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De Lula para Dilma

01.01.2011
 

Notou-se hoje no Palácio do Planalto em Brasília o excelente ambiente e à vontade com que a nova Presidenta do Brasil, Dilma Roussef, recebeu os visitantes que foram assistir à sua tomada de posse. De facto Presidente Dilma está mais que preparada para servir mais do mesmo, e é isso de que o Brasil, e o mundo, precisam.

Que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nos últimos três meses da sua presidência com um índice de aprovação de 79 por cento, diz tudo. Por isso, não constitui nenhuma surpresa que a transição dentro do PT (Partido dos Trabalhadores) do Presidente Lula para Dilma Roussef, agora pela primeira vez no Brasil, mulher Presidente, foi executado de forma tão suave, a popularidade de Lula transbordando para seu Chefe de Gabinete.

Presidente por dois mandatos, Lula foi uma chamada de despertar para o Brasil, que chegou ao seu potencial e ocupou o seu lugar no palco das relações internacionais. Subserviente a ninguém, confiante e justo, na última década, o Brasil tem-se desenvolvido externamente, tornando-se um grande jogador no cenário internacional e, internamente, os programas sociais que tiraram milhões da pobreza fizeram tanto para implementar a justiça social em um modelo de desenvolvimento sustentável.

Lula era do povo e governou para o povo. Em oito anos, 30 milhões de pessoas subiram da pobreza para a classe média e 19 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema. 40 por cento dos setores mais pobres da população aumentaram a sua riqueza em mais de três por cento.

Política interna que favorece o desenvolvimento econômico e social sustentável

Central às suas políticas foram a Bolsa Família através da qual 12 milhões de famílias pobres receberam um subsídio mensal entre 12 e 117 dólares por criança; Fome Zero, expandindo os programas lançados pelo seu antecessor, Presidente Fernando Henrique Cardoso, fruto da criação de seu novo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Grande importância foi dada para ajudar os pequenos agricultores na senda do seu desenvolvimento e um sistema de irrigação novo foi criado no interior árido do nordeste do Brasil, enquanto o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) fortaleceu as estruturas, criando postos de trabalho, reforçando o economia numa vasta gama de setores.

A política financeira e económica sensata de Lula viu o Brasil pagar sua dívida perante o Fundo Monetário Internacional, dois anos antes do previsto, viu a classificação de risco soberano descer a pique enquanto os mercados financeiros reagiram, ganhando confiança no Brasil, e o país cresceu em um clima de confiança e estabilidade. Sob Lula, o Brasil ultrapassou pela primeira vez de devedor a credor.

A Presidência por dois mandatos de Lula não era desprovida de escândalos, mas o fato é que ele mesmo manteve-se acima de qualquer injustiça ou abuso de influência e foi rápido a envolver as autoridades federais na investigação de corrupção, e pela primeira vez na sua história, Lula deixa um Brasil onde ninguém está acima da lei.

Política externa: defendendo o que é certo

A política externa de Lula foi igualmente bem sucedida, que institui o Brasil não só como um importante interveniente na sua esfera geo-política, mas também como um líder do mundo em termos de desenvolvimento, da América Latina, e em um cenário mais amplo, um poder intermediário nas relações internacionais, situando-se a favor dos preceitos do diálogo, debate e discussão, enquanto outros pregavam uma coisa e praticam outra.

Sob Lula, o Brasil se definiu a favor da integração latino-americana, forjando relações mais estreitas entre os membros do Mercosul/Mercosul, o Brasil apareceu como o mediador na crise entre Venezuela e Colômbia, assumindo um papel de liderança na crise política em Honduras e na catástrofe humanitária no Haiti. Sob Lula, o Brasil aprofundou as relações entre os membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), que pretende desenvolver-se num grande bloco, maciçamente poderoso, incluindo eventualmente o Irã, África do Sul e Indonésia e, possivelmente, Turquia. Sob Lula, o Brasil favorecia uma posição que favoreceu o direito internacional sobre a histeria e demonologia (do programa nuclear do Irã) e levou o mundo em desenvolvimento em uma ampla gama de questões, desde o ambiente até às relações comerciais.

Sob Lula, o Brasil se manteve firme, defendendo posições que nem sempre foram populares com a UE ou Washington e estabelece as bases para uma política externa independente, Brasília ganhando muito respeito entre os membros mais razoáveis da comunidade internacional.

Lula pode legitimamente reivindicar o título de Homem da Década.

Dilma: mesmo time, novo capitão

"Eu não vou esconder o que eu era e eu não tenho uma visão negativa disso ... Eu tenho sim uma visão realista da época. Eu tinha 22 anos, era um outro mundo, era um outro Brasil. Aprendemos muito. Não tem nada em comum com o que eu penso hoje."

Aqueles que afirmam que Dilma Roussef tem pouca experiência internacional e de Governo e de que ela substitui Lula, porque ela era o seu protegido, basicamente ignoram o fato de que, devido a seus méritos pessoais, ela viu seu índice de aprovação subir de 30 para mais que 55 por cento, ganhando as eleições presidenciais de forma clara no segundo turno. Dilma Roussef é na vida real a Mulher do Século do Brasil.

Vindo de uma base social diferente do líder sindical Lula, a economista Dilma Roussef é a filha de um imigrante comerciante, um membro do Partido Comunista Búlgaro. Desde cedo ela se interessou em causas sociais e depois do golpe militar de 1964, tornou-se uma ativista política em organizações de justiça social como o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR Palmares). Embora sua participação foi política, e apesar de nunca ter-se envolvido em acções que causaram vítimas humanas, ela foi capturada, presa e torturada pelo regime fascista e repressivo do Brasil, apoiado pelos EUA.

Em 2005, falando sobre esse período da sua vida, ela afirmou: "Eu não vou esconder o que eu era e eu não tenho uma visão negativa disso ... Eu tenho sim uma visão realista da época. Eu tinha 22 anos, era um outro mundo, era um outro Brasil. Aprendemos muito. Não tem nada em comum com o que eu penso hoje."

Libertada da prisão, ela foi mais tarde co-fundadora do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e desenvolveu uma carreira primeiro como secretária municipal para o Tesouro, em Porto Alegre, depois como secretária de Estado de Minas Gerais das Minas e Energia. Em 2001, ela se juntou ao PT de Lula, a elaborou o plano do seu Governo para a energia antes de se tornar Ministra de Minas e Energia, e nesse posto ela lançou a campanha Luz para Todos.

Seu sucesso, a sua capacidade de organização e sua habilidade de negociar com todos os setores da sociedade constituíram as bases para Dilma ser nomeada como Ministra Chefe do Gabinete do Governo.

Como tal, ela estava profundamente envolvida em todos os aspectos da actividade política nos bastidores, na verdade, o Presidente Lula a rotulou de "Mãe do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC, Programa de Aceleração de Crescimento)" e, desde 2007, ela tem sido preparada como sucessora de Lula.

Dilma Roussef é, portanto, excelentemente preparada para assumir a Presidência no Brasil e com a máquina política do PT por trás dela, trata-se da mesma equipe vencedora que ganha um novo capitão, um capitão que venceu uma forma agressiva de câncer dos gânglios linfáticos nos últimos anos ... uma senhora incrível.

Se Lula é o homem da década, Dilma é a promessa do século.

Timothy Bancroft-Hinchey

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