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Comércio exterior: nova política

25.01.2016
 
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SÃO PAULO - Se o Brasil hoje detém menos de 1% de participação no comércio mundial, depois de ter alcançado 1,41% em 2011, culpa cabe à política equivocada que o seu governo adotou a partir de 2003, quando o Ministério das Relações Exteriores perdeu completamente sua autonomia, passando a responder à Assessoria Especial da Presidência da República.

Milton Lourenço (*)       

Segundo aquela orientação ideológica e partidária, os Estados Unidos seriam o grande satã do planeta e o País deveria lutar para deixar de ser dependente de sua economia, idéia que levou Brasil e Argentina a boicotarem deliberadamente as negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Com isso, o Brasil passou a vender majoritariamente matérias-primas para a China e a perder espaço para os seus produtos manufaturados nos Estados Unidos. Hoje, há uma diminuição na demanda no comércio mundial que afeta diretamente o desempenho do País. De acordo com a consultoria McKinsey, 17,5% do comércio mundial se encontram nas Américas (com os Estados Unidos em crescimento e a América Latina e o Caribe operando abaixo da média), 38,8% na Europa, que apresenta lenta recuperação, 31,4% na Ásia, que registra queda de demanda, 4,2% na Comunidade dos Estados Independentes (CEI), 4,25% no Oriente Médio e 3,8% na África.

Obviamente, diante desse quadro, se o Brasil tivesse continuado na órbita dos Estados Unidos, com certeza, a sua participação no comércio mundial seria superior a 1,5%. E não sofreria tanto as consequências da queda que se registra nas cotações de soja, milho e trigo, em função dos abalos que ocorrem na economia chinesa.

            Como resultado disso, houve na balança comercial de 2015 uma redução drástica nas importações, que caíram de US$ 229 bilhões para US$ 171 bilhões. As exportações também tiveram queda, passando de US$ 225 bilhões para US$ 191 bilhões. Isso se deu porque a crise levou o Brasil a reduzir quase pela metade suas importações, especialmente de bens intermediários, ou seja, insumos para a produção industrial, que caíram 20,2% (US$ 25,3 bilhões a menos). Percentual idêntico foi registrado entre bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos, produtos essenciais para a expansão da produção.

            De significativo, só há a registrar o crescimento da exportação de manufaturados, que subiu de 35,5% em 2014 para 38,1% em 2015, voltando-se ao patamar de 2013 (38,4%), o que se deu depois que a atual presidente da República, em seu segundo mandato, mandou às favas a política terceiro-mundista que misturava política com comércio. E devolveu ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) autonomia para buscar uma reaproximação com os Estados Unidos e levar o Mercosul a se aproximar da Aliança do Pacífico, além de procurar destravar as negociações com a União Europeia. Esse é o caminho.        

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 


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