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Filhos de presos de alta periculosidade ganham bolas costuradas pelos próprios pais

02.07.2008
 
Filhos de presos de alta periculosidade ganham bolas costuradas pelos próprios pais

Esporte como questão humanitária. Famílias de presidiários de alta periculosidade, completamente alheias à vida do crime onde embarcaram seus pais, tiveram uma grande surpresa esta semana. Os 10 primeiros exemplares de bolas de futebol de salão costuradas pelos detentos da penitenciaria federal de segurança máxima de Catantuvas (PR) foram doadas aos filhos dos próprios presos, pelo Ministério do Esporte.


As bolas de futsal foram entregues às famílias dos detentos via Correios. Elas foram confeccionadas por meio do Pintando a Liberdade, programa do Ministério do Esporte que consiste na confecção de material esportivo envolvendo a mão-de-obra de detentos. A ação ocupa o tempo ocioso do preso e o ensina uma profissão. Este, por sua vez, recebe por produção e tem um dia abatido na pena a cada três dias trabalhados.


Cada familiar de detento presenteado recebeu ainda um boné, uma camiseta e uma sacola pequena produzidas por presos de penitenciárias estaduais do Brasil. O presente também acompanha um conjunto de xadrez e um jogo de damas, produzidos por uma fábrica do Programa Pintando a Cidadania, em Conceição do Jacuípe (BA). Vertente do Pintando a Liberdade, o Pintando a Cidadania promove a geração de emprego e renda às famílias em comunidades reconhecidamente carentes com a produção de material esportivo.


Para o secretário Executvo do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, esta é uma brilhante contribuição do esporte social desenvolvido pelo Ministério do Esporte, no combate a ociosidade dentro das penitenciáias brasileiras. “As bolas presenteadas às famílias dos detentos de Catanduvas são mostras das tarefas desempenhadas pelo Ministério do Esporte que distribui material esportivo no Brasil, inclusive nas regiões mais longínquas e de difícil acesso”, informa Ribeiro.


Detentos como o ex-chefe do Comando Vermelho, facção do tráfico no Complexo Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, Marcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho”, participam do programa. “Aprendi a fazer alguma coisa diferente na vida, já fiz duas bolas”, declarou o presidiário, em correspondência enviada ao gerente nacional do Pintando a Liberdade, Gerêncio de Bem, no último dia 28 de maio.


Ao elogiar o Pintando a Liberdade, Marcinho faz uma reflexão de sua vida e admite que o crime não compensa. Lembra de quando era criança um bom exemplo. Conta que estudou até a 5ª série (ensino fudamental) e que vendeu balinhas no trem, picolé na praia, limão na feira, foi verdureiro, camelô, jornaleiro e estivador em mercado. “Eu era um bom menino até abraçar este mundo podre como profissão. Um falso mundo utópico que não me levou a lugar algum e que só nos trouxe dor e aflição”, desabafa.


Quarenta dos 160 internos da penitenciaria de Catanduvas trabalham no Pintando a Liberdade. A escolha dos beneficiados foi feita pela direção do presidio. Por medida de segurança, o trabalho envolve apenas a costura manual de bolas e se soma as atividades ressocialização de 12,7 mil presos no Brasil que produzem um total de 1,8 milhão de itens esportivos por ano dentro de presídios estaduais.


Atualmente existem 90 fábricas implantadas em 68 presídios estaduais e do Distrito Federal. Todo o material é distribuido aos programas sociais do próprio ministério e em escolas da rede pública do país, beneficiando cerca de 6 milhões de estudantes.


Presídios de segurança máxima


O segundo presídio federal de segurança máxima é a penitenciaria de Campo Grande (MS). A unidade funciona desde março deste ano e atualmente trabalham cerca de 30 presidiarios na costura de bolas. A expectativa é que os presídios federais de Porto Velho (RO) e Mossoró (RN) sejam os próximos a sediar uma unidade de produção do Pintando a Liberdade.


Liberdade conquistada


São muitos os exemplos positivos do programa Pintando a Liberdade. Um deles é o do ex-presidiário e hoje instrutor do programa João Alves da Silva. Condenado a 246 anos por assaltos a bancos e outras modalidades do crime ele teve sua pena abatida graças ao trabalho de produção de material esportivo em penitenciária do Paraná.


Atualmente, Silva está em liberdade e atuou na implantação do Programa Pintando a Liberdade em Angola, junto a 400 detentos no Presídio de Viana, que fica a 42 quilômetros da capital Luanda. Através do convênio internacional, 8 mil bolas foram produzidas no país africano e distribuídas em escolas e para a comunidade.


Carla Belizária/Ministério do Esporte


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