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Crimeia aprova reunificação com a Rússia e derrota nazis de Kiev

20.03.2014
 
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Crimeia aprova reunificação com a Rússia e derrota nazis de Kiev

A Crimeia aprovou nas urnas por 96,7% a 2,5% a reunificação com a Rússia. Decisão repudia o golpe de Estado da CIA, em conluio com neonazis em Kiev, que derrubou Yanukovich, o presidente legítimo

Com a maior participação em uma eleição de todos os tempos - 83,1% -, o povo da Crimeia aprovou em referendo no domingo a reunificação com a Rússia, de que foi parte até 1954, por 96,7% a 2,5% e 0,7% de votos nulos. Dezenas de milhares de pessoas comemoraram com bandeiras russas e da União Soviética e fogos de artifício, na Praça Lênin, na capital Simferopol, o anúncio do resultado do referendo, cuja realização foi considerada "limpa e livre" por 135 observadores internacionais de 23 países. Assim, a reunificação foi aprovada com os votos, não só da população de origem russa (58%), mas também grande participação de tártaros (que são 12% dos habitantes) e inclusive ucranianos étnicos (24%).

No referendo, as pessoas tiveram de responder às perguntas (1) deseja a reunificação com a Rússia ou (2) deseja a restauração do status de autonomia de 1992 dentro da Ucrânia. A decisão de realizar o referendo foi tomada pelo parlamento da Crimeia após o sangrento golpe de Estado da CIA de 22 de fevereiro em Kiev encabeçado por uma tropa de choque neonazista, que derrubou o presidente legítimo Yanukovich e instaurou uma junta pró-FMI e pró-EUA. Cujas primeiras medidas foram a proibição da língua russa, a perseguição a partidos e igrejas, a nomeação de um "governo" com seis ministros fascistas - inclusive Defesa, Justiça, Segurança Nacional e vice-primeiro-ministro - tendo como "primeiro-ministro" o escolhido da subsecretária de Estado Victoria Nuland, banqueiro "Yats", e com a tarefa de repetir a Grécia na Ucrânia. A população da Crimeia repudiou o regime nazista de Kiev, tomou massivamente as ruas e pediu a proteção da Rússia.

Na segunda-feira (17), o presidente Vladimir Putin assinou decreto em que a Rússia reconhece a Crimeia como um estado soberano e independente. "De acordo com a vontade dos povos da Crimeia expressa no referendo de 16 de março, determino o reconhecimento da Republica da Cri meia, na qual a cidade de Sebastopol tem um status especial, como um estado soberano e independente". Atendendo telefonema de Obama no domingo, Putin reiterou que o referendo foi de acordo "com a lei internacional, a Carta da ONU e o direito à autodeterminação". A Casa Branca acusou o golpe, anunciando sanções contra 11 nomes russos -, assim como a União Européia, com mais 21. Como Putin já havia advertido, o dano infligido por sanções será "mútuo".

A comissão de observadores internacionais foi chefiada pelo deputado polonês Mateusz Piskorski, que considerou que o referendo teve "padrões internacionais", "sem restrições discriminatórias", "aberto e transparente" e com "liberdade de expressão". O vice-presidente do parlamento da Sérvia, Nenad Popovic, assinalou que foi garantida a "igualdade de direitos dos participantes", com as perguntas do referendo sendo feitas nos idiomas das principais comunidades étnicas do país (russos, ucranianos e tártaros).

O observador francês Aymeric Chauprade destacou que tudo estava "muito bem organizado e com uma participação muito pacífica". "Foi uma espécie de feriado nacional, por toda a parte você pode ver milhares de pessoas, famílias inteiras com crianças e um monte de jovens com bandeiras russas". Para Chauprade, as pessoas se sentiam "atingindo um sonho de longo tempo". "É muito interessante porque de um lado vimos muitos idosos votando a favor de se reunificar com a Rússia - então poderia certamente se falar do assim-chamado sentimento pós-soviético. Mas por outro lado há milhares de jovens e mesmo muito jovens empunhando bandeiras russas".

"VOTAÇÃO LIVRE"

Outro observador, o deputado do Parlamento Europeu, Ewald Stadler, desmentiu o mito do "referendo sob mira de arma" propagado pela Casa Branca, destacando não ter visto "nada que nem de perto lembrasse pressão. As próprias pessoas queriam manifestar sua vontade". O deputado búlgaro Pavel Charnev assinalou que "as filas estão bem compridas, o comparecimento é muito alto sem dúvida". Ele acrescentou que "a organização e procedimentos estão 100% em linha com os padrões europeus".

Conforme o francês Chauprade, a recusa em aceitar o resultado do referendo não passa de "duplo padrão". O Ocidente "só aceita a democracia quando está de acordo com seus interesses estratégicos e recusa a democracia quando não está de acordo com seus próprios interesses". Os países que não querem admitir a validade do referendo da Crimeia são os mesmos que, nos anos 1990, aprovaram referendos que violavam a constituição da Iugoslávia para impor a separação da Croácia, da Eslovênia e da Bósnia, e que declararam, após bombardeio e ocupação da Otan, Kosovo "independente". 

Deputados e ministros russos ironizam as sanções de Obama

"Senhor Obama, o que devem fazer os que não têm nem contas nem propriedades no estrangeiro?", ironizou o vice-primeiro-ministro russo Dmitry Rogozin, ao ser incluído na lista de sanções dos EUA em retaliação ao apoio de Moscou aos russos do país vizinho sob ameaça da junta fascista de Kiev e ao referendo que aprovou a reunificação da Crimeia com a Rússia. "O que você pensou?", assinalou Rogozin, que acrescentou que a impressão que tinha era que o decreto do presidente dos EUA havia sido redigido "por um gozador".

Número dois do governo russo e responsável pela indústria militar, e ex-vice-presidente da Duma e ex-embaixador da Rússia diante da Otan, Rogozin acrescentou em tom sarcástico: "por fim me deram o reconhecimento mundial". Anteriormente, ele já havia declarado que as sanções iriam "fortalecer a indústria russa". A lista de Obama tem 11 nomes, e a da União Européia, 21.

Andrey Klishas, membro do Conselho da Federação e cujo nome também foi submetido a sanção, disse estar "muito satisfeito" por estar em muito boa companhia. A vice da Duma, Yelena Mizulina, estranhou a inclusão do seu nome: "não tenho contas nem imóveis no exterior, nem qualquer membro da minha família vive no exterior". "Então, para que me incluíram?". Para o vice-chanceler da Rússia, Sergey Ryabkov, as sanções "refletem a relutância patológica [dos EUA] de admitir a realidade e de tentar nos impor suas concepções unilaterais e desequilibradas".

Por sua vez, o presidente da República da Chechênia, Ramzan Kadirov, reclamou de não ter sido incluído na lista negra do império, declarando estar se sentindo "ofendido" pois a lista é de gente "que protege os interesses do seu país". Segundo ele, seria uma "honra", na medida em que denuncia "os que violam os direitos de milhões de pessoas, inclusive de muçulmanos".

 

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