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O Tabú...

30.07.2012
 
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Várias vezes temos referido o papel instrumental da Crise. A causa não é fortuita e do efeito, os seus promotores esperam um certo resultado... Claro que podemos descortinar boas razões para que a Crise Financeira tivesse acontecido, nomeadamente o excesso de aplicações financeiras sem sustentabilidade na Economia real, que geraram triliões e triliões de ativos tóxicos, o que é um facto. Contudo não deixa de ser um argumento para inglês ver e o vulgo acreditar... E se a criação de produtos financeiros especulativos obedeceu a um plano previamente estudado, que não visou apenas convocar os agiotas de todos os matizes à folgança da especulação financeira, mas um objetivo político de longo alcance?

No livro "Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg", do jornalista canadiano Daniel Estulin, cuja leitura recomendamos, no Capítulo 5, nas páginas de 61 a 63, pode-se ler uma lista de intenções da Elite Global, coligidas pelo autor, que objetivam "...um Governo Mundial Único (Empresa Mundial) com um único mercado global, policiado por um único exército mundial, e financeiramente regulado por um único Banco Mundial mediante moeda global única." Entre essas há uma que inspira o nosso artigo: a criação de uma "Sociedade de Crescimento Zero". Fixem! Estulin acrescenta que "...será necessário crescimento zero para destruir quaisquer vestígios de prosperidade. Quando há prosperidade, há progresso. A prosperidade e o progresso impossibilitam a implementação da repressão, e é preciso repressão quando se espera dividir a sociedade em donos e escravos. O final da prosperidade trará o final da produção de energia elétrica nuclear e de toda a industrialização (exceto para as indústrias informática e de serviços)..." Adiante refere que está previsto a deslocalização da produção industrial dos USA e do Canadá para os países mais pobres da América Latina, onde a mão-de-obra se aproxima dos custos da escravidão... Na verdade a deslocalização industrial do Ocidente já foi em grande medida realizada, graças ao famigerado acordo comercial das fibras entre a OMC, União Europeia e a República Popular da China, nos finais do século passado. Diga-se, feito à revelia dos interesses dos países europeus mais pequenos, como Portugal, cuja indústria da tecelagem e outras por arrastamento já eram... Perderam irremediavelmente quota de mercado, quer interna, quer externamente, não tendo havido qualquer compensação financeira pelo prejuízo. Aguenta Zé...

Ora nada melhor para alcançar o desiderato do Crescimento Zero, que provocar uma escassez de dinheiro, o que se pode fazer de muitas maneiras. E elas aí estão, mas nem sempre de uma forma óbvia... Ao substituírem-se as moedas nacionais pelo Euro, os estrategas da União Europeia, alguns dos quais são concomitantemente membros do Clube Bilderberg, concretizaram a intenção secreta mais destrutiva das Economias Nacionais. Com a mudança da moeda, o poder de compra da população foi intencionalmente reduzido. Ficou com menos dinheiro no bolso e, embora o Euro fosse mais forte que o Escudo, passou a comprar menos bens que anteriormente... Fenómeno aliás que continua, apesar do arrefecimento forçado da procura. O reajustamento dos preços inflacionou o custo de vida, não tendo havido qualquer ação governamental para o prevenir. Acresce a isto o facto de, no caso português, a Balança Comercial ser endemicamente deficitária, o que origina obviamente uma saída de moeda superior à que entra no território, mesmo falando de dinheiro eletrónico. A sangria de moeda faz-se também através empresas estrangeiras que operam no mercado Nacional, pela especulação cambial e pela aplicação de capitais titulados em Euros nas offshore. 

A fechar o arco da ação deletéria da Elite Global, temos a Austeridade, que incidindo preferencialmente sobre os rendimentos do Trabalho, reduziu drasticamente o consumo interno. Esta, embora apresentada como uma necessidade imperiosa para saldar a Dívida Soberana, é na verdade mais um expediente com o objetivo de derrotar a Economia do País, que, sem Economia, fica cada fez mais rendido aos interesses espúrios da Oligarquia Internacional. E os resultados estão à vista... O crescimento da nossa Economia para este ano não vai sequer ser zero, mas será -3,5%, se não for mais... A prosseguir este caminho de empobrecimento deliberado, não só não conseguiremos honrar os nossos compromissos junto dos credores internacionais, como vai ser necessário mais crédito para financiar o Estado, mesmo numa situação de "estado mínimo", ou seja, completamente despojado das suas responsabilidades sociais, como aliás está a perseguir, que é outro objetivo espúrio de "Os Senhores da Sombra", outra leitura recomendável do mesmo autor acima citado.

A situação é de facto surreal e contraditória... E os governantes e economistas situacionistas não se atrevem a dizer onde e quando a Crise termina. O mais que fazem, quando insistentemente questionados, é responder com um "ninguém sabe"... Um sinistro silêncio se faz portanto sobre o rumo da Economia Nacional, o que indicia ter a nossa "Nomenclatura" política e económica consciência para onde podemos ir, mas o seu compromisso com o projeto último da Globalização, fá-la calar ou iludir a questão de fundo com hábeis argumentos técnicos e políticos que o cidadão comum não percebe patavina. Este é o TABÚ!!!

 

Artur Rosa Teixeira

(artur.teixeira1946@gmail.com)

 


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