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Das ditaduras e revoluções

01.03.2011
 

As revoluções são sempre assim: nunca são para o povo, mas para aqueles que se revoltaram contra os privilégios que não tinham. No poder, os revolucionários de antanho sempre se tornam tudo aquilo que nunca quiseram ser, ou diziam combater. Incólumes como as árvores, desfrutam do sol da liberdade, enquanto que a sua sombra atrofia a tudo que está a sua volta. Assim se repete a história da Humanidade, em anos e anos de enganos, atrocidades e equívocos.

O que era para ser um processo, um meio, torna-se um fim, mudando apenas o lado que passa a assumir o poder, a ditar as normas, se valendo das mesmas estratégias, ferramentas e processos que combateram. Seja na América Latina, no Oriente Médio ou na Ásia; nos séculos I, X ou XXI; antes ou depois de Cristo; os métodos são sempre os mesmos, mas as culturas e os povos, diferentes. Assim foi, assim é, enquanto que as minorias organizadas, dominam as grandes maiorias desorganizadas. As ditaduras são filhas bastardas das revoluções.

Sedutoras, embaladas por grandes manifestações e até mesmo fabricadas, as revoluções, uma vez vitoriosas, ignoram todo o processo que as levaram ao poder, deixando de ser uma opção para se intitular como solução. Qualquer idéia contrária aos ideais revolucionários passa a ser de oposição, o que justifica perseguições, prisões e até tortura.

As revoluções são em seu princípio natural o oposto às ditaduras. Elas são a resposta de povos inteiros contra os desmandos de governos que ignoram o barulho das ruas, os anseios de uma sociedade. Elas deveriam ser o início de uma nova era, um caminhar constante para frente e não um retroceder na história. Ser o coroamento de novos valores, a instituição de uma nova forma de governo, uma nova relação, mais direta e próxima, nascida entre as ruas e os gabinetes oficiais. No entanto, uma justifica e legitima sempre a face oculta da outra.

Convêm às grandes democracias as pequenas ditaduras, que subjugam seu povo em rentáveis acordos comerciais. O que os países democráticos não podem fazer com seu povo, fazem com outros, contanto com uma mão aliada para empunhar as armas. Por isso o silêncio cúmplice paira sobre o mundo ocidental, que mapeou o planeta e separou algumas áreas estratégicas. 

Vizinhos, Líbia e Egito dividem a mesma pobreza de seu povo, diante do império amealhado por seus governantes durante anos de exploração e ditadura. Sem liberdade e privados de usufruir das riquezas naturais que existem em seus países, nações inteiras vivem como se estivessem em tempos bíblicos, como se vivessem em um mundo paralelo.

Enquanto isso, seus líderes, que deveriam primar pelo bem estar de seu povo, ostentam mundo afora seu oásis de riqueza, diante de um deserto de pobreza e submissão. Só mesmo uma ditadura para justificar o deserto que separa a vida de egípcios e líbios da de seus governantes.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor

www.petroniogoncalves.blogspot.com

 


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