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Avós da Praça de Maio rejeita "reconciliação" com genocidas impulsionada pela igreja

05.05.2017
 
Avós da Praça de Maio rejeita

A CEA anunciou que receberá familiares de pessoas desaparecidas e de repressores para iniciar "um percurso de trabalho sobre o tema da reconciliação no contexto da cultura do encontro".

Tradução de Edu Montesanti

Avós da Praça de Maio manifesta sua profunda preocupação com a ideia de "reconciliação" entre vítimas e perpetradores do terrorismo de Estado que a Conferência Episcopal Argentina (CEA) está impulsionando, chefiada por seu presidente, Dom José María Arancedo.

O CEA anunciou, em sua reunião plenária, que receberá familiares de desaparecidos e repressores faltando para iniciar "um percurso de trabalho sobre o tema da reconciliação no contexto da cultura do encontro".

Diante desta informação, dizemos novamente: não existe diálogo que seja possível com aqueles que sequestraram, torturaram e desapareceram com nossos filhos e filhas; com aqueles que negam informações sobre seu destino final; com aqueles que sabem onde estão os mais de 300 netos e netas que ainda são escravos de mentiras e, a 40 anos de sua apropriação, continuam vivendo sob uma falsa identidade.

Parte da igreja foi cúmplice dos desaparecimentos; com dupla moral endossaram as torturas e omitiram informação para o encontro dos nossos filhos. Através do Movimento Familiar Cristão foram disfarçadas como "adoções" que, na verdade, foram apropriações de pelo menos duas das nossas netas. 

Em abril de 2015, após a visita de Estela de Carlotto ao Vaticano, o Papa Francisco ordenou a abertura dos arquivos secretos da Igreja Católica; cerca de 3 mil cartas e documentos preservados no Episcopado, na Nunciatura Apostólica e na Santa Sé, com ordens que chegavam à igreja para saber o paradeiro dos detidos e desaparecidos além da reivindicação de investigação junto às autoridades.

Embora tenha sido decidido que durante a Assembleia da CEA será revelado o protocolo para se ter acesso a esses documentos, a informação indica que só poderão solicitá-los as vítimas e familiares, ou os juízes e promotores que os requeiram durante a investigação de casos envolvendo crimes contra a humanidade. A este respeito, esperamos que se se reveja  esta decisão que restringe o acesso a documentos que, há 40 anos, temos exigido.

Finalmente, com a proposta de "reconciliação", as Avós da Plaza de Maio reafirmamos que continuaremos lutando até que o último dos responsáveis ​​seja julgado e condenado, até que apareçam os restos de todos os nossos filhos e filhas desaparecidos, até o último neto apropriado tenha recuperado sua verdadeira identidade. Porque não há amor na mentira; não há reconciliação sem arrependimento; não há perdão sem justiça.

Por essa razão, voltamos a conclamar todos os paroquianos a quebrar o silêncio para que não sejam cúmplices da apropriação, e tragam informações que nos permitam encontrar nossos netos e netas roubados há 40 anos.

 


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