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Ideologia e economia - questão chave

15.08.2016
 
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Os movimentos anti-capitalistas surgiram juntos com o próprio capitalismo, com uma diversidade ideológica imensa, como acontece com tudo, seja na natureza seja no mundo cultural, que inclui religiões etc. As tentativas de unidade sempre foram historicamente autoritárias, não discuto aqui a imperiosidade das medidas. A começar pelo advento do monoteísmo, demanda de centralização. O universal prevalente é a diversidade e a dúvida, mas num campo de trocas tensas com a unidade e a certeza. Estas leis não devem ser ignoradas.

Por Apolo Lisboa

O grande equívoco histórico das insurreições populares lideradas pelos partidos comunistas e que explicam seus problemas mais graves e seus colapsos, pode ter sido a tentativa de extirpar as atividades econômicas da sociedade civil, que brotam naturalmente como expressão da liberdade democrática empreendedora, para concentrá-las nas mãos do estado. Isto foi resultado de uma crítica equivocada ao capitalismo, crítica a-histórica, apenas ideológica e moral, que se explica, até se justifica diante dos eventos que ocorrem, mas não resiste a uma análise crítica mais profunda e histórica, que levaria a novas propostas políticas. O resultado foi a hipertrofia do estado, burocracia centralizada e corrupta, ditadura de partido único, na forma de capitalismo de estado, com super-exploração e opressão dos trabalhadores para a acumulação de capital inicial.

Como se pôde aceitar estatização como forma de socialismo, se socialismo é sociedade forte e democrática? Aconselho reler a crítica de Kautsky a Lênin, intitulada A Ditadura do Proletariado e a condução do processo do levante na Rússia. Kautsky fez uma análise política e econômica marxista à condução bolchevique. Pelo menos parcialmente correta. Seu livro foi boicotado e o resultado dessa não abertura à discussão está hoje escancarado. Confundiu-se o caráter da insurreição russa, que fragmentou o império czarista, pré-capitalista e baseado nos privilégios dos proprietários de terra, resultado da primeira guerra mundial de 1914-1918, como a revolução teoricamente prevista no Manifesto Comunista nos países desenvolvidos como Alemanha, França, Inglaterra. Negligenciaram temas como libertação nacional e revolução democrática nos países da periferias do sistema dominante internacional.

As ideologias alimentam utopias e movimentam as emoções mas a realidade se assenta na economia e na cultura. Isto dito, não significa pensar que o capitalismo seja eterno, assim como não foram o feudalismo, nem o escravagismo. A crise atual do Brasil, inserida no pré-colapso da política global, enseja o momento de revisão e inauguração de novo ciclo mundial de desenvolvimento. Desenvolvimento aqui neste texto não significa a ideia de crescer quantitativamente, expansão pura e simples, insustentável. Estou usando no sentido de qualificação interior do processo, de melhoria da qualidade de vida, do meio ambiente e enriquecimento propriamente dito de valores não necessariamente do velho conceito mercadológico que se comprova insustentável.

Por fim, questiono como as esquerdas se propõem a mudar o mundo e sair desta crise sem priorizar a questão econômica de forma inovadora. O PT chegou ao poder trazendo como fiador o Henrique Meireles, o homem dos bancos, construindo o que tem sido chamado de social-liberalismo econômico. Ou seja, já entrou dominado, rendido. Um paradoxo: o preconceito a-histórico contra o capitalismo gera a rendição incondicional ao capitalismo!

Esta é a discussão proibida.

Apolo Heringer Lisboa é Idealizador/fundador do Projeto Manuelzão (PMz)

 


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