Pravda.ru

CPLP » Brasil

Tragédia em Santa Maria, 4 Anos sem Justiça: Sinais que o Brasil ainda Não Enxergou

28.02.2017
 
Tragédia em Santa Maria, 4 Anos sem Justiça: Sinais que o Brasil ainda Não Enxergou. 26097.jpeg

Tragédia em Santa Maria, 4 Anos sem Justiça: Sinais que o Brasil ainda Não Enxergou

O segundo incêndio mais cruel da já trágica história brasileira, quando 242 jovens morreram na cidade gaúcha de Santa Maria vítimas do mesmo cianeto utilizado por Adolf Hitler na II Guerra Mundial para exterminar seus inimigos, traz-nos muitos sinais, e diversas ordens também.

por Edu Montesanti

Sinal de que não somos representados pela classe política, a qual não se reciclará por livre e espontânea vontade (em outras palavras, por vergonha na cara).

Sinal de que nosso sistema judicial é indecente.

Sinal de que nosso sistema privilegia a maximização dos lucros em detrimento da vida humana (grande novidade?), sem o menor constrangimento (fruto também da impunidade que reina soberana no Brasil).

Sinal de que, enquanto sociedade, estamos longe daquilo que reivindicamos, "quando reivindicamos" nos momentos que sofremos prejuízo (geralmente nestes casos, tentamos recuperar os prejuízos praticando a mesma Lei de Gérson que sofremos, sobre o próximo e assim cresce a bola de neve do jeitinho muitas vezes fatal).

Sinal a confirmar o que vemos diariamente no que diz respeito à infra-estrutura, de maneira nua e crua: o país do jeitinho e do caos, da indiferença e da corrupção enraizada na sociedade, em todos os segmentos.

Sinal de que está a canalha aliança entre civis e usurpadores do poder não tem dado certo: as vítimas acabamos sendo, sempre no final da história, nós mesmos, os civis. 

Sinal de que a mídia comercial, oligárquica, descaradamente sensacionalista e hipócrita, após farra da audiência nos dias subsequentes à tragédia visa apenas o lucro e, com o perdão do termo especialmente aos leitores mais pudicos, quer que a sociedade se dane! Lembremo-nos aqui de afirmações por parte de mães de vítimas fatais com exclusividade a esta série de reportagens sobre o incêndio:

"No momento que cheguei ao ginásio para o velório coletivo, eu gritava muito e os jornalistas rapidamente se aproximaram:vários colocaram o microfone em minha boca. Sentia como corvos na carniça. Eu gritava, 'só quero meu filho!'. O tempo para mim parou ali, nem sei quanto tempo fiquei no CDM [Centro Desportivo Municipal]", Ariane Floriano. mãe de Rogério Floriano Cardoso, 25 anos, cabo-armeiro do Exército santa-mariense.

"Quando estamos acampados no Ministério Público, ninguém da Imprensa vai... O Jornal Nacional só fez sensacionalismo com os pais em frente aos caixões dos filhos! Quando estivemos agarrados ao caixão dos nossos filhos berrando, todos os jornalistas vieram como urubus!", Carina Correa, mãe de Thanise Garcia, 18, estudante de Filosofia na Unifra.

Mesmo diante de fatos como estes, nenhuma surpresa, dezenas de milhões de brasileiros ainda permitem que suas ideias e seus destinos sejam pautados pela grande mídia oligárquica, insuperável na arte de retirar a consciência cidadã e de embaralhar o entendimento coletivo, capaz de imbecilizar a ponto de impor o veneno mais mortal à sociedade: a apatia. 

Brasil, país sem rumo, sem memória, sem verdade e sem justiça. Casa desgraça, como a da boate Kiss em Santa Maria, é um exemplo disso que as mentalidades anestesiadas insistem em não enxergar.

 


Loading. Please wait...

Fotos popular