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Insegurança Alimentar no Brasil

18.05.2006
 
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Nas outras regiões do País, as diferenças do padrão de segurança e insegurança alimentar eram, também,reflexo das desigualdades de rendimentos verificadas nestas regiões. No Norte, entre os 2,3 milhões de pessoas com rendimento domiciliar per capita de até ¼ de salário mínimo ou sem rendimento domiciliar, cerca de 800 mil (34,6%) viviam em IA grave. Do mesmo modo que no Nordeste, menos de 1% dos moradores de domicílios da região Norte com rendimento domiciliar per capita superior a dois salários mínimos conviveram com a fome.

Perto de 15% dos domicílios em que houve recebimento de dinheiro de programa social do governo tinham insegurança alimentar grave

Entre os domicílios em que algum morador recebeu dinheiro de programa social do governo, 34% estavam em situação de segurança alimentar, enquanto nos que não recebiam este percentual era de 71,2%. Observou-se que dos 8 milhões de domicílios em que algum morador recebeu dinheiro de programa social do governo, 52,1% situavam-se na região Nordeste, 22,7% no Sudeste, 10,7% no Sul, 8,0% no Norte e 6,5% no Centro-Oeste. Entre os domicílios beneficiados, 73% estavam com insegurança alimentar no Norte, 72,6% no Nordeste, 58,2% no Sudeste, 54,8% no Centro-Oeste e 52,3% no Sul. Considerando os domicílios que não receberam dinheiro de programa social do governo, 44,4% conviviam com insegurança alimentar no Nordeste, 40,3% no Norte, 27,2% no Centro-Oeste, 24% no Sudeste e 19,7% no Sul.

Metodologia para medir Insegurança Alimentar começou a ser desenvolvida nos EUA

A comprovação, em muitos países, de que o rendimento domiciliar ou outros indicadores indiretos são insuficientes para identificar populações sob risco de Insegurança Alimentar levou ao desenvolvimento de uma escala de medida direta da Insegurança Alimentar e Fome pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Esta metodologia começou a ser desenvolvida na década de 1980 por pesquisadores da Universidade de Cornell, que utilizaram métodos qualitativos para abordar e compreender a insegurança alimentar e a fome, entre mulheres pobres que haviam experimentado essas condições adversas. Este estudo qualitativo permitiu a proposição de uma escala de medida quantitativa, com 10 perguntas, que cobriam tanto a percepção da preocupação com a insuficiência futura de alimentos quanto aos problemas relativos à quantidade de calorias disponíveis, bem como com a qualidade da dieta.

Nos anos 1990, a partir da escala de Cornell e de outras como a do Community Childhood Hunger Identification Project - CCHIP, pesquisadores reunidos pelo USDA desenvolveram uma escala válida para aplicação em âmbito nacional daquele país. Isto resultou em uma escala de 15 itens e 3 sub-itens que passou a ser aplicada, a partir de 1995, na pesquisa mensal telefônica (Current Population Survey do Bureau of Census) e, também, nas pesquisas periódicas de Saúde e Nutrição (NHANES).

Metodologia adequada à realidade brasileira

O desenvolvimento de escala de medida direta no Brasil, que é denominada Escala Brasileira de Insegurança Alimentar - EBIA, é resultado da adaptação e validação da escala do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A utilização da EBIA partiu, no País, do estudo de validação realizado entre 2003 e 2004 que, por decisão dos coordenadores da pesquisa percorreu, neste processo, etapas qualitativas e quantitativas de investigação. Este processo resultou em uma proposta de escala com quinze perguntas, cada uma delas correspondendo a um evento e sendo seguida de quatro alternativas de freqüência de ocorrência do respectivo evento.

A validade da escala foi confirmada em 5 regiões do Brasil antes de ser incorporada à PNAD de 2004. Dos 15 itens da escala, nove são relativos aos adultos moradores no domicílio e seis às crianças. A cada pergunta da escala, referente ao período de noventa dias que antecedem ao dia da entrevista, são dadas as alternativas de respostas "Sim" e "Não" e se a resposta é afirmativa, pergunta-se a freqüência de ocorrência do evento nesse período, oferecendo-se as seguintes alternativas de respostas: "em quase todos os dias", "em alguns dias" e "em apenas um ou dois dias". Para a análise dos resultados da aplicação da escala nesta PNAD, os domicílios foram classificados de acordo com sua condição de segurança alimentar em quatro categorias: Segurança Alimentar, Insegurança Alimentar leve, Insegurança Alimentar moderada e Insegurança Alimentar grave, como definidas no processo de validação da EBIA. A pontuação atribuída a cada domicílio, corresponde ao número de respostas afirmativas às perguntas da escala. A seguir, detalham-se as pontuações.

Pontuação para classificação dos domicílios com moradores menores de 18 anos, nas categorias de segurança alimentar.

Segurança Alimentar: 0 pontos

Insegurança Alimentar leve: 1 a 5 pontos

Insegurança Alimentar moderada: 6 a 10 pontos

Insegurança Alimentar grave: 11 a 15 pontos

Pontuação para classificação dos domicílios apenas com moradores de 18 anos de idade ou mais, nas categorias de segurança alimentar.

Segurança Alimentar: 0 pontos

Insegurança Alimentar leve: 1 a 3 pontos

Insegurança Alimentar moderada: 4 a 6 pontos

Insegurança Alimentar grave: 7 a 9 pontos

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