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A crise do império e do neoliberalismo

01.01.2008
 
Pages: 12
A crise do império e do neoliberalismo

O ano de 2007 confirmou o processo de alteração da correlação de forças no mundo, com uma tendência mais favorável às lutas dos povos. As forças contrárias aos trabalhadores se fragilizaram e a resistência ao neoliberalismo e ao poder imperial dos EUA cresceu.

ALTAMIRO BORGES

O ano de 2007 confirmou o processo de alteração da correlação de forças no mundo, com uma tendência mais favorável às lutas dos povos. As forças contrárias aos trabalhadores se fragilizaram e a resistência ao neoliberalismo e ao poder imperial dos EUA cresceu. Diferentemente das décadas anteriores, nas quais o capital promoveu uma verdadeira tsunami contra os estados nacionais, a democracia e os direitos sociais, atualmente está em curso um movimento que tenta transitar, com suas limitações e ritmos diferenciados, da resistência à construção de alternativas ao neoliberalismo. A maior expressão deste avanço se dá na América Latina do libertador Simon Bolívar e do revolucionário Ernesto Che Guevara. É neste contexto que os movimentos sociais devem lutar, com maior ousadia, por seus interesses imediatos e futuros.

Fraquezas do “império do mal”

Prova desta alteração da correlação de forças é a crise que atinge o maior inimigo da humanidade, os Estados Unidos. Após décadas de hegemonia esmagadora no planeta, agredindo e saqueando as nações para impor seus interesses, os EUA dão evidentes sinais de fraqueza – o que não significa que estejam à beira do colapso. Na didática síntese do sociólogo Emir Sader, a força de um império se mede por dinheiro, armas e palavras. Nestes três quesitos, os EUA estão em dificuldades.

No tocante à economia, ao dinheiro, o país enfrenta uma grave crise. O recente colapso do seu mercado imobiliário revelou que esta economia é virtual, sem base no real. Os EUA são hoje um país endividado, totalmente parasitário. Seu déficit gêmeo – importa mais do que exporta (déficit comercial) e gasta mais do que arrecada (déficit fiscal) – não pára de crescer e já supera a casa de US$ 1,3 trilhão. O país precisa atrair cerca de US$ 3 bilhões ao dia para sustentar os seus déficits. A dívida das famílias estadunidenses atinge a cifra recorde de US$ 11,5 trilhões e a das empresas já supera os US$ 8,4 trilhões. Segundo o renomado economista Osvaldo Martinez, “a crise econômica dos EUA é estrutural e insolúvel”.

Os trabalhadores são as maiores vítimas deste declínio da economia. O Census Bureau, instituto oficial de estatísticas do governo, divulgou recentemente que o número de pobres nos EUA atingiu 36,5 milhões de pessoas – para a Academia Nacional de Ciências, mais rigorosa nos cálculos, são 41,3 milhões de pobres, um recorde histórico. O desemprego cresceu, atingindo em agosto, antes da explosão da crise imobiliária, 4,9% da População Econômica Ativa (PEA) – quando George Bush venceu as eleições, em 2000, o índice era de 3,9%, já considerado alto para os padrões ianques. O trabalho parcial, temporário e precário é um dos mais elevados do mundo, já que impera no país a total desregulamentação trabalhista, e os salários não têm aumento real, acima da inflação, há anos.

O inferno dos imigrantes

Enquanto isto, o presidente-terrorista George W. Bush investe fartos recursos nas guerras, servindo aos interesses da indústria bélica e do petróleo. O orçamento de 2008 prevê gastos militares de US$ 790 bilhões – quase o dobro do PIB brasileiro. Para bancar o seu belicismo insano, Bush corta gastos sociais, como no recente pacote de redução da assistência à infância, privatiza os serviços públicos e precariza os direitos trabalhistas. Cerca de 47 milhões de estadunidenses não têm qualquer proteção à saúde e 8,7 milhões de crianças estão sem assistência social. O aumento da miséria fica mais patente entre os imigrantes – os milhões de miseráveis da periferia capitalista atraídos pelo “paraíso do consumo”.

Há 12 milhões de latino-americanos – incluindo um milhão de brasileiros – na triste condição de ilegais. O imigrante coloca a vida em risco ao atravessar o “muro da vergonha”, que separa o México dos EUA. Na parte mexicana, ele é espoliado por máfias criminosas que cobram até US$ 12 mil pela travessia ilegal – dormindo em barracas de lona, sem higiene e com péssima alimentação. Já no território ianque, ele é perseguido por 17 mil soldados – só em abril passado, 4.802 brasileiros foram detidos, uma média de 160 ao dia. Ele também é perseguido por sádicos empresários, que participam das caçadas organizadas por grupos racistas, como a Gatekeeper. Em 2006, ocorreram 441 mortes na fronteira. Os que ingressam nos EUA são explorados como mão-de-obra barata, nos trabalhos mais penosos e perigosos e sem direitos à rede pública de hospitais e escolas. O imigrante é o retrato da miséria na pátria do capitalismo.

Um novo Vietnã

Além dos graves problemas econômicos, os EUA enfrentam duros revezes no campo militar, nas armas. O Iraque se transformou num grande pesadelo. Segundo pesquisas de Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, os gastos com esta guerra atingiram em dezembro passado o valor de US$ 2.267 trilhões. O governo do carrasco George W. Bush achava que a ocupação seria um passeio. Mas já são quase 4 mil soldados ianques mortos e outros 27 mil feridos pela insurgência iraquiana, que preferiu adotar técnicas de guerrilha a combater de frente o poderoso exército invasor. Como afirma o teólogo Frei Betto, o Iraque é o novo Vietnã, que apavora os estadunidenses. “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”, afirma.

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