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Luis María Maidana – Ex goleiro do Verdão e Peñarol analisa Palmeiras x Nacional de Montevidéu

26.05.2009
 
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Luis María Maidana – Ex goleiro do Verdão e Peñarol analisa Palmeiras x Nacional de Montevidéu

Primeiro goleiro Campeão da Taça Libertadores, primeiro goleiro Sul-Americano Campeão da Taça Intercontinental, jogou na estréia internacional de Eusébio e defendeu um pênalti do Edson Arantes do Nascimento (Pelé). Currículo e tanto de um múltiplo campeão.

PRAVDA: Onde você nasceu?

MAIDANA: Nasci o 22 de Fevereiro de 1934 em Pan de Azúcar, Departamento (Estado) de Maldonado, pertinho de Punta del Este mesmo que minha criancice aconteceu no balneário Piriápolis á partir dos dois anos e meio. Joguei no clube Tabaré de Piriápolis até os dezessete anos que acabei dando um pulo até a Federação de Futebol de Maldonado e daí para Peñarol, isso tudo no ano 1951. Mais logo joguei no Peñarol até 1965.

PRAVDA: Desde o início foi com sucesso, não é?

MAIDANA: Com certeza, o primeiro ano acabei sendo campeão na Terceira Divisão (tinha duas Terceiras, «A» e «B»). Eu tinha idade para jogar nas duas Terceiras mas uma dessas era a o degrau prévio para jogar com os grandes craques. Porém tratavam-se dos reservas do time adulto principal. Esse time jogou uma partida final no Estádio do Central (time que recebeu o Silas faz alguns anos) vencendo o Nacional do Escalada, Mesías, Mañana, Brienza, etc.

Ano seguinte, 1952 também tivemos o privilégio de obter a Taça de Campeão na categoria mas em 1953, o goleiro Dimitrio sofreu cirurgia de menisco e fiquei como reserva do Pereira Natero que tempo depois pediu passe acho que para o Vasco da Gama e foi minha chance de ficar no plantão atrás do Roque Gastón Máspoli, Campeão do Mundo 1950 tendo completado apenas 20 anos. Foram dias muito movimentados para mim nessa época pois joguei na Terceira de manhã, na Segunda á tarde e logo ficava como reserva do Máspoli na Primeira. O treinador da terceira era o mesmo que na Segunda, o «Coco» Espósito. Então meu roteiro era o seguinte: de manhã o time de Terceira jogava em qualquer um dos Estádios de Montevidéu, logo íamos para o Estádio Centenario, um sanduíche, um refri ou cafezinho e ficava pronto para jogar á tarde cedinho na Segunda sendo que no meu caso ficava no plantão atrás do Máspoli. Em uma oportunidade mesmo que não acredite joguei quase os três jogos em um dia só. De manhã no campo do Wanderers na Terceira, logo á tarde no Estádio perante o Danubio na Segunda e tendo andado apenas uns dez ou doze minutos do primeiro tempo o Máspoli machucou e tive que pular em campo,

PRAVDA: Compartilhou concentrações e partidas junto aos maiores craques do futebol mundial, não é?

MAIDANA: Puxa vida, (continua falando sorridente). Na concentração de jeito específico, fiquei do lado do Obdulio Jacinto Varela, o «Pepe» Schiaffino, Oscar Omar Miguez (todos eles Campeões do Mundo 1950) e Juan Eduardo Hoberg (Quarto no Mundo na Alemanha 1954).

PRAVDA: Quanto ao Maracanaço de 1950...eles falavam do assunto com os mais novos da turma do Peñarol?

MAIDANA: Nem por acaso. Eles nunca batiam um papo daquele Maracanaço. O que sempre disseram que aquela façanha aconteceu uma vez só. Caso jogassem mais dez partidas, quase com certeza iam perdê-las. Fora isso eu acabei «sendo parte» daquela turma pois jogaram uma outra versão do jogo sendo veteranos em 1965 em Maracanã quinze anos depois. Antes tinham vindo os brasileiros em Montevidéu e como eu tinha tido problemas no Peñarol e estava indo para Palmeiras, o próprio Obdulio veio até a minha residência, aqui neste mesmo endereço para que eu treinasse com eles pois estavam fazendo creche com a Fundação o Dr. Caritat pelo Uruguai inteiro e logo íamos retribuir a visita dos brasileiros. Acabamos perdendo de 1 x 0 e o artilheiro aquele dia foi o Jair. Então também joguei com aqueles craques brasileiros. Barbosa, Bauer, Danilo, Friassa. Jair, Ademir. Veja só!!

PRAVDA: Você foi um dos jogadores que foram parte da Primeira Edição da Taça Libertadores, aquele invento do ex Presidente do Peñarol, Washington Cataldi?

MAIDANA: Eu joguei desde o primeiro jogo da Libertadores perante os bolivianos do Jorge Wilsterman até o dia da minha despedida do Peñarol em 1965 sem faltar um jogo só. Aqui furamos as redes bolivianas acho que em sete oportunidades e lá na Bolívia a coisa mudou acho que pelo assunto da altura mesmo que no meu caso nunca percebi alterações no meu corpo, apenas que a bola voava bem mais rápido. Um jogo na altura não é normal mas até hoje ninguém morreu lá. Eu chutava desde minha área e a bola alcançava a área rival sem me esforçar. A ar suspendia a bola mais tempo. Treinando em Cochabamba um dia antes do jogo, sem aquela altura de La Paz, nem uma torneira que tinha atrás do gol foi minha parceira tentando deixar a bola úmida porém mais pesada. Aos poucos a bola ficava seca.

Então, joguei desde a primeira rodada da primeira Libertadores em 1960 até o jogo pelas Semis de 1965 perante o Santos em Pacaembu que perdêramos 5 x 4 mas fiz a defesa de um pênalti do Pelé na hora que o Santos ia na frente de 4 x 1. Logo o processo foi 4 x 2, 4 x 3, 5 x 3, 5 x 4 e acima do apito final do árbitro o José «Pepe» Sasía, «machucou» o ângulo da cidadela do Santos que poderia ter sido o empate 5 x 5. Logo o jogo teve mais uma versão em Montevidéu que vencêramos e tínhamos que jogar mais uma partida em Buenos Aires. Aí o preparador físico do Peñarol, Langlade me falou de um jeito que não gostei e acabei saindo da concentração me despedido do Peñarol para sempre. Eu sou assim desse jeito, percebeu...não gosto de uma coisa e...

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