezuela, no estado de Anzoátegui.

Guerra Não Convencional

Cada vez que ocorrem atos violentos (como as guarimbas do início de 2014) e homicídios como estes, a grande mídia da desconstrução social opta pelo silêncio ou, dependendo da ocasião especialmente se medidas enérgicas são tomadas pelo governo de Nicolás Maduro (dentro da lei, absolutamente respaldado pela Constituição mais democrática do mundo, como sempre faz), culpa-se Caracas e se vende ao mundo a ideia de que possui caráter ditatorial, sem jamais se colocar não apenas essas mortes no mínimo contexto dos fatos, como também se desloca da realidade, atual e histórica, a própria Venezuela que, desde que Hugo Chávez assumiu a Presidência em 1999, sofre esta mesma guerra armada por parte de civis, apoiada na comunicacional e reforçada ainda pelo boicote econômico através do eixo Bogotá-Miami-Madrid.

Logo que assumiu o cargo de presidente Chávez nacionalizou (na prática) a indústria petrolífera da nação que possui as maiores reservas deste produto no mundo. Rompeu sem meias palavras com o FMI e com o denominado Consenso de Washington. Os resultados não tardaram a aparecer: em 2005, o Estado foi considerado pela Unesco como livre de analfabetismo. Outras conquistas sociais, que ano a ano tem sido reconhecidas pela ONU e pelas mais diversas organizações por direitos humanos, podem ser lidas em Hugo Chávez: Três anos da partida física de quem ousou enfrentar o Império.

Para Onde Vai a América Latina?

 

Pois o Império agonizante já tratou (nenhuma surpresa) de atualizar, sem disfarce, a Guerra Fria de péssima memória na América Latina, seu antigo quintal traseiro que as elites nacionais insistem em retroceder e viver das migalhas de Tio Sam. É uma guerra que setores progressistas latino-americanos estão sofrendo, a qual só pode ser vencida com mais democracia e alta politização das sociedades locais. E evidentemente, com as manifestações pacíficas que, na Venezuela mesmo, têm sido fator-chave para impedir, ao longo de todos estes anos de Revolução Bolivariana, retrocesso através de novo golpe à democracia.

No caso particular do Brasil, apesar dos modestos avanços políticos e sociais, o fato de o Itamaraty alinhar-se com os países da região e do Sul em geral (ou subdesenvolvidos), além de compor o BRICS com Índia e mais as temidas (pelos Estados Unidos) Rússia e China, que promete ser um dos blocos econômicos mais poderosos do mundo, influenciando obviamente na geopolítica global além do próprio fato de o governo Dilma ter contestado de frente o maior parceiro mundial do regime de Washington, isto é Israel [condena constantemente as ilegais e genocidas ocupações sionistas na Cisjordânia, defendeu junto à ONU a integração do Estado Palestino, e recusou a aceitar embaixador israelense recentemente, por defender abertamente crimes de lesa-humanidade contra os palestinos ], torna o Brasil um dos alvos do mais antigo inimigo das democracias locais.

A ordem é minar a integração latino-americana com base na tática das mesmas organizações secretas que John Kennedy denunciou, e por quem acabou assassinado: dividir para conquistar.

 (*) Edu Montesanti é autor de Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" (Editora Scortecci, 2012), escreve para Pravda, para Global Research (Canadá), e para Truth Out e Counterpunch (Estados Unidos). Foi tradutor do sítio na Internet das Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) e da ativista pelos direitos humanos, escritora e ex-parlamentar afegã, Malalaï Joya. Ex-articulista semanal do Observatório da Imprensa (Brasil).

 


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