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Cronologia do crime que envolveu o clube da segunda maior torcida do Brasil

06.01.2010
 
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Cronologia do crime que envolveu o clube da segunda maior torcida do Brasil

Escandalo Msi-Corintians

Cronologia do crime que envolveu o clube da segunda maior torcida do Brasil

Uma parceria comercial altamente suspeita, envolvendo o segundo maior clube em torcedores do Brasil, o Corinthians, expos as entranhas criminosas e mafiosas dos bastidores do futebol profissional brasileiro com a participação de “investidores” estrangeiros.

O Ministério Público Federal fez a denúncia oficialmente em 2004, culminando com o indiciamento do presidente do clube Alberto Dualib em crime de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, e a Justiça decretou a prisão dos “investidores” estrangeiros de Boris Berezovski, Kia Joorabchian e Nojan Bedroud.

A parceria entre o Corinthians e a Media Sports Investiment (MSI), representada pelo iraniano Kia Joorabchian, foi aprovada pelo próprio Conselho Deliberativo do clube em 24 de Novembro de 2004. O contrato assinado entre as partes dava ao fundo de investimentos a gestão do departamento de futebol e direitos sobre licenciamento de produtos.

Já sob suspeita de negócios ilícitos, Kia Joorabchian depõe na Polícia Federal em 14 de Fevereiro de 2005. As investigações avançam, e nove dias depois (23/2/2005), o procurador Roberto Porto, do Ministério Público de São Paulo, descobriu que a MSI enviou US$ 2 milhões ao clube e o remetente seria uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, a Devetia Limited. Só que o remetente constou como pessoa física, um indivíduo da Georgia, Estados Unidos.

Em 15 de Abril de 2005, o relatório final das investigações feitas pelo Ministério Público aponta crime de lavagem de dinheiro da MSI na parceria com o Corinthians. O caso foi encaminhado para o Ministério Público Federal, que tem competência para apurar o suposto delito e denunciar os investigados à Justiça Federal

Em depoimento ao delegado Protógenes Queiroz, na Polícia Federal, no dia 18 de Outubro de 2006, o então presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e seu vice, Nesi Curi, confirmam que o iraniano Kia Joorabchian estava fora do comando da MSI e que os três investidores da parceira com o clube eram o russo Boris Berezovski, o georgiano Badri Patarkatsishvilli e o israelense Pini Zahavi. O depoimento de Dualib e Curi na Polícia Federal durou mais de cinco horas.

No dia 13 de Julho de 2007, o juiz federal Fausto De Sanctis aceita denúncia do Ministério Público Federal. Alberto Dualib, Nesi Curi, Renato Duprat Filho, Paulo Angioni e Alexandre Ferri são indiciados por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Boris Berezovski, Kia Joorabchian e Nojan Bedroud têm pedido de prisão decretado.

Em agosto de 2009, o juiz Fausto Martin De Sanctis condena os empresários Boris Berezovsky e Kia Joorabchian ao pagamento de multa no valor de R$ 37,2 mil cada um porque seus advogados, Alberto Zacharias Toron e Roberto Podval, teriam praticado "litigância de má-fé". Os dois defensores haviam ingressado com exceção de suspeição do juiz, atribuindo a ele parcialidade e requerendo seu afastamento do caso MSI-Corinthians.

Só que cinco dias depois, no mesmo agosto de 2009, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), manda suspender os efeitos de sentença do juiz Fausto Martin De Sanctis, que condenou os empresários Boris Berezovsky e Kia Joorabchian ao pagamento de multa de R$ 37,2 mil cada um.

Ainda em agosto de 2009, o juiz Fausto De Sanctis afirma que não desobedeceu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao condenar os empresários Boris Berezovsky e Kia Joorabchian ao pagamento de multa por suposta litigância de má-fé da defesa, mas acabou afastado do MSI-Corinthians por ordem do Tribunal Regional Federal.

Operação Perestroika

A operação Perestroika da Polícia Federal revelou, através de escutas telefônicas, casos graves de corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro entre os dirigentes do Corinthians em sua parceira com a MSI.

O escândalo do Corinthians e a MSI colocou à mostra os efeitos do capitalismo no futebol brasileiro. Apesar da CPI em 2001, a corrupção continuou solta nos campos do futebol e este foi apenas mais um caso envolvendo um dos maiores clubes brasileiros e investidores estrangeiros.

A imprensa divulgou que a operação Perestroika da Polícia Federal realizada em 2007 revelou, através de escutas telefônicas, casos graves de corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro entre os dirigentes do segundo clube mais populares do Brasil, o Corinthians, e a parceira do clube, a Media Sports Investment (MSI).

A lavagem de dinheiro vinha do pagamento de salários de jogadores em contas no exterior, além do fechamento de negócios com empresas prestadoras de serviços fantasmas incluídas no esquema as viagens do presidente do clube, Alberto Dualib, à sede da MSI, em Londres.

A viagem de negócios e reunião com os sócios ocultos da parceria corinthiana era na verdade para trazer recursos de origem duvidosa para o clube. Gastos de viagem contabilizam até R$ 600 milhões retirados dos cofres do clube durante a administração do ex-presidente Alberto Dualib. São mais de 400 recibos que não passaram pela contabilidade oficial, segundo noticiou na época a Imprensa Brasileira.

A operação também revelou que o verdadeiro dono da MSI é o magnata russo Boris Berezovsky, acusado de lavagem de dinheiro público e de assassinato na Rússia. Sua fortuna é estimada em cerca de US$ 10 bilhões. E para fugir das autoridades russas, mudou-se para Londres.

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