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A busca do eleitorado brasileiro após 1988

16.01.2018
 
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A busca do eleitorado brasileiro após 1988

O eleitorado brasileiro, após o estabelecimento da nova Constituição em 1988, tem tentado persistentemente buscar em um nome relativamente desconhecido a personagem capaz de implementar as soluções para o que entende serem os graves problemas que nos afligem. Fernando Collor foi o primeiro de tais experimentos, seu fracasso foi brindado com a larga mobilização popular da qual resultou sua cassação. Completava-se, assim, a vitoriosa opção de tentativa de acerto e erro escolhida por um eleitorado absolutamente descrente de seus políticos tradicionais e das práticas por eles adotadas.

Iraci del Nero da Costa *

A continuidade de tal processo deu-se com a aprovação nas urnas de dois "postes" petistas indicados por Luiz Inácio da Silva: Dilma Rousseff e Fernando Haddad. A primeira foi execrada logo depois de sua reeleição e, como F. Collor, viu-se defenestrada da presidência da República; já o segundo não conseguiu reeleger-se depois de uma administração pífia na capital paulistana. Entenda-se por "poste" o indivíduo desconhecido da grande maioria do eleitorado e sem vida política atuante. 

Curiosamente, dando sequência à ação escolhida pelo eleitorado, o sucessor de F. Haddad também foi um "poste", João Doria, escolhido por seu parceiro do PSDB: o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. J. Doria chegou, no inicio de sua gestão, a empolgar seus eleitores e colocou-se como candidato a presidente da Republica, pretensão que diz ter abandonado para disputar a governança do Estado de São Paulo.

O interessante da "ascensão" desses três nomes não muito achegados à vida política está no fato de haver feito com que várias pessoas, igualmente afastadas de tal vivência, se postulassem como candidatos aos mais variados cargos eletivos. A figura mais marcante dentre os componentes desse grupo é a de Luciano Huck, apresentador de televisão, o qual, depois de aceitar a ideia de candidatar-se à presidência, tem tergiversado sobre tal desiderato, mas quer continuar a aparecer nas pesquisas eleitorais regularmente levadas a efeito por vários institutos e mantém conversações com partidos políticos eventualmente interessados em sua candidatura.

Como L. Huck, outros cidadãos apresentam-se como candidatos aos mais variados cargos. Destarte, a secundar L. Huck - e aqui tomamos apenas um exemplo -  encontra-se Valéria Monteiro, ex-apresentadora do "Jornal Nacional" e de outros programas da TV Globo.

Cumpre, ademais, lembrar elementos que reforçam as ideias explicitadas acima, pensamos aqui no avanço das forças de direita na Europa e, sobretudo, na eleição de Donald Trump como presidente dos EUA. Dados estes os quais, somados às referidas ponderações, justificam a candidatura à presidência da República do deputado federal Jair Bolsonaro, militar reformado e adepto que ainda é da ditadura que nos foi imposta pelo golpe militar de 1964. 

Deparamo-nos, pois, basicamente, com os resultados advindos da forma de agir ideada por nosso eleitorado logo depois de aprovada a Constituição de 1988. Em face da vitória de diversos "postes" e do surgimento de postulantes sem maior tradição política torna-se muito difícil o estabelecimento de qualquer previsão sobre o resultado das eleições a serem efetuadas em outubro deste ano de 2018.

 * Professor Livre-docente aposentado.

 


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