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Futebol inglês revive a guerra dos sexos

14.11.2006
 
Futebol inglês revive a guerra dos sexos

"Não quero mulheres a arbitrar jogos". Esta afirmação de Mike Newell , técnico do Luton Town, motivou forte polémica em Inglaterra e até o clube pretende reunir de emergência com o técnico, demarcando-se da posição deste.

 Na segunda-feira Mike Newell, pediu desculpas pelo depoimento que deu sobre a auxiliar Amy Rayner, após a não-marcação de um pênalti para seu time na derrota por 3 a 2 para o Queens Park Rangers, no fim de semana.

"Ela não devia estar aqui", disse Newell. "Sei que isso soa preconceituoso, mas sou preconceituoso. Os juízes e auxiliares incompetentes que temos já são ruins o bastante, mas se começarmos a trazer mulheres, então, teremos um grande problema", emendou.

"Isso é futebol de campeonato (da segunda divisão). Não é futebol de várzea. Isso é só um cala-boca para os idiotas politicamente corretos", disparou.

Em uma entrevista à Sky Sports News na segunda-feira, porém, o técnico voltou atrás.

"Quero pedir desculpas publicamente a Amy Rayner e a todo mundo que ofendi. Os comentários feitos depois do jogo foram inoportunos e inadequados", disse.

Ele alegou que errou ao deixar a frustração tomar conta dele no "calor do momento".

As declarações de Newell deram calafrios nas mulheres envolvidas no futebol inglês. Heather Rabbatts, presidente-executiva do Millwall, da segunda divisão, disse na segunda-feira à rádio BBC.

"É ridículo sugerir que as mulheres sejam geneticamente incapazes de ser boas juízas".

"Assim como em muitas outras áreas em que as mulheres conseguiram ao longo dos anos ser tratadas com igualdade, elas fizeram isso com uma enorme quantidade de trabalho duro e muitas vezes tendo de ser, como todos sabemos, duas vezes melhores que os homens", emendou.

"Precisamos combater o preconceito sexual no futebol do mesmo modo que combatemos o racismo", salientou ela.

Rachel Yankey, jogadora da seleção inglesa de futebol feminino, também comentou sobre o incidente.

"A Amy é um exemplo. Se a decisão foi equivocada, ele pode criticar a auxiliar, mas não devia dizer que ela não devia estar lá simplesmente porque é mulher", afirmou à rádio BBC.

A Associação de Futebol inglesa manifestou apoio a Amy Rayner. "Juízes como Rayner chegam aonde estão com base no mérito, na dedicação e na capacidade. Eles tomam a maioria das decisões corretamente. É claro que há erros isolados, mas jogadores e técnicos também os cometem", disse o executivo-chefe da FA, Brian Barwick.

Um porta-voz da FA disse na segunda que as declarações de Newell estão "sendo analisadas". O Luton Town publicou em seu site que convocou uma reunião de emergência para discutir o caso.

Reuters


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