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Quo Vadis, Portugal?

16.11.2007
 
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Quo Vadis, Portugal?

De acordo com as cifras da União Europeia, emitidas esta semana, Portugal conseguiu um feito inédito: ser ultrapassado pela Estónia numa classificação que mede o poder de compra/PIB e descer para o 20º lugar na tabela dos 27 membros da Fortaleza Europa.


A noticia provocou uma chuva de críticas em Portugal contra as políticas do Primeiro Ministro José Sócrates, aclamando alguns que após dois anos, o Socratismo simplesmente não funciona, enquanto outros tentaram proferir explicações, esclarecendo que o subsidio de desemprego é demasiado alto para permitir uma retoma económica. Foi o caso de Vítor Constâncio do Banco de Portugal.


Dois bons exemplos da ignorância que camufla o mal que reside em Portugal. No primeiro caso, qualquer pessoa sabe que o ciclo político de quatro anos nem chega para fazer nada, quanto mais dois. O que o Primeiro Ministro Sócrates anda a fazer terá de ser medido daqui a sete anos para tirar conclusões a longo prazo, embora é claro que deve haver uma maneira mais humana de chegar à Convergência Social. No segundo caso, Vítor Constâncio (economista brilhante) pode ter razão, no papel, e frisamos aqui que não é uma pessoa ignorante, mas sim que ignora a realidade. E é aí que existe o cerne da questão - quantos dirigentes em Portugal sabem e sentem a realidade vivida pelo cidadão comum? Será que o Dr. Vítor Constâncio entende como é ser desempregado?


O desemprego neste momento é um drama, um pesadelo e um resultado directo das politicas, ou falta delas, dos governos PSD/PP ao longo dos últimos 33 anos, se podemos tomar a Revolução como ponto de partida. Para aqueles que não sabem como é, o recém desempregado fica de um momento para outro a receber pouco acima de metade do vencimento, sem que o sistema tenha qualquer pena dele/a relativamente a aquilo que lhe é exigido.


Depois é chamado para uma reunião no Centro de Desemprego, onde lhe dizem que tem de aceitar o primeiro emprego, seja qual for (sem isso ser um requisito legal). Mas quais são os empregos em oferta neste Portugal da geração dos 500 Euros? Call centres, que pagam o salário mínimo e que não dão garantias nenhumas, só uma vaga promessa de firmar um contrato depois de um período de experiência, talvez. Assim, o desempregado fica com um pseudo emprego em que vai receber menos ainda do que recebia do fundo de desemprego, vai ter de suportar os custos de transportação e alimentação para provavelmente três meses depois se encontrar novamente desempregado, desta vez sem direito ao subsidio.

Pedem sacrifícios há décadas


Vivo em Portugal há 27 anos e há 27 anos ouço os Governos a pedirem sacrifícios aos portugueses e cidadãos estrangeiros a residirem em Portugal, desde o PS do Mário Soares (apertem o cinto), a Década Dourada do PSD, do então Primeiro Ministro Aníbal Silva (em que jorraram pelo pais dentro biliões de Euros), ao Governo de PS de António Guterres (que tinha um fraco por abrir institutos e gastar dinheiro) ao PSD de José Barroso (aquele do discurso e políticas de tanga, que fechou o IPE, um dos únicos braços empresariais com peso fora do país porque entendeu que estava cheio de Socialistas), do Pedro Lopes nem se fala porque mal tinha tempo para aquecer o lugar, e continuam hoje, sob o Governo PS de José Sócrates, a pagar uma altíssima factura, espelhado no relatório da União Europeia.

Até quando?

Uma coisa é pedir sacrifícios de curto e médio prazo e os cidadãos verem algo em troca. Outra coisa é exigir que a classe média se sacrifique, enquanto a classe alta enche os bolsos. Até quando?


A resposta será até sempre, enquanto os males fundamentais não serem tratados. E quais são estes males? Principalmente, foi instaurado nos portugueses pelo antigo regime um conformismo com o inaceitável - dificultar quanto baste qualquer iniciativa - e as pessoas, se tiverem praia para jogar a bola e vinho barato, encolham os ombros, dizem 'é assim em todo o lado e quem não está bem, que se mude'. Sistema 1 – Povo 0.


Segundo, quem tenta fazer algo é ridicularizado - se as Finanças caírem por cima de uma empresa por não pagar os impostos, é porque são rigorosos demais. Porém quem não deve ao Fisco, não deve temer o Ministério das Finanças, que apenas faz aquilo que foi criado para fazer. Fugir ao Fisco em Portugal parece ser um joguinho entre os que têm mais dinheiro para pagar, mas quem fica apanhado na rede é geralmente o coitadinho que nem sabia o que fazia, ou então que foi enganado pelo contabilista, que também não sabia o que fazia.


Inúteis são aquelas tentativas de desculpar a situação, dizendo que o país é pequeno (e o Luxemburgo, no topo da mesma classificação da UE?) que não tem recursos (e as praias, o sol e os milhões de quilómetros quadrados de mar? Quantos outros países já teriam projectos de energias alternativas a funcionar já há tempos) que os recursos agrículos são pobres (e o Israel, que fez do deserto uma oásis?) ou que os portugueses não sabem trabalhar (mais que um quarto da população do Luxemburgo são portugueses, povo que tem fama de ser uma grande mais-valia para qualquer empresa no resto da Europa precisamente porque é trabalhador e não causa distúrbios sociais, nem se rebentam com explosivos em sistemas metropolitanos).

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