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Michel Temer: um presidente solitário

25.05.2018
 
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Michel Temer: um presidente solitário

O analista ocupado com a vida política e econômica do Brasil, caso seja desapegado de preferências políticas assumidas previamente, vê-se obrigado a admitir que a grande maioria da população brasileira foi incapaz de apreciar de maneira equilibrada...

Iraci del Nero da Costa *

 

O analista ocupado com a vida política e econômica do Brasil, caso seja desapegado de preferências políticas assumidas previamente, vê-se obrigado a admitir que a grande maioria da população brasileira foi incapaz de apreciar de maneira equilibrada e precisa as propostas do presidente Michel Temer e os efetivos avanços econômicos decorrentes das medidas implementadas com base em suas decisões. Cumpre, pois, indagar sobre tal distanciamento popular reconhecendo que suas causas podem ocupar um vasto campo de fatores. Neste texto procuramos identificar algumas de tais determinações, as quais consideramos relevantes para o entendimento da aludida falta de objetividade a qual, obviamente, também abarca o eleitorado pátrio. Restringir-nos-emos, assim, tão somente, a três elementos.

O primeiro deles refere-se, como seria de se esperar, ao próprio processo de elevação de Temer à condição de presidente do Brasil.

Não parece haver dúvida de que Temer foi considerado, por muitos, como o ávido promotor do "golpe" do qual resultou a deposição da presidente Dilma Rousseff. Destarte, um impeachment que obedeceu todas regras e leis próprias da democracia brasileira, transformou-se numa ação puramente golpista que mereceria o repúdio universal de todo um povo tornando inaceitável a presidência de seu maior fautor.

Em sequência vemo-nos obrigados a tomar em conta a incapacidade de comunicação de Temer com a massa da população brasileira. Embora demonstre ele larga capacidade para tratar com parlamentares e políticos em geral, mostra-se absolutamente incapaz de chegar ao "coração" do eleitorado. Suas falas não são persuasivas, pelo contrário, revelam-se inteiramente impositivas e arrogantes. Suas opiniões transformam-se em verdades irrecorríveis e irretocáveis, aparecem como ordens das quais não se pode fugir e impõem-se como ditames que não podem ser arguídos. Esboroa-se, assim, o indispensável diálogo tão necessário a um vice-presidente que assumiu o cargo maior dado o afastamento da presidente eleita.

Por fim é imprescindível voltarmo-nos para as reformas propostas pelo atual presidente e para as medidas por ele adotadas as quais, como avançado, revelaram-se positivas. Não obstante, como sabido, estas últimas foram simplesmente ignoradas pela maioria esmagadora da população, já com relação àquelas primeiras fazem-se obrigatórias observações específicas.

Em termos reais, as reformas ora referidas viram-se reduzidas a verdadeiros ataques que visaram a limitar e retirar os interesses da massa trabalhadora; a reforma da previdência não se viu devidamente qualificada e discutida pelos seus maiores interessados, uma vez que, tão logo veio a público, foi reduzida por sindicatos e trabalhadores em geral, a um mero pretexto governamental para tolher e relegar ao esquecimento das leis as conquistas trabalhistas vigentes há décadas e que, muitas vezes, exigiram árduas lutas. Tal atitude, dada a necessidade de uma reforma previdenciária, deve ser qualificada como um modo de adiar para o próximo governo sua retomada.

Eis, pois, elencados os três componentes mencionados na abertura deste texto, outros mais deverão ser analisados a fim de se enriquecer uma discussão política de interesse lógico tanto no campo teórico mais abstrato como na área da vida prática de nossa população.  

* Professor Universitário aposentado.

Por Élcio Alvares - Flickr, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=38069112

 


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