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África não aceita ser o cavalo que todos montam

07.12.2006
 
África não aceita ser o cavalo que todos montam

O presidente da Comissão da União Africana, Alpha Oumar Konaré, que se encontra em Portugal para uma visita oficial concedeu uma entrevista a agência Lusa na qual declarou que hoje a Europa ficou para trás na parceria com África devido à falta de diálogo de alto nível, levando o continente a procurar novos parceiros, como China, América do sul, paises árabes, Rússia.

O presidente destacou que a Europa foi o primeiro parceiro a estabelecer um diálogo privilegiado com África, mas que o adiamento, há três anos, da segunda cimeira de chefes de Estado e de Governo fez com que se "perdesse muito tempo".

"África e a Europa foram os primeiros a estabelecer este tipo de diálogo, que, no entanto, hoje já mantemos com a China, com a América do Sul, com os países árabes, com a Rússia. Durante este tempo a Europa ficou para trás", afirmou.

"Não deixa de ser engraçado que quando África fez uma cimeira com a China ou com a América do Sul, a Europa insurgiu-se, perguntando 'mas que é isto?'", acrescentou.

Konaré sublinhou que "é preciso que a Europa compreenda que, se não fizer nada, a África vai continuar (com os mesmos problemas)", acrescentando que o continente "não pode esperar mais" e que pretende ter a Europa "como parceiro e não como intermediário".

A II Cimeira UE/África estava prevista para Lisboa, em 2003, mas foi adiada "sine die" devido à oposição de alguns países europeus, nomeadamente do Reino Unido, à participação no encontro do Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, cujo regime é acusado de violação dos direitos humanos e que está sob sanções da UE.

O presidente da Comissão da União Africana (UA) manifestou-se confiante de que "as questões de bloqueio possam ser resolvidas" se deixarem de ser encaradas como "problemas de pessoas", mas ressalvou que concorda que "um encontro com a Europa deve ter como base valores de boa governação, de respeito pelo Estado de direito e de democracia".

Questionado sobre a parceria com a China, Oumar Konaré referiu que o interesse é mútuo e defendeu que "é preciso fazer outras parcerias" porque "durante 50 anos África não se desenvolveu porque o tipo de parceria existente não ajudou".

"África deve deixar de ser vista apenas como uma reserva de matérias-primas, que são compradas não importa a que preço. Isso tem de acabar. O sistema colonial, que foi a base das trocas comerciais, acabou. Estamos dispostos a colocar as matérias-primas à disposição de outros países, mas é preciso que entre o dinheiro, que os termos das trocas comerciais sejam correctos", defendeu.

O antigo Presidente do Mali considerou que "África não precisa de ajuda, mas sim de parcerias" porque "o tempo de chegar com a mão estendida já passou". Questionado pela Lusa sobre o que deseja para o futuro do continente, Konaré respondeu: "Uma África em paz, democrática, responsável, onde as crianças aceitem tomar a liderança (...) e se batam pelos seus valores".
"África tem possibilidades e potencialidades enormes. É isso que deve ser colocado em prática, hoje. Não aceitamos mais ser o cavalo que todos vão montar. Isso acabou", concluiu .


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