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EUA nomeiam egresso da Academia Nacional de Guerra para a embaixada na Tailândia

06.05.2015
 
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Há dois tipos de "embaixadores" que os EUA distribuem pelo mundo, para projetar além das próprias fronteiras um sempre mesmo projeto de poder e influência jamais declarado. Um é uma cara sorridente, por trás da qual se pode ocultar a subversão e a manipulação clandestinas; o outro é uma voz forte, pela qual a subversão e a manipulação passam a circular abertamente.

Antes, a Tailândia recebera uma terrivelmente malquista Kristie Kenney, a qual, enquanto serviu como embaixadora dos EUA na Tailândia, de 2010 a 2014, fingiu a mais total ignorância de tudo que se passava à volta dela, inclusive o apoio que os EUA davam ao regime-vassalo de Thaksin Shinawatra, condenado por assassinatos em massa. Durante o período que Kenney esteve na Tailândia, entre 2013-2014, o regime-cliente de Shinawatra, chefiado pela irmã do assassino, Yingluck Shinawatra, empregou terroristas pesadamente armados que mataram cerca de 30 e feriram mais de 800 pessoas numa série de ataques a pistola, granada, M16, AK47 e M79.

Kenney permaneceu muda e ambígua sobre qualquer condenação à violência praticada às escâncaras pelo regime que ela própria e os interesses especiais que ela representava defendiam vigorosamente como "democraticamente eleito" e "legítimo" governo da Tailândia. A incapacidade dela para tomar mais assumidamente o lado do regime e dos seus apoiadores terroristas, ou condenar a violência, tornaram detestadas pelos dois lados a embaixadora e a nação que ela representava.

Golpe militar

O golpe militar que varreu do poder o regime de Shinawatra em maio de 2014 e pôs fim ao terrorismo que se alastrara por todo o país assistiu à partida de Kenney, que deixou vago o posto de embaixador dos EUA na Tailândia.

Durante os primeiros tempos, o Departamento de Estado dos EUA várias vezes 'exigiu' que o governo liderados por militares "devolvesse o poder" ao que os EUA chamam de "mando civil". Decodificada, a mensagem significa que os EUA 'exigiam' a volta ao poder do mesmo assassino condenado de antes, Thaksin Shinawatra, fosse diretamente, fosse dando posse a qualquer dos seus cúmplices.

Os militares resistiram a essas demandas, entendendo que a Tailândia não poderia ter no governo um bandido condenado, que governaria o país de um quarto de hotel em Dubai, para onde Thaksin Shinawatra fugira e onde permanecia desde que foi condenado por corrupção e sentenciado a dois anos de cadeia. E, porque os militares tailandeses recusaram-se a permitir que os EUA ditassem indiretamente o destino da Tailândia sob uma máscara de falsa 'democracia', já se esperava que os EUA adotariam meios mais diretos e mais 'musculares' para influenciar a paisagem política da Tailândia.

Entra em cena Glyn Davies, nomeado embaixador dos EUA na Tailândia

Glyn Davies, antes de ser nomeado embaixador dos EUA na Tailândia, consumia seus dias intrometendo-se na política da Península Coreana, e, principalmente, dedicado a minar o governo da Coreia do Norte, ao mesmo tempo em que fazia o possível para provocar confrontação e conflito sempre crescentes entre Coreia do Sul e a República Popular Democrática da Coreia, que os EUA chamam de "Coreia do Norte".

Antes de iniciar a carreira na 'diplomacia', Davies, segundo a biografia oficial que se lê na página internet do Departamento de Estado dos EUA, formou-se na Academia Nacional de Guerra em Washington D.C., onde concluiu uma pós-graduação sobre "Estratégia de Segurança Nacional". 

A Academia Nacional de Guerra adestra líderes militares de grau intermediário, além de membros seletos do Departamento de Estado dos EUA. A grade curricular inclui tópicos como "Instrumentos não militares de poder", assim descrito (negritos meus):

O curso básico 6300 foca a utilidade de instrumentos não militares de poder para alcançar objetivos de segurança nacional. Especificamente, o curso analisa a natureza, as metas, as capacidades, potenciais lideranças e limitação dos instrumentos não militares na organização da governança, com blocos de instruções sobre os instrumentos diplomáticos, informacionais e econômicos. O curso também investiga e critica uma variedade de modos para orquestrar esses instrumentos em estratégias coerentes. O foco aqui é posto sobre a coordenação no uso de instrumentos não militares, em estratégias de persuasão, de indução e de coerção.

Há outro curso, sob o título de "Contexto Global" (negritos meus):

O curso 6500 visa a ajudar os alunos a compreender o mundo e avaliar ameaças e oportunidades estratégicas emergentes na arena global. Os alunos estudarão vetores selecionados de relações internacionais e o impacto deles em várias nações-estados e regiões internacionais. Os alunos examinarão o modo como os estados respondem a esses vetores - analisando tendências e desenvolvimentos dentro das nações, comparando e contrastando contextos regionais e perspectivas nacionais, e recomendando como mais bem priorizar os interesses dos EUA dentro e ao redor das regiões. O curso incorpora atores estatais e não estatais e atores transnacionais, para ampliar a compreensão do aluno quanto ao contexto global. Mediante o exame de tendências, respostas nacionais a essas tendências e respostas dos EUA às mudanças no contexto global, os alunos desenvolverão conhecimento operacional do contexto internacional de segurança, essencial para criar, analisar e levar adiante a estratégia e a política nacionais de segurança.

Graduado na Academia Nacional de Guerra e versado em "instrumentos não militares de poder" será instalado na Tailândia como embaixador dos EUA como recurso cada dia mais violento contra os esforços do governo liderado pelos militares para deslocar dos postos de comando os remanescentes do governo de Shinawatra e as redes apoiadas por estrangeiros que promovem o regime bandido que os EUA ainda prestigiam. Nenhum bom augúrio com vistas à paz e à estabilidade na Tailândia.

No pior dos cenários, Davies, como fez o embaixador dos EUA na Síria Robert S. Ford, em 2011, pôr-se-á organizar terroristas armados, em descarada tentativa, apoiada pelos EUA, para demolir pela violência a ordem política na Tailândia. Não parece possível uma "guerra civil" a ser inventada na Tailândia. Mas é possível, sim fazer aumentar e disseminar o terrorismo, para destruir a economia tailandesa e comprometer a imagem do país, regionalmente e internacionalmente.

Podem-se conter os efeitos dessas intenções perversas, para começar, com a exposição do papel dos EUA na crise política na Tailândia e, especialmente, denunciando a posição hipócrita, indefensável, dos EUA, que insistem em propagandear que o destino de um criminoso condenado teria sido definido em eleições, não por um tribunal criminal. O fato de que até hoje o próprio Thaksin Shinawatra preside abertamente o maior partido de oposição na Tailândia, "Pheu Thai," compromete completamente a legitimidade da tal 'oposição'. No ocidente, um partido abertamente presidido por criminoso condenado e fugitivo seria impedido de existir, ou seria perseguido como quadrilha criminosa, imagine se, fosse como fosse, teria autoridade para contestar eleições. Pois apesar disso, ainda assim os EUA só fazem 'exigir' que se admita a concretização na Tailândia, desse cenário impensável.

Os gentis ajudadores de Davies 

Se e quando Davies for anunciado oficialmente como embaixador dos EUA na Tailândia, ele imediatamente começará a trabalhar com as ricas Organizações Não Governamentais (ONGs) falsamente 'pró-democracia', que o Departamento de Estado criou e financia há anos. Dentre elas, destacam-se a Cross Cultural FoundationEnvironmental Litigation and Advocacy for the Wants (ELAW), Foundation for Community Educational Media (Prachatai, Tailândia Netizen, de mídia educacional comunitária), e o Thai Volunteer Service. Há também institutos falsamente 'acadêmicos', financiados pelos EUA, entre os quais os criados e mantidos na Chaing Mai University e na Thammasat University.

Provavelmente, Davies também se envolverá direta ou indiretamente com os elementos armados da máquina política de Shinawatra, que regularmente coordenam campanhas de violência, intimidação e terrorismo, paralelas a protestos de rua 'animados' sempre por aqueles grupos armados, ombro a ombro com as ONGs que os EUA mantêm na Tailândia.

Se Davies e a máquina de propaganda dos EUA forem deixados livres para agir, esses terroristas serão apresentados como "manifestantes pró-democracia", "combatentes da liberdade", exatamente como fez o contraparte de Davies, Robert Ford, para promover a Al-Qaeda na Síria; e como a OTAN fez para promover o Grupo de Combate Islâmico na Líbia em 2011.

Compreender tudo isso, e o imenso investimento que os EUA fizeram em Thaksin Shinawatra iniciado há quase vinte anos, no processo para derrubar antigas instituições da Tailândia e substituí-las por um regime-vassalo obediente, ajudará a blindar a Tailândia para a chegada de Glyn Davies, contra o divisionismo e a destruição que traz com ele.

1/5/2015, Toni Cartalucci, New Eastern Outlook
http://journal-neo.org/2015/05/02/us-nominates-war-college-grad-as-ambassador-to-thailand/

 


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