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Brasil: Perfil sociodemográfico

25.12.2006
 
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Brasil: Perfil sociodemográfico

O processo de envelhecimento da população e a persistência das desigualdades sociais e regionais nas próximas duas décadas são algumas das principais conclusões do estudo Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030, projeto inédito do IBGE, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (ONU).

O estudo demonstra que os indicadores de fecundidade e de mortalidade correspondentes às regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste permanecerão, nos próximos anos, em níveis mais baixos que os das regiões Norte e Nordeste. Em relação à esperança de vida ao nascer, todas as grandes regiões estarão em níveis próximos aos 80 anos.

Já com relação à fecundidade, os números médios de filhos por mulher tenderão a não garantir a reposição das gerações, sobretudo nas Regiões Nordeste e Sul, que deverão permanecer com balanço negativo entre entradas e saídas de pessoas devido à migração. A fecundidade também deverá ter aumento entre as mulheres jovens. As mortalidades no primeiro ano de vida e dos menores de 5 anos de idade continuarão em suas trajetórias de declínio, atingindo níveis abaixo de 10%o (dez mortes a cada mil nascidos vivos), no Sudeste, Sul e Centro-Oeste brasileiros, e patamares superiores a este no Norte e Nordeste.

Para o total do país, a taxa de mortalidade infantil, bem como a probabilidade de um recém-nascido falecer antes de completar o quinto ano de vida alcançarão, em 2030, 11,53%o e 15,98%o, respectivamente, cifras que garantem, ao menos se considerada a média nacional, o cumprimento do Quarto Objetivo do Milênio1, que diz respeito à redução da mortalidade na infância. O estudo demonstrou que, se não forem tomadas medidas eficazes de redução da violência e dos acidentes de trânsito, a mortalidade masculina poderá se tornar cinco vezes maior que a mortalidade feminina, no Sudeste.

O estudo demonstra as principais características do processo de transformação do perfil demográfico brasileiro, no horizonte até 2030, tanto no nível nacional, como no contexto das unidades da federação. Entre as informações, destacam-se a redução das taxas de mortalidade, o aumento da esperança de vida, a queda na taxa de fecundidade, entre outros.

A partir destes indicadores, o IBGE poderá estruturar um Sistema de Projeções Populacionais por Sexo e por Idade para o período 1991-2030, incorporando os 26 estados e o Distrito Federal. O estudo objetiva fornecer indicativos da provável trajetória dos principais parâmetros, tendo em vista as conquistas já obtidas até o início da presente década. Também auxilia na avaliação das políticas sociais, particularmente no tocante à redução da mortalidade na infância e nas ações para amenizar as desigualdades sociais.

Em 2030, esperança de vida ao nascer será maior em Santa Catarina

Em 2030, enquanto os estados do Maranhão (75,70) e Alagoas (75,16) possuirão esperanças de vida ao nascer de pouco mais de 75 anos, em Santa Catarina (79,76), no Distrito Federal (79,63) e no Rio Grande do Sul (79,59) as respectivas vidas médias ao nascer projetadas ultrapassarão os 79,50 anos. Neste caso, o indicador que representa a média nacional (78,33 anos) estará refletindo a realidade dos estados de maior desenvolvimento econômico e social. Basta verificar as taxas de mortalidade infantil médias para os três estados citados do centro-sul, em torno de 8%o, em 2030, contrastando com as projetadas para Maranhão e Alagoas, respectivamente, 16,10%o e 19,40%.

Em 1991, para a população como um todo, a esperança de vida ao nascer era de 66,93 anos, com uma diferença expressiva entre os sexos: 7,75 anos em favor das mulheres e apresentando um diferencial significativo se o indicador em questão era referido à região Sul ou ao Nordeste. No Sul, a vida média era de 70,40 anos contra 62,83 anos no Nordeste, mostrando um intervalo de 7,57 anos entre ambas. Uma pessoa nascida em Alagoas, por exemplo, esperaria viver em média 59,72 anos, ao passo que no Rio Grande do Sul a média de vida superava os 71,00 anos, evidenciando um distanciamento de 11,38 anos entre ambos os estados.

Em 2000, o Distrito Federal passou a ocupar a primeira posição no ranking das unidades da federação com a mais elevada esperança de vida ao nascer (73,64 anos), enquanto Alagoas permaneceu no último posto (63,84 anos), representando uma diferença de 9,80 anos, menor que a observada no início da década de 1990.

De acordo com as projeções, Santa Catarina passa à liderança a partir de 2015, mantendo-se neste patamar até 2030. Por outro lado, as perspectivas para Alagoas mantêm-se desfavoráveis ao longo das três décadas analisadas, com sua esperança de vida ao nascer posicionando-se em último lugar. Contudo, a diferença entre os dois estados experimentará redução paulatina, atingindo 4,60 anos, em 2030.

Ao considerar cada sexo em separado, os diferenciais interestaduais nas vidas médias masculinas são de 5,16 anos, correspondentes a Santa Catarina em relação a Alagoas, e de 4,12 anos a mais para as mulheres do Distrito Federal, comparativamente às de Alagoas, mostrando que a longo prazo existe uma certa tendência de aproximação entre os níveis de mortalidade inter-regionais. Ainda que apontando para uma diminuição, as diferenças entre as vidas médias ao nascer de homens e mulheres permanecerão relativamente elevadas até 2030, como

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