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Inacreditável: No Brasil, procuradora da justiça tortura criança de dois anos

05.05.2010
 
Inacreditável: No Brasil, procuradora da justiça tortura criança de dois anos

Até um respeitável teólogo ousou afirmar que os atos de tortura qualificada praticados contra uma criança de apenas dois anos de idade por uma procuradora de Justiça aposentada são provas robustas e contundentes de que a raça humana chegou ao seu mais deplorável estágio de degradação moral e que o mundo caminha a galope para a “grande síntese” evidenciada no Livro Bíblico Apocalipse.

A procuradora de Justiça Vera Lúcia Sant'Anna Gomes, de 57 anos, residente em Ipanema, bairro nobre, de apartamentos luxuosos, do Rio de Janeiro, no Brasil, foi indiciada pela Polícia Civil e denunciada pelo próprio Ministério Público à Justiça por tortura qualificada a uma criança de apenas dois anos, que se encontrava sob a sua guarda.

Procurador de Justiça é uma autoridade que tem a missão constitucional de cuidar do cumprimento das leis, dos bons costumes, da ética e da moral da sociedade, de defender o pleno estado de direito e proteger as pessoas de qualquer ato de violência. Mas, nesse caso, a guardiã das leis e da sociedade rasgou e atirou no lixo todo o seu credo profissional por torturar uma criança indefesa, que estava sob a sua “proteção”.

O Ministério Público do Rio de Janeiro disse que pediu à Justiça a prisão preventiva de Vera Lúcia Sant'Anna Gomes, que foi indiciada pela Polícia Civil por crime de tortura qualificada, fundamentado em laudo do Instituto Médico Legal (IML), que revelou maus tratos sofridos pela criança, além de denúncia de ex-funcionárias da procuradora.

Segundo testemunhas, a intenção da procuradora de Justiça Vera Lúcia Sant'Anna Gomes era de fazer uma oferenda da criança em ritual satânico. “Vera Lúcia pertence a religião satânica, onde creio ser este o motivo da adoção: o sacrifício da criança”, disse uma voluntária do Conselho Tutelar.

Segundo depoimento da voluntária à polícia, as sessões de tortura física e psicológica sofridas pela criança estão ligadas a uma seita. Ela disse que a procuradora possuía muitos ‘vodus’ e bonecos com rostos desfigurados.

“Na mesa, havia cartas e um punhal que, neste ritual, significa sacrifício, morte. Creio que T (nome da criança) foi escolhida para ser oferecida em sacrifício. A intenção da senhora Vera era de matar a criança, os rituais eram feitos na casa, como banhos de canjica”, disse a voluntária.

A denúncia ressalta ainda que esta não é a primeira criança vítima das agressões da procuradora Vera Lucia Sant’Ana Gomes, que teria obtido por meios irregulares a guarda de um menor, deixado sob seus “cuidados e proteção” pelos pais biológicos. Mas, ao saber dos maus-tratos que a procuradora de Justiça praticava contra crianças, o casal pegou o filho de volta.

A denúncia do Ministério Público, assinada por cinco promotores, foi baseada em depoimentos de ex-empregados da procuradora e da voluntária do Conselho Tutelar. Todos testemunharam as agressões da procuradora contra a criança de apenas dois anos.

Os promotores Homero das Neves Freitas Filho, Márcio José Nobre de Almeida, Marisa Paiva, Claudia Canto Condack e Alexandre Murilo Graça afirmam que, de 17 de março a 14 de abril, período em que a criança residiu com Vera Lúcia, “a procuradora, consciente e voluntariamente, submeteu a criança a intenso sofrimento físico e mental, agredindo-lhe de forma reiterada, para aplicar-lhe castigo pessoal”.

A testemunha Luzia de Almeida disse à polícia que assistiu a procuradora Vera Lúcia desferir, reiteradas vezes, tapas no rosto, puxões de cabelo e empurrões contra a criança. “Numa sexta-feira, ela estava mais agressiva e mandou a criança tomar um copo de achocolatado. Como a criança não conseguiu, Vera Lúcia a obrigou beber três copos, tapando seu nariz e jogando a bebida pela boca. A menina engasgava e vomitava. Vera a forçava a beber mais. A criança acabou chorando, toda suja, e foi apanhando na cara até o banheiro”, disse Luzia de Almeida à polícia.

Outra testemunha, Sidilânia de Lacerda Borges da Silva, revelou detalhes de uma surra que a criança levou, após ir a um shopping com a procuradora. Segundo a testemunha, Vera Lúcia perguntava, aos gritos, à criança por qual motivo ela “estava tão feliz e dava tapas (na criança) que a fizeram cair no chão”.

Sidilândia disse, também, que “em seguida, a procuradora arrastou a criança, pelo cabelo, até o quarto, onde deu mais socos. A criança agarrou uma boneca de pano e ficou tremendo num canto”, declarou a testemunha.

Dias depois, segunda a testemunha, a criança levou outra surra da procuradora. “Ela derrubou a menina da cadeira e gritou para mim: ‘Você está vendo? Ela se comportou no shopping e hoje já apronta! Essa garota é um demônio!!!’”. Sidilânia contou que viu a criança sangrando na boca, depois de levar a surra da procuradora.

Luzia de Almeida e Maria Isabel Lima de Castilho relataram, também, os insultos de Vera Lúcia à menina: “Sua filha da puta! Você não vale nada, sua vaca, sua cachorra! Você é igual à sua mãe! Sua piranha! Antes meus bichos do que você, mil vezes meus bichos do que você!!!”.

Cláudio Pereira Morgado é outro ex-funcionário da procuradora que, em depoimento na polícia, garantiu ter assistido a criança levar surras diárias da procuradora. “Eu presenciei agressões em todos os cafés da manhã e almoços em que estive na casa”.

ANTONIO CARLOS LACERDA

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