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Há dinheiro para bancos, mas não para as Escolas

21.01.2010
 
Há dinheiro para bancos, mas não para as Escolas

Relatório das Nações Unidas aponta para uma inversão da evolução na educação devido à crise financeira mundial, enquanto os países ricos encontraram 3 trilhiões de dólares para salvar os bancos. O motivo? Os que têm não respeitaram as suas promessas de oferecer financiamento para os poaíses em desenvolvimento, muitos dos quais estão na sua situação atual devido a práticas coloniais e imperialistas, durante séculos. Pior, os "ricos" estão mentindo sobre a quantidade de ajuda que dão.


A UNESCO Educação para Todos - Relatório de Monitoramento Global 2010, "Alcançando os marginalizados" afirma que "Enquanto os países ricos consolidam sua recuperação económica, muitos países pobres enfrentam a perspectiva iminente de inversões de educação". A Diretora Geral da UNESCO Irina Bokova considera "Não podemos nos dar ao luxo de criar uma geração perdida de crianças que foram privadas da sua hipótese de uma educação que pode tirá-los da pobreza".


De acordo com Kevin Watkins, Director do Relatório Global de Monitoramento, "Os países ricos têm mobilizado uma montanha financeira para estabilizar seus sistemas financeiros e proteger infra-estruturas sociais e econômicas vitais, mas eles deram um montinho de toupeira em ajuda para os pobres do mundo".


Diz tudo sobre o mundo de hoje o fato que três triliões de USD de repente estiveram prontamente disponíveis para socorrer os bancos depois da sua própria ganância e ineficiência criar a situação que todos conhecemos – uma catástrofe económica – e que quase um trilião de dólares até agora tem sido gasto em guerras no Afeganistão e no Iraque.


Pior ainda, o relatório acusa os países ricos de mentir sobre quanto dinheiro eles fornecem em ajuda. "Fumo e espelhos" têm sido utilizados para exagerar a quantia de ajuda que é efectivamente prestada às nações mais pobres, afirma.


O relatório afirma que se as tendências atuais forem mantidas, o número de crianças do ensino primário em idade escolar fora da escola será de 56 milhões até 2015, enquanto hoje 71 milhões de adolescentes estão fora da escola, as meninas sendo mais de metade deste número. Além disso, o relatório aponta para valores excessivamente otimistas apresentados pelas escolas e afirma que a realidade é muito possivelmente 30% pior do que os números oficiais.


A desigualdade de género é também claramente visível nos números sobre o analfabetismo de adultos, em que pouco progresso foi feito nos últimos anos e que representa 759 milhões de pessoas no mundo. 66% destas são mulheres. Hoje 178 milhões de crianças estão subnutridas nos primeiros cinco anos das suas vidas, afetando o seu progresso na escola mais tarde. Em vez de fazer progresso, a situação está piorando.


Embora o financiamento para os bancos e para os lobbies cinzentos e não eleitos das armas que controlam a política externa, cortes em educação provavelmente irão “criar uma geração perdida, a um custo tremendo para a sociedade”, segundo Irina Bukova.


Apesar de destacar os grandes progressos 2000-2010, especialmente quando comparado com a década dos anos 90 (o número de crianças fora da escola diminuiu por 33 milhões desde 1999, enquanto a taxa de inscrição na África Subsaariana aumentou cinco vezes), o relatório conclui que os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, de atingir a educação primária universal até 2015, continua a ficar "muito longe".


O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, sublinhou na apresentação do relatório, em Nova York, a educação "nunca deve ser um acidente de circunstância, nem é um privilégio para ser distribuído com base na riqueza, sexo, raça, etnia ou a língua."


No entanto, para todos os efeitos, parece que isso é assim. Aqueles que governam nossa fraternidade internacional das nações têm uma responsabilidade colectiva ou não? E se assim for, porque não são eles responsabilizados por tais desigualdades chocantes e violações dos direitos humanos fundamentais?

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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