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Brasil: Controlo do espaço aéreo é seguro

30.06.2007
 
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Brasil: Controlo do espaço aéreo é seguro

O atual Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Juniti Saito, de 63 anos, afirma que o sistema de controle do espaço aéreo brasileiro é seguro e confiável. Em entrevista ao Em Questão, o comandante da Aeronáutica fala sobre as medidas tomadas em relação à crise que tomou o setor nos últimos meses.


Em Questão - Quais são os problemas relacionados à crise no setor aéreo que há meses preocupa o País?


Juniti Saito - Logo após o acidente, os controladores de tráfego aéreo que estavam trabalhando no turno em que ocorreu o acidente com o vôo 1907 foram afastados para avaliação médica e psicológica, conforme preconiza a legislação referente ao assunto. Além disso, outros controladores também deixaram de trabalhar por questões psicológicas. Houve, portanto, falta de efetivo para continuar efetuando o controle de tráfego aéreo dentro da normalidade. Esses militares, cerca de 30, desfalcaram as equipes e, para manter os níveis de segurança de vôo, houve necessidade de se realizar o controle de fluxo, aumentando os espaçamentos, o que provocou atrasos. Então, em um primeiro momento, houve falta de pessoal. Depois, tivemos problemas em equipamentos, ocasionados por quedas de raios, falha de o peração e panes. Esses fatores, associados aos problemas de uma empresa aérea comercial no fim do ano passado e, principalmente, com a restrição de uso de uma pista em Congonhas, foram determinantes para a crise que se instalou.


EQ - Hoje existem riscos iminentes nos céus do Brasil para a aviação civil? No quesito segurança, estamos entre os melhores do mundo?


Saito - Não existem riscos para a aviação nos céus do Brasil. O Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro é seguro e confiável. Evidentemente, como qualquer sistema, ele está sujeito a alterações que possibilitem uma ampliação dessa margem de segurança e confiabilidade. O Comando da Aeronáutica está atento a todas essas possibilidades e as analisa quanto à viabilidade técnica e operacional de suas implantações. Nos últimos 18 anos, enquanto a frota de aeronaves civis brasileiras cresceu 49% (de 7.494 para 11.182), o número de acidentes caiu 82% (de 118 casos/ano em 1990 para 34 casos/ano em 2006). O Brasil é membro do grupo de elite da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), desde a sua criação.

EQ - Recentemente, o senhor afastou 14 controladores de vôo e decretou uma série de medidas para resolver os problemas no setor, sobretudo na área do Cindacta 1, em Brasília. Por que os controladores tiveram de ser afastados?


Saito - Um pequeno grupo de sargentos controladores de tráfego aéreo do Cindacta I passou a recusar o trabalho em equipamentos disponibilizados para a atividade de controle, mesmo com parecer favorável da área técnica. Isso aconteceu sempre em horários de pico no tráfego aéreo, o que resultou na redução do número de aviões controlados por eles e provocando muitos atrasos. Assim, determinei o afastamento imediato dessas lideranças negativas, que, além de tudo, prejudicavam a instrução dos controladores mais novatos, uma vez que alguns deles ocupavam função de instrutor.


EQ - Quais são as outras medidas que deverão ser adotadas?


Saito -Uma série de providências, construídas nos últimos seis meses, foi implementada a partir do dia 22 para a retomada da normalidade no fluxo de tráfego aéreo. Foram deslocados para Brasília controladores de tráfego aéreo devidamente preparados de outros órgãos operacionais. Outra medida bastante satisfatória foi a implantação de corredores aéreos especiais, chamados de tubulões, nos quais as aeronaves voam em um espaço aéreo exclusivo, restrito, com freqüências de comunicações reservadas. Até o final de semana, 15 oficiais controladores de tráfego aéreo, formados pelo Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), em São José dos Campos (SP), estarão no Cindacta I para atuarem como supervisores de setores de controle, função hoje exercida pelos sargentos mais experientes.


Além disso, foram colocados em prontidão quatro esquadrões do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle e temos ainda a possibilidade de ativar um posto militar de controle de tráfego aéreo no Espírito Santo, em caso de necessidade.


EQ - Denúncias feitas por controladores de vôo afirmam que equipamentos como os monitores (consoles) que utilizam para acompanhar o tráfego aéreo estariam obsoletos. Até que ponto esta informação deve ser considerada?


Saito - Os sistemas e equipamentos empregados no controle do espaço aéreo brasileiro atendem plenamente aos quesitos de segurança e eficiência, permitindo que nosso espaço aéreo figure entre os melhores do mundo. O Brasil possui atualmente cerca de 6.000 equipamentos de controle de tráfego aéreo, navegação e de comunicações. Nos níveis da aviação comercial, todo o espaço aéreo é coberto por radares e por comunicações.

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