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Centenário de Vasco de Carvalho - destacado resistente antifascista

23.06.2009
 
Centenário de Vasco de Carvalho - destacado resistente antifascista

Colóquio com São José Almeida (jornalista), José Hipólito dos Santos, Eugénio Mota e Isabel Rebelo (antigos companheiros de Vasco de Carvalho) e Luís Carvalho (investigador e organizador) Quinta-feira, 25 de Junho de 2009 18h30 Biblioteca Museu República e Resistência (Espaço Cidade Universitária)

Natural de Alcântara, Lisboa, filho e neto de revolucionários republicanos, Vasco de Carvalho foi obrigado a passar à clandestinidade em 1934, por ter denunciado o assassinato pela polícia do operário Manuel Vieira Tomé, da Marinha Grande.

Assumiu a liderança da Secção Portuguesa do Socorro Vermelho Internacional, entre 1936 e 1939, e depois do Partido Comunista Português, entre 1940 e 1942, até ser capturado pela PIDE. Esteve preso no Aljube, em Caxias e em Peniche.

Continuando a lutar contra a ditadura, apoiou as candidaturas de Norton de Matos e Humberto Delgado, esteve na direcção do Boletim Cooperativista, fundado por António Sérgio, e foi presidente do Ateneu Cooperativo/Fraternidade Operária de Lisboa, que seria encerrado pela PIDE em 1972.

Foi um dos autores do livro dirigido por António Sérgio, O Cooperativismo: Objectivos e Modalidades.

Depois do 25 de Abril de 1974 foi presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses.

Vasco de Carvalho destacou-se igualmente a nível profissional, como engenheiro electrotécnico. Participou na criação do Instituto de Soldadura e Qualidade, foi dirigente da Associação Portuguesa de Manutenção Industrial e docente na Universidade Nova de Lisboa.

Quando estava preso em Peniche, Vasco de Carvalho foi expulso do PCP, sob a falsa acusação de ser um provocador ao serviço da PIDE. Esta calúnia perseguiu-o o resto da vida e só muito tardiamente foi reconhecida como erro grave.

Vasco de Carvalho faleceu aos 97 anos de idade fiel às suas convicções, assumindo-se até ao fim como um marxista-leninista anti-estalinista.

Nota editorial: Tive a honra de conhecer Vasco de Carvalho

Tive a honra de conhecer Vasco de Carvalho e ser recebido por ele várias vezes na sua casa. Só tenho pena de que foi nos últimos anos da sua vida, pois conheci uma pessoa feliz com as suas convicções, seguro de si, interessado em tudo que se passava na sociedade em Portugal e no Mundo, hospitaleiro, gentil e acima de tudo, preocupado com o futuro e o legado que nós vamos deixar para os que vêm a seguir.

Em fim, uma pessoa com aquelas qualidades humanas que nos fazem sentir a falta quando já não está connosco.

Mas Vasco de Carvalho está e estará sempre connosco, porque enquanto houver uma causa para defender, enquanto houver injustiça e injustiçados, haverá uma luz a iluminar o caminho para os que seguem nos seus passos: a memória dele.

Conheci Vasco de Carvalho quando ele tinha noventa e cinco anos de idade, na ocasião de uma iniciativa de Luís Carvalho e PRAVDA.Ru, quando veio falar em Lisboa Houzan Mahmoud, activista iraquiana, defensora dos direitos das mulheres no Iraque. Com quase cem anos de idade, Vasco de Carvalho estava empenhado em manter-se informado com tudo que acontecia e passou duas horas a fazer perguntas a Houzan sobre a situação no seu país, expressando profunda preocupação acerca da deplorável condição em que vivia grande parte da população depois da invasão liderada pelos Estados Unidos da América que destruiu o país e as suas instituições.

Depois nas outras vezes que estive reunido com ele num ambiente acolhedor e familiar no seu lar, passámos longas horas a conversar sobre os desenvolvimentos internacionais. Tocou-me sua procura de novidades e o zelo por tentar entender o que está por trás do acontecimento, além do seu interesse no estado da sociedade que colectivamente estamos criando para a posterioridade.

Este espírito, essa sede pela informação, acompanhado por uma extrema humildade e gentileza é o que nos faz reconhecer que não estamos sentados perante uma pessoa qualquer. Vasco de Carvalho foi de facto um grande homem.

Lutou pela justiça e por aquilo em que acreditava sempre numa abordagem de procurar o bem de tod@s. Mesmo injustiçado pelos seus camaradas num momento difícil da sua vida, manteve-se fiel às suas convicções de que o marxismo-leninismo é deveras o padrão a implementar para garantir uma sociedade justa, uma vida interessante, de mobilidade social e o bem dos seus cidadãos.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Director e Chefe de Redacção

Versão portuguesa

Fotos: Vasco de Carvalho e Timothy Bancroft-Hinchey


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