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Dois paises europeus fazem "preservativos com o vírus" para Moçambique

01.10.2007
 
Dois paises europeus fazem "preservativos com o vírus" para Moçambique

O correspondente da BBC em Maputo, José Tembe, escreveu ontem ( 30) que o arcebispo de Maputo D. Francisco Chimoio declarou os preservativos enviados a Moçambique não serem seguros para prevenir a contaminação com o HIV", porque "dois países europeus" — que se recusou a identificar — fazem "preservativos com o vírus, de propósito".

 "Eles querem acabar com o povo africano. É esse o programa. Eles querem colonizar-nos. Se não tivermos cuidado, eles acabam connosco no prazo de um século", terá afirmado D. Francisco Chimoio ao correspondente da BBC.

Segundo a BBC, Marcella Mahanjane e Gabe Judas, dois activistas da luta contra a sida no país, ficaram chocados com as declarações de Francisco Chimoio.

"Os preservativos são uma das melhores formas de protecção contra a infecção", disse Gabe Judas, responsável pela companhia de teatro Tchivirika, que promove acções de prevenção e esclarecimento sobre o vírus da sida.

Segundo a notícia da BBC, para Francisco Chimoio a problemática da sida em Moçambique exige uma mudança rápida de mentalidades: "Significa casamento, maridos fiéis às suas mulheres... jovens que se abstêm de ter relações sexuais".

Liga Portuguesa contra a Sida condena declarações
Para a Liga Portuguesa contra a Sida, é difícil acreditar na questão levantada por Francisco Chimoio. "Os números da sida estão a aumentar em África, mas temos dúvidas de que esta questão possa ser posta por alguém que, sendo católico, devia ter uma mensagem de esperança", disse ao PUBLICO.PT Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida.

A responsável frisou que desconhece o contexto das declarações da Francisco Chimoio, mas considera que a mensagem não é "nem positiva nem de prevenção, mas uma mensagem que assusta".

"Tem consequências para os que estão infectados e para os afectados — aqueles que têm relações com quem está infectado", disse Maria Eugénia Saraiva.
"Mensagens como esta são uma barreira. A liga não diz 'têm de usar preservativo', diz que o preservativo é a forma de prevenção, em termos contraceptivos, mais benéfica. Podemos não fazer sexo, mas isso é um fundamentalismo e os fundamentalismos não ajudam a prevenção", acrescentou.Mais de 16 por cento da população moçambicana está infectada com o vírus do HIV, um país que regista 500 novos casos por dia.

A Liga Portuguesa contra a Sida desenvolve várias parcerias em Moçambique e noutros países africanos de língua oficial portuguesa, com centros de luta de apoio a infectados com o HIV e cursos de formação.


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