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O retrato de um medíocre

28.03.2018
 
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O retrato de um medíocre

"Medíocre - adjetivo - mediano, sem relevo, comum, ordinário, médio, meão. Ex: Político medíocre. Fonte: Dicionário Novo Aurélio / Século XXI - Editora Nova Fronteira".

Depois do que afirmou  no espaço político de Rosane Oliveira, no jornal Zero Hora, o ex-Vereador de Caxias do Sul, ex-Deputado Estadual do Rio Grande do Sul ; ex-Governador do Estado; ex-Senador da República e ex-Ministro de Estado,  o detentor de todos esses cargos citados ,o senhor Pedro Simon, deu hoje mais uma prova de que é e sempre foi um político medíocre.

O que ele disse: "O País vai explodir se o Supremo mudar o próprio entendimento e impedir a prisão de Lula e de outros condenados. Será o fim da Lava-Jato e a população vai se revoltar".

Eleito vereador em 1958 e depois deputado estadual pelo PTB, em 1962, Simon pouco se destacou num partido dominado pela figura histórica de Leonel Brizola.

Naqueles anos, entre a Legalidade e o golpe de 64, quando o partido guiado por Brizola, radicalizou suas posições políticas e se encaminhava decididamente para a esquerda, Simon assumiu uma posição moderada, o que lhe permitiu sobreviver, quando os militares golpistas cassaram, prenderam ou mandaram para o exílio os principais nomes da oposição.

Afastadas as principais lideranças que comandavam o PTB gaúcho, um dos mais politizados do País, Simon aproveitou esse vazio e acabou assumindo a liderança do partido consentido pela ditadura, o MDB.

Uma piada da época, ilustra bem o que era o MDB, que junto com a ARENA,  integrava o sistema do bi-partidarismo no Brasil desde 1966. O MDB era o partido do "Sim" e a ARENA, onde estavam os políticos que apoiavam os militares. era o partido do "Sim Senhor".

Em 1978, Simon chegou ao Senado e em 82, com a retomada das eleições diretas para Governador , se candidatou ao Piratini e foi derrotado por Jair Soares, que tinha sido Ministro da Ditadura, no mesmo ano que outras lideranças, quase todas tão moderadas quanto ele, se elegeram como foi o caso de Tancredo Neves, em Minas e Franco Montoro, em São  Paulo.

O acordo que estava sendo costurado por Tancredo Neves com os militares para uma passagem indolor da ditadura para um sistema mais democrático, beneficiava diretamente políticos como o próprio Tancredo e também Simon.

O único problema era Leonel Brizola, eleito em 82, Governador do Rio,e que nunca poupou Simon de suas críticas pelo considerava uma traição a sua opção pelo PMDB de Tancredo e Ulysses, em vez do PTB que garantira a ascensão política de Simon.

Em 1986, Simon finalmente se elege Governador do Estado para realizar um governo medíocre, bem distante do que foram os governos de Brizola, antes, de Olívio depois e de Collares.

De volta ao Senado em 1990, Simon se reelege em 98 e 2006, sem que essa sua longa passagem pelo Senador tenha sido marcada por algum ato político relevante.

Seus discursos sempre ficaram nas platitudes do moralismo mais rasteiro e vulgar, porque ele foi incapaz  de compreender que a grande fonte de corrupção no Brasil é o  sistema capitalista, herdado do escravismo colonial, com toda sua  prepotência antidemocrática, com a qual ele, como político, sempre conviveu bem.

Nunca é demais lembrar que foi Simon quem apadrinhou a escolha de Yeda Crusius como Ministra do Planejamento de Itamar, dando impulso a uma carreira política que tanto mal fez ao Estado e que foi também ele, um dos maiores apoiadores da candidatura de Marina Silva nas últimas eleições.

Que defenda a Lava Jato agora, não causa surpresa, apenas comprova que é realmente um político medíocre.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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