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A Revolução dos Cravos

24.04.2006
 
A Revolução dos Cravos

Há 32 anos, Portugal lançou-se na senda da democratização da sociedade e portanto atingiu o desenvolvimento social da era moderna. Foi no dia 24 e não no 25 que iniciou-se a Revolução dos Cravos em Portugal

O 25 de Abril não começou propriamente no dia 25 e o movimento revolucionário há muito fora planeado. Nem se pode dizer que a revolução por si foi lançado no dia 25, porque faltaram ainda cinco minutos para as onze ainda no dia 24 quando as Emissores Associados de Lisboa tocaram “E depois do Adeus” de Paulo de Carvalho.

Muito foi escrito sobre o que se passou e para resumir tudo num breve sinópsis, basta dizer que os objectivos do 25 de Abril – Paz e o fim da guerra colonial e a Democratização da sociedade portuguesa, foram conseguidos em pleno. Foi um sucesso total, uma vitória esmagadora.

Basta dizer que antes do 25 de Abril, as mulheres precisavam da autorização do marido para se ausentarem do país, precisavam duma diploma especial para terem um isqueiro, as pessoas não podiam discutir a política livremente, houve casos de tortura, de prisão ilegal, de assassínio, por motivos políticos. Numa palavra, inaceitável.

Nem tudo era mau no antigo regime, sem qualquer dúvida. Houve preços baixos, subsidiados, e quase emprego pleno. O sistema de educação, por exemplo, funcionava bem até um certo nível mas também não se pode afirmar que a educação era acessível a todos. Não era. Quantas crianças na província queriam estudar além da quarta classe e não podiam porque não tinham dinheiro para ir à vila mais próxima? Quantas crianças repetiam a terceira classe propositadamente para atrasar por mais um ano ou dois a ida para o campo cavar ou a serem enviados a Lisboa servir?

A realidade era esta. Quem tinha algum, tinha tudo e quem não tinha, era relegado a uma vida difícil, em Portugal, ou a privações, como emigrante. Antes de prosseguir, há que resistir à tentação de pintar a história com cores que não lhe pertence, afirmando que as ruas eram mais seguras e por aí fora. Eram sim em todo o mundo mas não tinha a ver só com os regimes políticos.

Hoje, passados 32 anos, os portugueses acordam de manhã livres. Podem associar-se ou não a um partido político. Podem criticar ou não o Presidente por andar vestido de militar com um crachá ao peito, podem associar-se ao Partido Comunista se quiserem. Têm livre acesso a uma educação global embora ainda haja muito por fazer neste campo.

E sabem que foi tudo conseguido sem derramar sangue. À boa maneira portuguesa, a Revolução de 25 de Abril foi conseguida com cravos nos canos das armas, e não balas, daí o nome Revolução dos Cravos.

As ondas de choque reverberaram pelo planeta fora, e as províncias africanas se tornaram livres, com sobressaltos aproveitados por potências estrangeiras mas passados 32 anos, a Lusofonia é uma realidade e o coração que é esta cultura abraça, alberga e acaricia as crianças desde a América Latina, passando pela Europa e África e terminando no extremo Oriente, para não falar das comunidades de emigrantes.

O cravo tem cor de coração, de paixão, de amor, representando a esperança baseada no bem e acreditando no bem para todos. Seria uma grande pena deitar tudo isso fora por falta de interesse e seria bom as futuras gerações lembrarem que para ser uma pessoa interessante, há que ser interessado e saber bem as raízes da história recente e tão importante passa por ser uma obrigação.

Por isso não vamos deixar morrer o sonho do 25 de Abril porque os sucessos que ele trouxe foram apenas o primeiro passo na senda de glória em que pretendia lançar Portugal e o mundo lusófono. Vamos sim celebrar o muito que nos foi legado pelos heróis do 25 de Abril e vamos construir sobre as muitas pedras de toque que eles nos deixaram.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Director e Chefe de Redacção

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