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Na beira do cais, o caos

29.08.2013
 
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Como o poder público movimenta-se a passos paquidérmicos, a iniciativa privada, diante das necessidades que se levantam, é obrigada a fazer o que seria de competência do governo. Um exemplo da lentidão com que atua o governo do Estado é a Rodovia dos Imigrantes, que teve a sua pista Norte inaugurada em 1976 e a Sul liberada em 2002, mas ainda não apresenta concluídas as obras complementares de acesso às cidades do Litoral. Ora, essa é a principal razão para o caos logístico que se observa nas vias de acesso ao Porto de Santos. Quer dizer, planejamento houve, o que não houve foi a execução de todas as obras planejadas. E, depois de quatro décadas, não se pode alegar que foi por falta de tempo.

Mauro Lourenço Dias (*)

Veja-se o que ocorre na margem esquerda do Porto de Santos, em Guarujá, onde a Rua Idalino Pinez, mais conhecida como Rua do Adubo, uma via sem asfalto e sem calçadas e meio-fio, constitui talvez o ponto mais crítico de acesso ao cais. Sem manutenção e sem capacidade de fluxo - até porque não foi aberta para esse fim -, a Rua do Adubo, com pouco mais de mil metros, não suporta o excesso de caminhões e acaba estendendo o congestionamento para a Rodovia Cônego Domênico Rangoni e demais rodovias regionais.

Como entra ano e sai ano e a situação não sofre alteração, algumas empresas portuárias, em parceria com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estão dispostas a custear a construção de uma via paralela à Rua do Adubo num terreno que pertence às empresas Fassina e Dow Química. O novo acesso terá 600 metros de extensão por 50 metros de largura, com pistas de entrada e saída do cais. Mas não se pense que será a solução para o caos que se registra no local. Na realidade, a via alternativa deverá reduzir em apenas 40% o fluxo de caminhões na Rua do Adubo, atraindo principalmente os veículos carregados com grãos, conforme os planos que por enquanto estão no papel.
           

Para o mesmo local, estão previstas obras do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), que deverão segregar definitivamente o trânsito urbano do trânsito em direção ao porto. Mas o término dessas obras, que também estão apenas no papel, está previsto para 2017. Quer dizer: haverá pelo menos mais quatro anos de caos logístico naquela região.
           

Até porque o que se prevê para os próximos anos são sucessivas quebras de recorde de safras agrícolas exportadas pelo Porto de Santos. Portanto, se não houver por parte do governo do Estado uma estratégia efetiva para a utilização de áreas na região da Grande São Paulo, ao longo do Rodoanel, para a implantação de estacionamentos de caminhões e um monitoramento para regular a descida desses veículos pela Via Anchieta, rumo ao porto, o caos poderá ganhar proporções ainda mais dramáticas.
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(*) Mauro Lourenço Dias, engenheiro eletrônico, é vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br
 
Foto: odiarioverde.com.br


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