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SIDA: 25 anos depois, Onde estamos?

02.12.2006
 
SIDA: 25 anos depois, Onde estamos?

O Dia Mundial da SIDA teve como tema Responsabilização. Depois das múltiplas iniciativas na sexta-feira, dia 1 de Dezembro, Dia Mundial da SIDA, algumas das quais tendo comunicado as boas notícias e outras, as más, onde estamos hoje, perante o flagelo que iniciou há 25 anos atrás?

As boas notícias

Na sua mensagem no dia 1 de Dezembro, Kofi Annan referiu a mudança de atitudes ao longo dos últimos dez anos, realçando o facto que “recursos financeiros estão a ser empregues como nunca antes e vários países estão a conseguir travar o alastramento” mas alertando para a necessidade de “mobilizar a vontade política”.

Para Kofi Annan, a constituição da UNAIDS há dez anos foi uma “pedra de toque” na luta contra este pandemia, pois resultou na Declaração de Empenho, que estabeleceu alvos para serem atingidos. Posteriormente, o Fundo Global para o Combate contra a SIDA tem canalizado três biliões de USD de dadores para várias acções e investimentos de países de baixo e médio rendimento chegam já a 8 biliões de USD.

Os desafios

Para Kofi Annan, “não podemos arriscar perder os avanços que lográmos, não podemos colocar em questão os esforços heróicos de tantas pessoas”. Para Kofi Annan “o desafio agora é realizar tudo que foi prometido, incluindo os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente parar e começar a inverter o espalhamento da SIDA até 2015”.

Responsabilização, para o Secretário-Geral da ONU, passa por todos os Chefes de Estado e de Governo mas também por “todos nós”. “É necessário que pais, maridos, filhos e irmãos apoiem e afirmem as aspirações das mulheres”. Finalmente, “Cada um de nós deve ajudar a trazer a SIDA para fora das trevas, e espalhar a mensagem que o silêncio é a morte”.

Esperança

Para Dr. Peter Piot, Director Executivo da UNAIDS, o 19º Dia Mundial de SIDA (dez anos depois da constituição da UNAIDS e 25 anos depois da identificação da doença) traz sinais de esperança, principalmente nas tendências de comportamentos sexuais de populações jovens – “maior uso de preservativos, iniciação de actividade sexual mais tarde e menos parceiros sexuais”, culminando na diminuição de prevalência de SIDA entre esta população em vários países.

Dr. Peter Piot também referiu o aumento da politização do fenómeno e o maior acesso a programas de tratamento. Também de grande importância, o método de colecção de dados está sendo melhorado todos os anos, providenciando cifras mais fiáveis sobre a realidade.

O caminho para a frente

Para Dr. Peter Piot, programas de prevenção contra a SIDA têm mais sucesso quando são endereçados às pessoas mais em risco e quando acompanham as alterações e mudanças na realidade em cada país. Programas de sensibilização funcionam. Os alvos destes programas, de acordo com os resultados da pesquisa realizada recentemente, devem continuar a incidir sobre as populações toxicodependentes (principalmente os que injectam), trabalhadores na indústria sexual e homossexuais (principalmente masculinos).

A realidade

O novo relatório sobre a SIDA revela que a pandemia já não está restrita ao grupo etário de 15-49 anos de idade, pois “uma percentagem substancial das pessoas que vivem com a doença tem mais de 50 anos”. Os últimos dados da UNAIDS e da OMS indicam que em 2005, 2,8 milhões de adultos com mais que 50 anos estavam infectados com HIV/SIDA além de 2,3 milhões de crianças com menos de 15 anos.

Os dados revelam também que a taxa de incidência (casos novos de pessoas a viver com SIDA comparado percentualmente com o número de pessoas previamente não infectadas) está estabilizada devido a melhorias nos programas de tratamento (ART) e a maior consciencialização da população mundial. A taxa de prevalência está ainda a subir, devido à subida em taxas de natalidade.

Na África Sub-Saariana, a taxa de infecção é ainda de 3 milhões de pessoas por ano e em oito países, a prevalência mantém-se acima dos 15 por cento (África do Sul, Botswana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia, Zimbabué), sendo de mais que 30 por cento na Suazilândia. Na África Ocidental, a taxa de prevalência é muito menor (entre 1 e 5 por cento em geral) por isso não se pode afirmar que a SIDA é um fenómeno africano.

Globalmente, metade das infecções novas incide na população na faixa etária das pessoas com menos que 25 anos.

Não há razões para festejar mas há indícios que a comunidade internacional, e principalmente os vários mecanismos da ONU e da indústria farmacêutica, estão com boas perspectivas no sentido de dominar e eventualmente vencer esta doença, que continua a infectar 4,1 milhões de pessoas todos os anos.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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