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Brasil caminha para ser o grande produtor mundial de alimentos

26.01.2009
 
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Brasil caminha para ser o grande produtor mundial de alimentos

Inflação dos alimentos - "Há um ano, quando se falava em agricultura, as perspectivas eram muito boas, principalmente porque se tinha mercado e preço. E o setor reage com bastante rapidez a esses fatores, como por exemplo o trigo. Aumentamos a produção do trigo brasileiro, na última safra, em 50% - o que é uma elevação extraordinária. Isso tudo porque havia um mercado mundial, com bom preço, muito alto, deu-se uma linha de crédito e seguro aos produtores. Eles imediatamente reagiram bem e plantaram bem. Então, a agricultura tem essa facilidade. Mas este quadro que tínhamos há um ano se alterou muito em função da crise internacional, que acabou pegando também o setor.
 Em alguns setores, a agricultura brasileira é a grande exportadora do mundo. Somos os maiores exportadores de carne, de café e sucos, entre outros. À medida que algum país importador reduz a quantidade - como a Rússia, em carne suína ou de frango -, isso imediatamente causa impacto nos grandes centros produtores porque os preços e o mercado acabam diminuindo muito."

Medidas governamentais - "O governo propôs uma política de crédito de tal forma que todos plantassem - e o setor agrícola plantou 100% da área do ano anterior. Mas não plantou só porque o governo deu essas condições, mas porque ela é diferente da área industrial, que pode dar férias coletivas, diminuir a linha de produção. Na agricultura, o agricultor tem que continuar plantando.
Temos uma dificuldade maior. Diminuímos um pouco a tecnologia, que representa custos. Então, a produtividade deve cair um pouco, mas talvez 2% ou 3%, ou seja, não é muito, até seria normal. Além disso, tivemos a seca no Paraná, que perdeu-se 30% da produção de soja; 25% da de milho; e parte da de feijão. A seca também pegou o resto do Sul, em menor intensidade, o Uruguai e praticamente toda a Argentina, onde a produção do trigo caiu pela metade, e a soja e o milho também diminuíram bastante. Teve um aspecto positivo: os preços melhorarem um pouco para os produtores brasileiros. De qualquer forma, o governo está atento desde o início para adotar instrumentos e políticas para que primeiro os produtores plantassem e, que agora, comercializem."

Exportação de carnes - "O Brasil exporta carnes de maneira geral para 150 países. Claro que alguns deles têm impacto grande, como a Rússia, o maior importador de carne. Na medida em que o país se retrai na sua importação, isso causa impacto. Embora a retração possa representar uma diminuição nas nossas exportações de 5% a 10%, mas isso já causa impacto em termos de preço. Em relação à carne de gado, não devemos ter maiores problemas. Digo maiores, porque teremos problemas, mas são problemas que podemos suportar.
Então, acredito que esse setor continuará trabalhando normalmente, vai passar pela crise. Já o frango, estamos num preço limite muito baixo, mas já há um acordo com os produtores em diminuir em 10, 15 ou até 20% a produção de frango no sentido de evitar excesso de oferta. Mas, de qualquer forma, estamos recebendo missões das Filipinas nessa semana que, possivelmente, vão abrir com a China, possivelmente nos próximos 30 ou 60 dias, para credenciar plantas para exportação. Assim, estamos trabalhando com vários outros países para colocar essa diferença, que não estamos conseguindo, em alguns países que se retraíram nesse momento. Acredito que a questão do frango também poderemos superar.
Nossa grande preocupação está nesse momento com suínos. Embora estejamos trabalhando com mercados como o Japão e a China, ainda vamos demorar um pouco. O Chile também já está reabrindo, mas de qualquer forma o mercado de carne suína vai demorar um pouco e confesso que eu ainda não sei exatamente o que fazer, porque é uma crise e já se apresentou como proposta financiar formação de estoques de carnes congeladas através das grandes empresas produtoras em Santa Catarina. Mas não sabemos se isto resolve. É uma questão que estamos acompanhando e os representantes do setor têm dialogado constantemente com o governo."

Políticas para o setor - "Goiás é um estado extraordinário em termos de capacidade de produção. O Brasil é um país muito eficiente e se coloca hoje com destaque, não só pelo que já produz, como em termos de perspectivas futuras. É um dos poucos países que tem terra, água, sol, gente e tecnologia. Tem uma tecnologia extremamente avançada em agricultura tropical, com todas as condições para dar resposta às necessidades do mundo.
Claro que tínhamos projeções de aumento de produção muito boas e uma participação muito boa do Brasil, nesse mercado mundial, que se abria cada vez mais em termos de consumo de produtos agrícolas. Não só por causa dos alimentos, mas também como matéria-prima, no caso para bioenergia. Com a crise, evidentemente, isso se arrefeceu. Mas as projeções de longo prazo mostram que estas condições, na medida em que a crise seja ultrapassada, o que pode demorar um, dois ou três anos, não mais do que isso, essa boa perspectiva do Brasil retorna. Agora, existe uma política agrícola. Podemos até, sob alguns aspectos, discordar dela."

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