Pravda.ru

Negόcios

França apanhada pelo terrorismo dos seus próprios aliados da OTAN

25.04.2017
 
França apanhada pelo terrorismo dos seus próprios aliados da OTAN. 26435.jpeg

França apanhada pelo terrorismo dos seus próprios aliados da OTAN

A França acaba de ser o alvo de novo ataque terrorista, a três dias da primeira volta(turno-br) da eleição presidencial. Para Thierry Meyssan, Paris deve parar de contar idiotices e tomar em linha de conta os acontecimentos: o terrorismo internacional ---na qual participa-- é comanditado e instrumentalizado precisamente contra si por alguns dos seus aliados no seio da OTAN.

Thierry Meyssan

No início de 2017, fomos informados que jiadistas preparavam ações para forçar a França e a Alemanha a adiar as suas eleições. Mas não era claro: 
se se tratava de adiar a eleição presidencial francesa (Abril-Maio) ou as eleições legislativas francesas (Junho) ou ambas; 
se a França era em si mesma um alvo, ou se as ações desencadeadas em França deviam ser uma preparação para futuras ações contra a Alemanha.

Entre os candidatos à eleição presidencial, apenas François Fillon e Marine Le Pen denunciam o apoio dado aos Irmãos Muçulmanos. O primeiro fez mesmo disso um dos temas recorrentes da sua campanha.


Discurso de Chassieu (Lion), a 22 de Novembro de 2016.

Nós tinhamos alertado os nossos leitores que as campanhas de imprensa e processos na Justiça lançados contra Donald Trump, nos Estados Unidos, e contra François Fillon em França, eram comanditados pelos mesmos grupos. Escrevíamos que segundo os Srs. Trump & Fillon, «não será possível restaurar a paz e a prosperidade sem acabar primeiro com a instrumentalização do terrorismo islâmico, sem libertar o mundo muçulmano das garras dos jiadistas, e sem deixar de atacar a matriz do terrorismo: os Irmãos Muçulmanos».

À época, os Franceses, acreditando erradamente que os Irmãos Muçulmanos formam uma tendência no seio da religião muçulmana, não reagiram. Mais tarde, eu publiquei um livro, Sob os nossos olhos. Do 11 de Setembro a Donald Trump , cuja segunda parte expõe em detalhe, pela primeira vez, o que é esta organização secreta, criada e controlada pelo MI6, os Serviço Secretos britânicos. Esta é a Irmandade que desde a Segunda Guerra Mundial tentou transformar o Islão sunita num instrumento político. É a partir dela que saíram quase todos os líderes dos grupos jiadistas, desde Osama bin Laden até Abu Bakr al-Baghdadi.

A 26 de Fevereiro, François Fillon publicava, sem explicação, uma comunicado que foi largamente criticado: 
«Estamos numa situação inédita : a dois meses da eleição presidencial, vivemos numa situação de quase guerra civil que vem perturbar o curso normal desta campanha (...) Eu lembro que estamos em estado de emergência e no entanto, o Governo deixa andar (...) Hoje em dia, tanto como antigo Primeiro-ministro, como representante eleito da Nação, eu acuso solenemente o Primeiro-ministro e o Governo por não assegurar as condições para um exercício sereno da democracia. Assumem uma pesadíssima responsabilidade ao deixar desenvolver-se no País um clima de quase guerra civil que apenas pode aproveitar aos extremistas (...) Quaisquer que sejam os candidatos, eles devem ter o direito de se exprimir e o Governo deve tomar medidas para que os vândalos e os inimigos da democracia cessem de perturbar esta campanha presidencial».

A 17 de Abril, a Polícia Nacional informava os quatro principais candidatos sobre ameaças à sua segurança e reforçava a sua proteção.

A 18 de Abril, o Sr. (29) e Clement B. (23) foram detidos quando preparavam um atentado durante um comício de François Fillon.

A 20 de Abril, um polícia(policial-br) foi morto e dois outros gravemente feridos durante um atentado nos Champs Elysees.

François Fillon e Le Pen cancelaram as suas previstas deslocações para 21 de Abril. Seguindo a onda, e muito embora não houvesse nenhuma real ameaça a seu respeito, Emmanuel Macron fez o mesmo.

A responsabilidade do próximo presidente da República Francesa

A segurança dos Franceses estará no centro do próximo quinquénio. Esta questão é tanto mais difícil quanto os recentes atentados terroristas cometidos em solo francês implicaram três dos nossos aliados da OTAN: o Estado Profundo dos EUA, o Reino Unido e a Turquia.

Eu tratei de forma profusa a questão dos atentados de Paris (a 13 de Novembro de 2015) e de Bruxelas (a 22 de Março de 2016). No meu último livro indiquei que se estes atentados foram reivindicados pelo Presidente Recep Tayyip Erdoğan e sua imprensa, eles foram, no entanto, realizados por «comandos distintos, com excepção de um operador comum, Mohammed Abrini do MI6» (p. 231).

Durante anos, as sucessivas presidências de Nicolas Sarkozy e de Alain Juppé, e a de François Hollande e Laurent Fabius esconderam as suas actividades criminosas aos Franceses, e a consequência do que eles semearam: o terrorismo intra muros.

É absurdo acreditar que a Alcaida e o Daesh (E.I.) possam dispor de tanto dinheiro e de tantas armas sem o apoio dos grandes Estados. É absurdo crer que a França tenha podido participar no processo de remodelagem do «Médio-Oriente Alargado» sem sofrer por isso contra-golpes. É absurdo acreditar que será simples lutar contra o terrorismo internacional quando ele é comanditado pelos nossos próprios aliados no seio da OTAN.

Thierry Meyssan

Tradução 
Alva

Fonte : "França apanhada pelo terrorismo dos seus próprios aliados da OTAN", Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Abril de 2017, www.voltairenet.org/article196087.html

 


Loading. Please wait...

Fotos popular