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David Aloni (RENAMO) sobre arrogância de Guebuza

04.09.2007
 
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- Não posso revelar, porque é muito chocante. Chegou, depois, uma ordem que mandava que fôssemos para a reeducação, uma vez que o governador não quis cumprir a primeira. Até hoje não recebi nenhum documento a dizer que “já fui reeducado, se já estou identificado com o povo”. “E para eu me identificar com o povo, tinha que ser submetido a trabalhos forçados e violentos”. Tudo quanto disse atrás é, exactamente, para afirmar que eu defendi sempre a democracia pluralista; nunca aceitei o monopar-tidarismo, embora numa determinada fase tivesse defendido só a existência de dois partidos em * +qualquer pais africano ou uma outra hipótese que eu me colocava, era um partido único, sim, mas de cariz, efectivamente, democrático. Por quenão se aceitou que os moçam-bicanos se congregassem em partidos, em Moçam-bique? Tivemos e continua-mos a viver um regime de terror. Este regime terrorista está disfarçado de democracia. Não é por acaso que os partidos políticos da oposição são hostilizados, amordaçados e perseguidos. A governa-ção de Guebuza está a levar o País para o abismo. Tudo está claro que este regime de Guebuza está a voltar ao monopartidarismo, pois, o meu presidente Dhlakama já chamou a atenção.

O Presidente Armando Guebuza, durante as celebrações dos 45 anos da Frelimo disse que não há razões para se voltar ao monopartidarismo...

Isso é conversa fiada. É uma afirmação para enganar o outro, pois eles estão a conduzir o País para uma situação a que chamo altamente perigosa. Tudo indica que pode rebentar uma convulsão social e política de consequências imprevisíveis. Numa das intervenções desse mufana, Edson Macuácua, diz que a Frelimo “é o partido do povo para o povo”. O que é que ele está a dizer? Eles pensam que nós estamos a dormir? Pelo menos eu não estou. Falar de “partido do povo para o povo”, é o mesmo que dizer um partido de todo o povo moçambicano, um partido aglutinante, de que todos nós fazemos parte. E no substrato de um partido aglutinante, o que é que está lá é o monopartidarismo, totalitarismo. É preciso prestar muita atenção ao que dizem. Um parênteses: aqueles números da composição da Comissão Nacional de Eleições significam o processo de triunvirato; pois nota-se uma hegemonia de uma determinada região sobre outras, o que é perigoso. Devo dizer que com a situação que o País atravessa, de enormes dificuldades, há maior probabilidade de se incendiar um barril de pólvora que, a qualquer momento, poderá explodir. E a explodir, não sei quem vai aguentar os efeitos. Ilusoriamente, a comunidade internacional continua a dizer que Moçambique é um exemplo de reconciliação nacional. Onde está essa reconciliação nacional? É uma reconciliação fictícia e teórica. Esta não interessa, porque queremos uma efectiva. Se Guebuza continuar com a atitude arrogante, o País pode arder, sim! Se continuarem fechados, empurrando o diálogo para o lixo, o que não acontecia na governação de Joaquim Chissano, a situação vai ficar feia.

Qual é o papel da oposição perante este cenário que está a levantar?

- A oposição está a ter dificuldades em desempenhar o seu papel. Há quem diga que “a oposição está de férias”, o que não é verdade. A oposição está a ter dificuldades em desempenhar a sua função, pelo que essas dificuldades, hoje são mais salientes e altamente perigosas. Porque, quando faço referência ao antigo presidente Joaquim Chissano, não é por acaso: ele é o expoente máximo da diplomacia moçambicana, se não africana. Admiro-o bastante. Estou a distinguir Chissano de Guebuza, embora todos sejam do mesmo partido. Por que Chissano dialogava e Guebuza não? Segundo a nossa tradição, o diálogo é uma das vias indispensáveis para a busca de soluções. Hoje, o País está a enfrentar dificuldades de vária ordem, porque não se abre espaço para que a oposição contribua, também, com as suas ideias. Não é a Frelimo que vai construir o País, sozinha; cada moçambicano tem a sua parte. Pois, bem disse o actual Presidente da República que, “cada um, faça a sua parte”. Então, como vai fazer a sua parte se não lhe dá oportunidade? Logo, é conversa fiada. Veja como o sindicato do crime organizado tomou conta do Estado. Isto é vergonhoso! O sindicato do crime está a governar, porque não há autoridade. Como se pode combater o crime, enquanto as próprias forças ditas de defesa e segurança estão envolvidas nesses crimes? Quando não se entendem, baleiam-se. Tenho pena de José Pacheco, pois nem sabe o que está a dizer; Pacheco está feito um fanfarrão. Esse comandante geral descoberto nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique, que nem se quer patente tinha para exercer as funções de Comandante Geral da Polícia, é uma vergonha Nacional. Consultaram a Lagos Lidimo, Chefe do Estado Maior? Que compromissos é que há? Um general fabricado à última hora: isto é palhaçada demais! Os moçambicanos não merecem esta vergonha, merecem mais consideração, respeito e auto-estima, mas Guebuza fala de auto-estima, só que não a pratica. Ele é que se auto-estima; está a utilizar o povo para os interesses pessoais inconfessados. Até quando o povo vai ter que aturar isto?

Se se criasse uma oportunidade para que a oposição se sentasse à mesma mesa com o governo para, em conjunto encontrarem alguma solução dos problemas que levanta, quais seriam os pontos prioritários a debater?

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