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A árvore genealógica da economia

29.03.2010
 
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A árvore genealógica da economia

Marcus Eduardo de Oliveira

Introdução

Ninguém pode ignorar a economia por dois únicos e singelos motivos: o primeiro é que não há recursos suficientes para todos, visto que os desejos são ilimitados. A escassez, entendida como falha de mercado, é uma verdade inconteste. O segundo motivo é que todos nós fazemos parte da economia. E os mais diversos assuntos que envolve a economia também nos envolvem a cada momento. Assim, independentemente do estágio evolutivo de cada sociedade, sempre nos afetará situações que envolvem a geração de emprego, de renda, o combate à pobreza, a fome, as transferências de recursos, a tributação, a compra e a venda de mercadorias.

Ao comprarmos um ingresso de cinema, ao abastecermos o carro, ao viajarmos em férias, ao matricularmos um filho na escola, ao embarcarmos numa condução pública, ao pagarmos impostos e taxas, ao procurarmos os serviços de um dentista, médico, detetive ou advogado, estamos participando do comércio e das finanças; estamos consumindo, gastando e, assim, fazendo o dinheiro circular. Não é por acaso que a crença popular vaticina que é o dinheiro que move o mundo. E move justamente porque com o dinheiro ativa-se o comércio de bens e serviços. Dessa forma, as economias são “controladas” pela sua base monetária (a quantidade de dinheiro em circulação). É a base monetária de um país que determina a rapidez (Time is money, diz o adágio frequentemente proferido em países de língua inglesa) com que uma economia pode crescer. Razão pela qual quando seca a “torneira financeira” das empresas, dos indivíduos e do governo a atividade econômica desacelera. Para evitar que ocorra uma desaceleração da atividade econômica, o banco central (guardião do dinheiro de um país) precisar controlar essa base monetária de forma equilibrada.

 Qualquer desequilíbrio, tanto para cima, quanto para baixo, acarreta sérias consequências para todos. Se o banco central permite a expansão da base monetária (excesso de dinheiro em circulação), certamente isso levará a um processo inflacionário. Caso contrário, se a base monetária for restringida (“enxugamento” de dinheiro em circulação), a recessão se avizinha, provocando então o aparecimento da indesejada situação de desemprego crônico.

No entanto, para um controle do comércio de bens e serviços, para que a produção possa acontecer de maneira a atender o mercado interno, recomenda-se que esta seja otimizada, alocando, para isso, de forma eficiente, os recursos disponíveis. É essa a tarefa precípua que compete aos organizadores da economia moderna. Cabe a esses organizadores, estejam eles respondendo aos ditames das leis do mercado ou aos princípios de uma economia planejada, atingir em primeira instância aquilo que James Edward Meade (1907-95), laureado com o prêmio Nobel em 1977, destaca como sendo os três principais objetivos da economia: 1) A LIBERDADE – garantir a livre escolha por parte de cada cidadão; 2) A IGUALDADE – evitar a brutal diferença entre a riqueza e a pobreza; e, 3) A EFICIÊNCIA – praticar o melhor uso dos recursos disponíveis de modo a garantir um melhor padrão de vida.

Se for verdadeira a afirmação corrente de que olhando para o passado encontramos algumas respostas para as questões presentes, as ciências econômicas, desde que esteja realmente a serviço de ser útil para a compreensão do ambiente econômico e social que a cerca, se coloca, nesse pormenor, como anfitriã das outras ciências sociais para o completo entendimento do que ocorre atualmente nas diversas sociedades, visto que essa ciência jamais poderá ser negada, uma vez que a todo instante, até mesmo sem percebermos, estamos fazendo parte da “economia”, ora comprando, vendendo, trocando ou distribuindo. Nesse sentido, a economia se enquadra de forma precisa naquilo que o personagem de Sherlock Holmes disse: tudo é uma questão de “observação e dedução”.

Na figura de consumidores ou produtores, de patrão ou empregado, de provedor ou beneficiário, todos estamos inseridos nessa ciência social que é também definida como a “ciências das escolhas”. Longe da frieza dos gráficos, das equações, dos modelos matemáticos e estatísticos, e das taxas diversas, a economia é, antes de tudo, o estudo do comportamento humano, interagindo num mesmo espaço chamado mercado que é, por sua vez, repleto de fatos e acontecimentos. Como diz o professor Robert Solow (1924), fígura ímpar das ciências econômicas, “os fatos pedem explicações, e as explicações pedem novos fatos”. Portanto, tentar compreender esse “comportamento” que está em nosso dia a dia é a tarefa que cabe aos economistas modernos.

No entanto, nas palavras de Tim Harford, autor de O Economista Clandestino, “o fato de que a economia é uma ferramenta para uma análise objetiva não quer dizer que os economistas sejam sempre objetivos. Os economistas estudam o poder, a pobreza, o crescimento e o desenvolvimento. É difícil gerar modelos que descrevam esses assuntos sem se sensibilizar com o contexto real onde eles se encontram”.

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