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Homenagem aos que Foram Assassinados pela Direita e pela Opressão, após o Golpe de 2016

19.09.2018
 
Homenagem aos que Foram  Assassinados pela Direita e pela Opressão, após o Golpe de 2016. 29548.jpeg

Revisitando Bandeira com pPofundamente

por Pedro Augusto Pinho


Homenagem aos que Foram  Assassinados pela Direita e pela Opressão, após o Golpe de 2016

Agradecendo ao Imenso Poeta Brasileiro MANUEL BANDEIRA

PROFUNDAMENTE

Quando ontem adormeci
Nos Governos do PT
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas, luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas tiros, doenças, perda de empregos
Passavam, errantes
Nem tão silenciosamente

O ruído de ódio e raiva
Ecoava
Como num túnel.

Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Na escola
Quando havia minha casa e minha vida,
A comida
Da bolsa família e do emprego
E a esperança no futuro

Onde estão todos eles?


Marielle Franco, Vereadora do PSOL do Rio de Janeiro
Paulo Sérgio Almeida Nascimento, líder comunitário no Pará
George de Andrade Lima Rodrigues, líder comunitário em Recife
Carlos Antônio dos Santos, o "Carlão", líder comunitário no Mato Grosso
Leandro Altenir Ribeiro Ribas, líder comunitário em Porto Alegre
Márcio Oliveira Matos, liderança do MST na Bahia
Valdemir Resplandes, líder do MST no Pará
Jefferson Marcelo do Nascimento, líder comunitário no Rio
Clodoaldo do Santos, líder sindical em Sergipe
Jair Cleber dos Santos, líder de acampamento no Pará
Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, o "Binho dos Palmares", líder quilombola na Bahia
José Raimundo Mota de Souza Júnior de Antônio Gonçalves, na Bahia
Rosenildo Pereira de Almeida, o "Negão", líder comunitário na Fazenda Santa Lúcia, no Pará
Eraldo Lima Costa e Silva, líder do MST no Recife
Valdenir Juventino Izidoro, o "Lobó", líder camponês de Rondônia
Luís César Santiago da Silva, o "Cabeça do Povo", líder sindical do Ceará
Waldomiro Costa Pereira, servidor público no Pará
João Natalício Xukuru-Kariri, líder indígena em Alagoas
Almir Silva dos Santos, líder comunitário da Vila Funil, em São Luiz, no Maranhão
José Bernardo da Silva, andando com mulher e filha, na BR-336, em Pernambuco
José Conceição Pereira, líder comunitário no Maranhão
Edmilson Alves da Silva, líder comunitário em Alagoas
Nilce de Souza Magalhães, a "Nicinha", líder comunitária em Rondônia
Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, líder indígena do Mato Grosso
Paulo Sérgio Santos, líder quilombola do acampamento Nelson Mandela, em Helvécia, na Bahia

E todas as 47 pessoas, assassinadas no campo, apenas no primeiro semestre de 2017

Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Este poema (Profundamente) compõe o livro "Libertinagem" (1930), que Mário de Andrade considerou "o mais indivíduo Manuel Bandeira" que o poeta publicou. Era sua "libertação pessoal".

Pela ideia e parcial reprodução

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

 


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