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Participação das mulheres fortalece e multiplica os Sistemas Agroflorestais

28.12.2012
 
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Mulheres tornam-se protagonistas das agroflorestas, melhorando as condições de vida de suas famílias e ampliando sua participação nos espaços de produção, comercialização e incidência política.

Não é de hoje que a participação ativa das mulheres nos Sistemas Agroflorestais (SAFs) apoiados pela Cooperafloresta - Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo/SP e Adrianópolis/PR tem colaborado para o sucesso do trabalho. Em todos os municípios onde atua, a liderança feminina tem sido exercida. O Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, vem apoiando a Associação no trabalho junto às mulheres agricultoras, quilombolas e assentadas.

A iniciativa mobiliza centenas de mulheres, que atuam desde o manejo sustentável dos recursos naturais nas agroflorestas, à realização dos mutirões, até a contabilidade e organização da comercialização coletiva dos alimentos. O resultado é decorrente de um processo continuado de organização, formação e assessoria técnica para o desenvolvimento das agroflorestas, certificação participativa e comercialização coletiva.

Entre os benefícios gerados pela inserção das mulheres na prática agroflorestal está o acesso à renda própria, o que vem contribuindo para o avanço da sua emancipação econômica, o que lhes fortalece e empodera para o enfrentamento da violência contra as mulheres, bem como para ampliar sua participação junto aos espaços políticos de intervenção social.

"Este comprometimento das mulheres das famílias agricultoras das agroflorestas articula a transformação das relações sociais de classe com a mudança nas relações com a natureza e a construção de novas relações sociais de gênero. Isso se expressa em símbolos dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) que apoiamos. Ao mesmo tempo, contribui tanto com a transformação da realidade social, quanto das próprias mulheres inseridas nos SAFs apoiados pela Cooperafloresta e pelo projeto Agroflorestar", lembra NelsonCorreia Neto, engenheiro agrônomo, técnico da Cooperafloresta.

A realidade no cotidiano

Leni Rodrigues de Sena Pamplona, 44 anos, integrante do Grupo Agroflorestal Gralha Azul /MST, localizado no Litoral do Paraná, relata a sua experiência. "Tem que ter uma mulher pra por ordem", conta ela, que recebe duas vezes por semana toda a mercadoria das famílias agricultoras, marca toda a coleta com os respectivos nomes, envia para os locais onde serão comercializados. "Depois das feiras, conto tudo o que sobrou, realizo o pagamento e fecho o caixa".

"É preciso ser muito organizada e também divulgar os benefícios que o Sistema Agroflorestal está trazendo para todos nós. Aqui, já tentaram de tudo, mas a única coisa que deu certo foi trabalhar de forma organizada com as agroflorestas. Aqui não falta mais comida na mesa das famílias e muitas mulheres estão envolvidas nos trabalhos, seja no campo, nos mutirões, quando falamos da experiência de cada um e multiplicamos nossos conhecimentos".

"Nestas horas, as mulheres engrandecem o trabalho dos homens, que não trabalham mais sozinhas. Contam com nosso apoio. Eu vejo isso todos os dias por aqui. A produção mais do que dobra, pois antes a maioria dos homens, além de ter de trabalhar em outras atividades, não contava com o apoio da mulher. Me sinto valorizada, respeitada e tenho orgulho do que faço", completa Leni.

A voz das mulheres

A agricultora agroflorestal Olga Maria de Figueiredo diz que o que mais gosta, além de junto com seu marido produzir os alimentos no seu lote, é colaborar para que as demais pessoas que não conhecem como funciona as agroflorestas sigam o exemplo. "Nas reuniões do grupo gosto de falar que hoje mandamos 15 variedades de alimentos para a Feira. Assim, mostramos como as mulheres podem produzir alimentos e contribuir para garantir a subsistência da família", conta Olga, que também faz parte do Grupo Agroflorestal Gralha Azul /MST.

Em Barra do Turvo não é diferente. Lá, onde fica a sede da Cooperafloresta, desde 2003 os SAFs vem mudando, dia a dia o cotidiano das mulheres. Dolíria Rodrigues, do Quilombo Terra Seca e Ribeirão Grande, multiplica seus conhecimentos e experiências com mutirões formados só por mulheres. "A gente aprendeu a plantar e preparar muita coisa. Tantas refeições que não cabem numa só mesa. Este conhecimento não pode ficar só para nós. Temos de valorizar e mostrar para outras mulheres o quanto é possível fazer com os Sistemas Agroflorestais", conta satisfeita.

"Hoje, queremos continuar no campo, produzindo alimentos, preservando a vida, as espécies e a natureza, desenvolvendo experiências: da agroecologia, da preservação da biodiversidade, do uso das plantas medicinais, da recuperação das sementes como patrimônio dos povos a serviço da humanidade, da alimentação saudável como soberania das nações, da diversificação da produção, da valorização do trabalho das mulheres das agroflorestas", completa Dolíria.

Sobre o Agroflorestar

O Projeto Agloflorestar adota a ferramenta de cultivo e produção agrícola sustentável, já que não permite monoculturas, pesticidas, transgenia e garante o trabalho sustentável dos produtores rurais agroflorestais. Consiste na elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que mantenham a diversidade, a resistência, e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente.

Sobre a Cooperafloresta

A Cooperafloresta, fundada em 2003, atua diretamente com 110 famílias agricultoras e Quilombolas. Promove o fortalecimento da agricultura familiar assessorando os processos de organização, formação e capacitação das famílias agricultoras, planejamento dos sistemas agroflorestais, além do beneficiamento, agroindustrialização, certificação participativa e comercialização da produção.

Josi Basso

 


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