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O imperialismo abre o jogo e explica as razões do golpe no Brasil

05.10.2017
 
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O imperialismo abre o jogo e explica as razões do golpe no Brasil

Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre as razões do golpe que afastou a presidente Dilma da Presidência da República, basta ler a matéria que o jornalista Silas Marti fez na Folha sobre a recente reunião da Câmara de Comércio Brasil - Estados Unidos, em Nova York.

A matéria não deixa dúvidas: era preciso afastar Dilma e o PT do governo, porque apesar de todas as concessões feitas aos interesses do empresariado, o mercado, essa figura mítica que a mídia criou, elas eram consideradas ainda insuficientes.

Era preciso encontrar um político mais flexível aos interesses do capital e, na falta de alguém melhor, o escolhido foi o Temer.

Para evitar alguma reação maior da população, esbulhada nos seus direitos de escolher seus governantes, montou-se uma grande operação envolvendo setores do judiciário e da mídia para desfechar uma campanha de desmoralização dos principais dirigentes do PT, principalmente o seu principal líder, o ex-presidente Lula.

Sob o manto de um moralismo histérico e seletivo, começou um processo ainda em andamento, com dois objetivos bem claros: destruir a base industrial do país ( a indústria naval, a indústria da construção e fundamentalmente a Petrobrás) e remover todos os instrumentos de defesa dos trabalhadores, frutos de uma longa luta dos operários e seus sindicatos.

Ao se completar esse trabalho, na visão dos golpistas, o Brasil estaria pronto a voltar o que foi no passado, um campo propício para a exploração imperialista de suas riquezas.

Parece, porém, que os representantes do imperialismo americano ainda não estão satisfeitos com o desmonte dos direitos trabalhistas feitos pelo governo corrupto e entreguista de Michel Temer.

Na reunião de empresários brasileiros e americanos em Nova York, ficou claro que o capital espoliativo internacional ainda quer mais.

"Então quer dizer que ainda não vamos poder reduzir salários? Isso é a coisa mais anticapitalista que existe", reclamou Terry Boyland, da CPQI, empresa que presta serviços de tecnologia a bancos na América Latina. "E se perdermos dinheiro? Vamos também dividir os prejuízos"?

Um dos principais fatores de desilusão, aliás, é a dificuldade de terceirizar trabalhadores. Muitos, no caso, pretendiam demitir e recontratar os mesmos funcionários de prestadoras de serviços, mas não gostaram de saber que a lei impõe uma quarentena de um ano e meio.

"Esse é um ponto crítico que falhou", diz Gustavo Salgado, do banco japonês Sumitomo Mitsui, que tem operações em São Paulo. "É uma questão muito sensível porque pode tornar nossas empresas mais competitivas."

Nas entrevistas que deram ao jornalista da Folha, advogados de grandes empresas não escondem que um dos objetivos da "reforma trabalhista" do Temer, foi impedir ou ao menos dificultar, os recursos dos trabalhadores à justiça na defesa dos seus direitos e nesse aspecto, eles já estão satisfeitos, principalmente na exigência, em casos de litígio, de que o trabalhador que perder uma ação movida contra a empresa,tenha de arcar com os custos jurídicos, que pode chegar a 20% do valor pretendido pe lo processo.

Na opinião do advogado Dario Abrahão Rabay, a medida vai acabar com a "indústria de ações" e a "cultura de litígios" que domina as relações de trabalho no Brasil. "Esperamos ver uma queda no número de processos."

"O pior para nós são os pagamentos de danos morais", diz Alberto Camões, da Stratus, empresa que presta serviços de consultoria a outros grupos no Brasil. "Como não custa nada processar, prevalecia antes a ideia de mover uma ação só porque podem."

John Gontijo, da Farkouh, Furman & Faccio, empresa que presta serviços de consultoria tributária em Nova York, concorda. Ele afirma que o grande avanço da reforma trabalhista passa por diminuir o poder dos sindicatos e tornar flexíveis as relações de patrão e empregado.

Depois de ler essa matéria, só podem ficar a favor do golpe os alienados políticos ou os entreguistas assumidos.

Os brasileiros de verdade precisam continuar denunciando o golpe e desmascarando e suas justificativas jurídicas e midiáticas.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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