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A queda do pequeno trovoada

27.05.2008
 
A queda do pequeno trovoada

São Tomé 27 de Mai (Pravda.ru) - A Assembleia Nacional São-tomense (Parlamento) iniciou terça-feira dia (20 de Maio), os debates sobre a moção de censura contra o Governo de Patrice Trovoada, introduzida pelo principal partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social-democrata (MLSTP/PSD).

O debate, que terminou com a votação da moção de censura que conduziu à queda do Governo com 30 votos a favor 23 contra e duas abstenções, o que pode levar o país a eleições legislativas antecipadas.

O MLSTP/PSD, que possui 20 dos 55 assentos do Parlamento, revelou, que a Acção Democrática Independente (ADI), um dos três partidos que integra a coligação no poder, violou o acordo de incidência parlamentar assinado entre as duas formações políticas para entrar no Governo.

Sem revelar a data de assinatura do suposto acordo ou o prazo de duração deste, o chefe da bancada parlamentar do MLSTP/PSD, Jorge Amado, disse que o seu partido se sente "traído" pelo actual primeiro-ministro, Patrice Trovoada, líder da ADI.

Entretanto, o Partido da Convergência Democrática (PCD), que com a ADI governa as ilhas desde Fevereiro passado fruto dum acordo tripartido que inclui também o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) do Presidente da República, Fradique de Menezes, reagiu a estas acusações.

Sebastião Santos, uma das vozes mais respeitadas do PCD, afirmou que o seu partido também sentia-se traído, uma vez que a ADI supostamente estava a jogar em duas ligas ao ser "simultaneamente poder e oposição".

Santos revelou que já tinham ouvido falar do alegado acordo MLSTP/PSD-ADI, pelo que, antes da assinatura em Fevereiro último de um memorando de incidência parlamentar entre o MDFM/PCD, perguntou a Patrice Trovoada se tinha rompido com o pacto anterior.

"O senhor Patrice Trovoada tinha-nos confirmado não haver qualquer acordo, mas se afinal havia, então também sentimo-nos enganados", disse Santos, adiantando que a bancada do PCD, está apenas à espera de um sinal do seu presidente, Albertino Bragança, para votar a favor da moção de censura apresentada pelo MLSTP/PSD contra o Governo.

O MLSTP/PSD, único partido da oposição com assentos no Parlamento, acusou ainda Trovoada de celebrar negócios obscuros na calada da noite, com negociantes oriundos da Líbia.

Esta acusação sustentou uma igual feita há algum tempo pelo secretário-geral do PCD, Delfim Neves, que acusara Trovoada de traficar armas e drogas.

O filho do ex-Presidente são-tomense Miguel Trovoada (1991-2001), que está a testa do Governo há apenas 3 meses, agora de gestão, apressou-se a responder às acusações e garantiu que as pessoas que só são vistas a entrar em sua casa de noite são apenas amigos.

"São amigos meus que me vêem visitar, eu ofereço cama e comida mas não ofereço roupa, por isso é que são vistas a se fazer acompanhar de malas, só isso" garantiu o chefe do governo para depois alfinetar o MLSTP/PSD.

"Na última semana, aquando da aprovação do Orçamento Geral do Estado para 2008, o MLSTP disse que apenas o viabilizou por causa da difícil situação de vida da população, mas logo a seguir apresentou uma moção de censura, por isso não vejo em como o partido está a pensar no bem estar do povo" disse Trovoada, que afirmou ter rompido o acordo com o MLSTP/PSD, antes de a ADI ter entrado no Governo.

Enquanto decorreu o debate parlamentar, dezenas de manifestantes pró- Governo concentraram-se fora da Assembleia Nacional com música e palavras de ordem ofensivas dirigidas aos parlamentares.

Por isso, o maior adversário de Patrice Trovoada, o deputado Delfim Neves, tomou a palavra para dizer que o que está a acontecer na rua, iria complicar a vida do Executivo e conduzir à sua queda, o que conduziu, pelo que o primeiro-ministro se apressou a dizer que já deu ordens para que os manifestantes dispersem.

 

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