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Futebol e religião

27.06.2017
 
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Os narradores de futebol, no rádio e na televisão, cansaram de dizer que Deus era brasileiro. Na última Copa do Mundo, com a goleada diante da Alemanha ficou uma dúvida. Deus não teria se bandeado para os lados dos germânicos?
Agora na Copa das Confederações, será que a eliminação da Rússia pelos mexicanos tem a ver com alguma mágoa antiga Dele pelo fato dos russos terem sido comunistas durante mais de 70 anos?

Quem acompanha os jogos pela televisão já viu centenas de vezes jogadores e até juízes, fazendo o clássico sinal da cruz, quando começa o jogo, quando os atacantes fazem gols ou quando o goleiro defende um pênalti. É um aviso para o público e os telespectadores: "olha aí, o Homem está comigo". No final dos jogos, os jogadores - os vencedores, claro - são mais explícitos: "Deus me iluminou e saímos vencedores". Os perdedores não cobram nada, tipo "que sacanagem, a gente contava Contigo, fez promessa e tal, e nada deu certo". Certamente não querem incomodar o Homem e perder totalmente a confiança Dele. Afinal o campeonato é longo.

Atualmente virou ritual, quando o atacante consegue fazer um gol, reunir seus companheiros num canto do gramado e ajoelhados erguer os braços para os céus, agradecendo o feito e pedindo que Deus não se acanhe em favorecer a conquista de outros.

Há alguns anos chegaram a se formar confrarias de jogadores transformados em cruzados de alguma seita religiosa. Eram os chamados Atletas de Cristo, que pediam proteção para si e para seu clube, mas não poupavam as canelas dos adversários.
Eram crentes modernos, com um olho em Deus e outro no marketing. Quando faziam um gol corriam em direção às câmeras de televisão, com a camisa levantada para mostrar frases do tipo Deus é fiel ou Cristo salva. Para evitar a a concorrência com os anunciantes que pagam fortunas para por seus nomes nas camisas, a FIFA proibiu esses gestos de fé mercadológica.

Deve ser complicado para Deus escolher o lado vencedor, tantos são os pedidos dos concorrentes. É como nas guerras antigas, onde cada lado levava seus estandartes e seus capelães e dizia defender a causa divina. Quando, por exemplo, era uma guerra entre cristãos - tipo Alemanha contra França - devia ser muito difícil para Deus se posicionar. A menos, que ele fizesse opção pela maioria católica (França) contra maioria protestante (Alemanha). 

Nas cruzadas, era mais fácil. Jeová versus Alá. 

A pergunta é se o que vemos nos campos ou na Tv é só futebol, onde ganha o melhor ou que pelo menos, ganha quem tenha um Neymar no ataque, ou tem a ver com milagres e demonstrações explicitas da vontade divina? 
Talvez a melhor resposta seja a de um antigo narrador de futebol no Rio Grande do Sul, que depois virou até deputado federal. Dizia o Mendes Ribeiro: "Deus não joga, mas fiscaliza". 

Nesse sábado, parece que Deus deu uma olhada para o nosso time e o Internacional ganhou do Brasil, lá em Pelotas. Como o gol foi do Fabinho, podemos acreditar em milagre.


Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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