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Colômbia expande atividades terroristas e invade Equador

04.03.2008
 
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Colômbia expande atividades terroristas e invade Equador

Por Gustavo Barreto, especial para o Fazendo Media

Meios de comunicação de grande circulação no Brasil têm apontado, seja por meio de programas de "humor", seja por meio de reportagens "sérias" e "fundamentadas", que a Venezuela se arma com o objetivo de invadir nações vizinhas - incluindo, claro, a Amazônia brasileira.


Raul Reyes (foto), homem forte da diplomacia nas FARC, é assassinado por narcogoverno que domina a Colômbia. Imagem: FARC-EP

É extremamente curioso, para não dizer patético, que quando um outro país, armado com milhões de dólares pelos Estados Unidos [leia abaixo os números], decide invadir a Amazônia e declarar que o fez sem nenhum sentimento de culpa, todos os programas jornalísticos ou humorísticos se calem. Exatamente o que se passou na atual crise nos Andes.

A Colômbia, que recebe o maior financiamento militar dos Estados Unidos em toda a América Latina e Caribe, invadiu - e admitiu que o fez - a Amazônia pelo lado equatoriano. Não contente, fez uma investida militar e bombardeou um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP), assassinando um dos líderes que mais buscava o diálogo com as potências militaristas do Norte e de seu país. Outras 16 pessoas foram mortas enquanto estavam dormindo. "Não são boas as notícias", sentenciou o insuspeito ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, que compõe um governo de direita em seu país [leia mais à frente as reações internacionais].

Em 2000, o então candidato à presidência dos EUA George Walker Bush declarou em debate com Al Gore que "os países em desenvolvimento com imensas dívidas externas devem pagá-las com terra, com riquezas. Que vendam suas selvas tropicais". Esta observação, que é relativamente bem aceita dentro do espectro político conservador americano, não causou qualquer reação no Brasil - muito menos a atenção dos humoristas de plantão, que continuavam a ridicularizar desde então a figura do presidente legitimamente eleito, re-eleito e novamente re-eleito Hugo Chávez. Esta mentalidade é a principal causa de invasões como a que ocorreu no último sábado (1/3).

Governo fechou alternativas pacíficas


Os acontecimentos que serão descritos pela imprensa alternativa neste episódio da incursão de Alvaro Uribe, presidente colombiano, no Equador, deixarão transparente que, como declarou Raul Reyes em 2005, as FARC não fazem a guerra pela guerra. Fazem após dezenas de tentativas de negociação pacífica - todas respondidas com bombas e tiros [veja o episódio de 1984 mais à frente]. Todas respondidas com a força. As portas da política institucional foram fechadas e a oposição democrática precisou passar por distintos massacres para se convencer disto. [O jornalista Nuno Ramos de Almeida aponta mais à frente quais foram estas tentativas].

Segundo o site da revista " Resistencia ", veículo oficial de comunicação das FARC-EP, a melhor homenagem que poderá ser feita a todos os combatentes assassinados será "não cessar o esforço em favor das trocas humanitárias dos reféns", bem como "continuar o propósito pacifista e de construção de uma democracia efetiva com justiça social".

O presidente Alvaro Uribe, como poucos que se informam apenas pelas redes privadas de TV sabem, já esteve na lista de narcotraficantes da Drugs Enforcement Administration dos Estados Unidos, a DEA. O gerente da campanha presidencial de Uribe, Pedro Juan Moreno Villa, importou em 1997 e 1998, por meio da empresa GMP Produtos Químicos, 50 mil quilos de permanganato de potássio ( saiba os números aqui ). A GMP foi a maior importadora do produto de 1994 a 1998, quando Uribe era governador do Estado de Antioquia e Moreno era seu chefe de gabinete.

A importação chamou a atenção da agência antidrogas americana pois, sem este produto, não é possível fazer a cocaína. Estes compostos são chamados de precursores químicos e seu controle é difícil, pois também são utilizados em outros produtos industriais. No entanto, destaca-se que sem estes precursores químicos não há droga. E, como destacam os especialistas, estes precursores não são produzidos nem na Colômbia, nem no Peru, nem na Bolívia. São importados.

O detalhe é que o esforço da Comissão de Entorpecentes das Nações Unidas, que se reuniu recentemente em Viena para debater o polêmico tema dos precursores químicos, luta para "evitar que o anidrido ácido e o permanganato de potássio que se comercializa não sejam desviados por canais ilegais à fabricação de heroína e cocaína, respectivamente". E se o produto for efetivamente comercializado por canais legais, há garantia de que será usado legalmente? Não na Colômbia.

A imprensa igualmente não se preocupa em perguntar - e relembrar - por que o maior importador de permanganato de potássio da Colômbia entre 1994 e 1998 - segundo o próprio DEA - era o braço direito de Uribe por muito tempo e onde ele se encontra atualmente. São questões pertinentes e, no entanto, continuamos sem respondê-las.

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