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Espião confessa que Telecom pagou 10 Milhões de Euros em propina no Brasil

27.04.2010
 
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Espião confessa que Telecom pagou 10 Milhões de Euros em propina no Brasil

O maior escândalo internacional da telefonia, cujo principal personagem é a Telecom Itália, teve mais um capítulo desvendado pela Justiça Italiana, onde o Brasil foi palco mais uma vez de ações cinematográficas de espionagem, suborno, corrupção, etc.

Até mesmo o personagem James Bond, um agente secreto britânico fictício conhecido pelo código 007, interpretado pelo ator Sean Connery, teria inveja dos espiões do escândalo da telefonia envolvendo a Telecom Itália, tamanha a ousadia e destemor dos seus participantes. James Bond é um “inocente” se comparado a eles.

Mês passado, Fábio Ghioni, um dos espiões da Telecom Itália, confirmou em depoimento à Justiça italiana que a empresa derramou 120 milhões de Euros, em atividades supostamente ilegais, para dominar o mercado da telefonia no mundo.

No Tribunal de Justiça de Milão, na Itália, em 5 de março passado, Fábio Ghioni disse à juíza Mariolina Panassiti que dos 120 Milhões de Euros, 10 Milhões foram destinados ao Brasil. Ghioni é acusado de ter comandado o Tiger Team, braço tecnológico da rede de espionagem da Telecom Itália.

O processo tramita na Justiça de Milão em defesa dos acionistas da empresa e tem a finalidade de apurar o que motivou os pagamentos das propinas, além do destino do dinheiro desviado da Telecom Itália.

Qualificado como então executivo da Telecom Itália, Fábio Ghioni, na verdade, foi um espião especialista em estratégias e tecnologias não convencionais de segurança, e apontado, principalmente, como responsável por todo aparato de interceptações de informação da empresa telefônica italiana.

Em 26 de janeiro deste ano, o Pravda publicou matéria do seu correspondente no Brasil, jornalista Antonio Carlos Lacerda, com o título “Governo da Itália facilitou entrada de euros no Brasil para corromper políticos e agentes federais”.

A matéria revelou que “uma mala lotada de euros, escoltada por agentes do serviço secreto italiano, entrou sem ser revistada no Brasil, em 2004, para comprar um senador, policiais federais, especialistas em espionagem e contaminar com vírus informáticos os computadores das gigantes da telefonia do Brasil”.

A informação está no primeiro depoimento que Fábio Ghioni, prestado no Palácio da Justiça, em Milão, em 15 de novembro de 2007, ao procurador da República Nicola Piacente e ao carabinieri sub-oficial Vincenzo Morgera, envolvendo dezenas de brasileiros no escândalo da telefonia no Brasil.

Ainda na reportagem do Pravda, edição de 26 de janeiro deste ano, segundo Fábio Ghioni, “Para garantir que a mala de Euros entrasse no Brasil sem que fosse revistada pelas autoridades alfandegárias, o pessoal da Telecom Itália chegou escoltado por agentes do Servizio per le Informazioni e la Sicurezza Militare (Sismi), órgão do Governo da Itália, que atualmente mudou de nome para Aise”.

A reportagem finaliza dizendo que o próprio primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, declara no bojo do processo que as informações a respeito da rede de espionagem montada pela Telecom Itália, compartilhadas com o governo italiano, “são segredo de Estado”.

Em seu depoimento, prestado no curso do Procedimento Penal 9.633/08, do Tribunal de Milão, Fábio Ghioni afirmou que entre as pessoas subornadas pelo esquema de espionagem montado pela Telecom Itália estão policiais federais e políticos brasileiros.

Segundo ele, policiais federais receberam propina da empresa para prestar serviços de segurança particular, no Brasil, a espiões italianos, e também para inserir, numa operação da própria Polícia Federal dados para favorecer os interesses da Telecom Itália.

O foco principal das acusações de Fábio Ghioni é Marco Tronchetti Provera, maior acionista individual da Pirelli, ex-controlador da Telecom Itália de 2001 e 2006.

Ghioni acusa Provera de ter total controle das atividades ilícitas de espionagem, sobretudo no Brasil, e de ter gastado milhões de Euros nessas práticas heterodoxas, obviamente sem avisar aos acionistas.

Em depoimento à Justiça de Milão, em 17 de março passado, Provera negou as acusações. Provera negou que, durante a sua gestão, a área de segurança da Telecom Itália tenha montado uma rede de grampos ilegais e de suposta corrupção, com operação, sobretudo no Brasil.

Entretanto, mesmo sem exibir provas materiais, Ghioni sustentou na Justiça que Provera teve acesso até ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, na tentativa de obter dele verbas para esses serviços de espionagem que, segundo ele, “defendiam interesses italianos no exterior”.

Conhecido como “Sombra Divina”, Ghioni era o responsável pelo grupo de hackers da Telecom Itália, e teria manipulado dados roubados da Kroll Associates, maior empresa privada de investigações em todo o mundo, para “vitaminar” informações contra o empresário Daniel Dantas, do Banco Opportunity.

Dantas é acusado de contratar a Kroll para espionar as atividades de dirigentes da Telecom Itália, que travava com o Opportunity uma disputa pelo controle da Brasil Telecom, empresa em que os dois grupos empresariais eram sócios.

Ao espionar a Telecom Itália, a Kroll acabou atingindo astros de primeira grandeza da constelação do Partido dos Trabalhadores (PT), ocupantes de altos cargos no governo federal, como os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken.

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