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Iraque: Colocar a culpa

02.08.2007
 
Iraque: Colocar a culpa

Sob qualquer norma da lei internacional, a culpabilidade para crimes cometidos é um preceito fundamental. No caso de Iraque, foram cometidos os piores – assassinato em grande escala, crimes de guerra, vandalismo gratuito, terrorismo de estado, destruição de estruturas civis com armamento militar, estupro, assassinato de crianças, tortura e a propositada destruição de um estado, num ato ilegal de matança planejado pelo clique de elitistas corporativos que gravita ao redor da Casa Branca e que, juntamente com Tel Aviv, dita a política externa EUA. No entanto, o dedo ainda não foi apontado a ninguém por uma comunidade internacional no meio de um ataque monumental de covardia, preferindo examinar seu umbigo e o estado das suas unhas.

Em 2003, Iraque era um país relativamente pacífico, as ruas eram relativamente seguras e o Governo de Presidente Saddam Hussein distribuía recursos regularmente e de forma justa entre a população. O único romper da paz era um ataque terrorista ocasional por aeronaves da OTAN.

Depois vieram as mentiras do Colin Powell no edifício da ONU, as descobertas da “inteligência estrangeira magnífica” (uma tese britânica de doutoramento do início dos anos 90 copiada e colada da Internet), a máquina de guerra a volta do regime de Bush entrou em acção, a ONU foi desrespeitada porque não daria seu aval a outra guerraa ilegal de Washington e a invasão foi lançada.

Após pouco mais que quatro anos, qual é o estado do Iraque hoje? Em junho de 2007, 1.241 civis perderam suas vidas na violência. Em julho de 2007, a cifra aumentou para 1.650, enquanto entre as forças armadas dos EUA registou seu segundo índice mais baixo de perdas – apenas 70 tropas, mas mesmo assim, dois por dia, todos os dias, num total de mais de 3.600 tropas desde a invasão em Março de 2003.

Em somente um dia, 1 de agosto, 70 civis foram mortos e mais que 100 feridos em três ataques por bombas em Bagdade. Oito milhões de iraquianos estão agora em necessidade urgente de apoio de emergência: 4 milhões em necessidade imediata de ajuda de alimentação e auxílio humanitário, mais que dois milhões internamente deslocados (IDs), muitos sem sítio parte ir e mais que dois milhões de refugiados em Síria e Jordânia – de acordo com o relatório recente do Oxfam "Abordando o Desafio Humanitário no Iraque", a "crise de refugiados que mais rapidamente cresce no mundo".

43% de iraquianos vivem em "pobreza absoluta", os direitos da mulher quase desapareceram – as que arriscam sair sem véu podem ser estupradas ou então decapitadas à luz do dia – só 60% dos cidadãos que necessitam auxílio de alimentação têm acesso a isso, o índice de desemprego está agora acima de 50%, a desnutrição em crianças subiu de 19% (durante os ataques terroristas da OTAN e o bloqueio desumano nos 1990) a 28%, querendo dizer que carca de um terço das crianças do Iraque têm uma alimentação insuficiente.

Dois milhões de pessoas não têm nenhum lar, nenhum trabalho, nenhum rendimento e acima de metade dos IDs tem acesso apenas esporádico a nutrição. 70% de iraquianos estão sem abastecimentos de água adequados, 80% estão sem saneamento básico e 40% dos quadros qualificados no Iraque deixaram o país.

A quem culpar para esta situação catastrófica? Em qualquer estado de lei civilizado, se alguém entra ilegalmente em outro lar, mata a família, estupra a esposa, destrói a propriedade e distribui contratos bilionários sem qualquer concurso aos amigos, é executado um devido processo legal, há uma acusação, um julgamento e encontra-se o culpado.

No caso do Iraque, o facto que o culpado seja tão fácil de identificar mas mesmo assim tão invisível, diz tudo sobre a ausência de um estado de lei na comunidade internacional no começo do terceiro milénio. Os Estados Unidos da América e seus aliados que perpetraram este ato chocante de terrorismo de estado devem ser responsabilizados, seus líderes julgados pelos crimes que foram cometidos.

Se não, as gerações futuras verão com incredulidade esta, uma das alturas mais escuras da história para a lei internacional e quaisquer normas básicas de decência humana.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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