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Somos uma ponte cultural e de amizade

21.11.2006
 
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Somos uma ponte cultural e de amizade

Jair Gomes da Silva entrevistou Timothy Bancroft-Hinchey, director e chefe de redacção da versão portuguesa da PRAVDA.Ru, parte do seu trabalho como finalista do curso de jornalismo em SP, Brasil. PRAVDA.Ru tem o prazer de publicar a entrevista na íntegra, onde falamos do nosso projecto e explicamos um pouco acerca do jornal.

Jair Gomes da Silva (JGS): Há quantos anos existe PRAVDA em português?

Timothy Bancroft-Hinchey (TBH): A versão portuguesa iniciou no dia 14 de Setembro de 2002, dois anos depois da versão inglesa. A versão russa foi re-lançada electronicamente em 27 de Janeiro de 1999.

JGS: Porquê “re-lançada”?

TBH: Porque Presidente Eltsin fechou o jornal PRAVDA em 1991 e enviou 6.000 jornalistas para a rua, de um dia para outro. Nosso Presidente Vadim Gorshenin, jornalista e editor, levou o caso aos tribunais e ganhou o direito a lançar PRAVDA, mas pensava que na idade das novas tecnologias, chegaríamos a mais pessoas se tivéssemos versões electrónicas e em várias línguas. Assim nasceram as versões em inglês (dirigida pela Directora-Geral Inna Novikova), português e este ano, italiano (dirigido por Cláudio, a partir de São Petersburgo).

JGS: E quantos leitores ou hits têm por dia?

TBH: Tenho imenso prazer em falar disso, porque vi nascer o projecto desde o início, quase, e me lembro quando contava os leitores em centenas. Chegou depois a milhares, dezenas de milhar, centenas de milhar e agora, globalmente, uns 6,5 milhões. Mas a cifra oscila e por isso estas coisas são contadas em visitas por mês e não hits por dia. Na versão portuguesa poderá chegar a 700.000 e estou aqui a falar de um dia só. Foi o caso no Sábado passado por exemplo.

JGS: É muito, em quatro anos.

TBH: Pois, mau não é mas eu só estarei satisfeito quando chegarmos na versão portuguesa a um milhão de leitores fiéis todos os dias.

JGS: E qual é o objectivo do jornal PRAVDA.Ru?

TBH: Basicamente é continuar a tradição deste grande jornal e informar as pessoas sobre a verdade. PRAVDA em russo quer dizer “verdade” e nós não andamos a inventar histórias. Os leitores da PRAVDA.Ru encontrarão uma leitura da realidade na Rússia, no mundo e na versão portuguesa, temos todos os países da CPLP representados. Assim somos uma ponte cultural e de amizade entre o mundo lusófono e a Federação Russa. Também proporcionamos um serviço gratuito para ajudar imigrantes com problemas, enviando-os aos serviços competentes. Além disso somos uma porta de entrada para a Rússia e temos ajudado firmas a fazerem campanhas de publicidade na Rússia, e não só, pois chegamos a muitos países a volta do mundo com as nossas 4 versões. E os nossos preços são muito razoáveis. Finalmente, tencionamos abrir a Fundação PRAVDA para fins humanitárias, uma organização sem lucros, para principalmente canalizar matéria escolar para os países em desenvolvimento. Isso será feito em breve.

JGS: Vi muitas entrevistas suas em que enaltece o Brasil.

TBH: Pois, é para ser enaltecido, é um gigante que finalmente acorda e se assume no palco mundial. Rússia e Brasil são amigos naturais e os russos adoram os brasileiros, como aliás toda a gente. Entendo que Presidente Lula é hoje o ponto de equilíbrio e é bom ver formações políticas da esquerda a se assumirem, como o P-SOL.

JGS: Qual é a vossa relação com a política?

TBH: Entendo a sua pergunta, se somos o feudo do Partido Comunista da Federação Russa? Nós não somos feudo de ninguém. No mundo de hoje, um jornal publica notícias e é isso que nós fazemos. É conhecida a iniciativa da PRAVDA.Ru em Portugal servir de um ponto de encontro para debate e discussão de ideias entre vários pontos de opinião e de vista e no meu dicionário, “debater ideias” não é “cometer pecado”, não é trair a causa mas sim encarar a realidade de forma adulta, madura e responsável, pois quem sou eu a dizer que as ideias do próximo não prestam? Se ele e eu sentarmos a discutir as ideias juntos, chegaremos a algum lado. Oxalá que as nossas iniciativas nesse sentido, e aqui é Luís Carvalho o impulsionador destes eventos muito mais do que eu, tenham continuação.

JGS: Li vários artigos seus a defender Santana Lopes, o ex-Primeiro-ministro de Portugal, que é da direita. Poderá explicar?

TBH: Pois disse muito bem, defender Santana Lopes e não necessariamente as políticas dele. Eu tive a felicidade de conhecer Santana Lopes pessoalmente quando era Presidente do Sporting e se interessou pessoalmente no caso do meu filho mais velho, ajudando-o a sair de um círculo perigoso de amigos e lançando-o na vida de esporte, que felizmente seguiu. Por isso não vou ser eu a dizer coisas negativas acerca de Santana Lopes, a pessoa.

Já disse muitas vezes que as minhas políticas e as dele podem ser opostas, mas isso não quer dizer que não podemos estar sentados a uma mesa a tomar um copo e falar de forma civilizada. Em Portugal há sempre o mau da fita qualquer, para todos baterem e caírem por cima, até que fique em baixo e depois eles deixam. Saiba que o português não dá ponta-pés a quem esteja no chão, é um povo basicamente muito bom e tem excelentes qualidades. São pessoas decentes e agradáveis, regra geral.

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