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Campanhas políticas tentam adaptar-se à nova Legislação eleitoral

13.09.2016
 
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Campanhas políticas tentam adaptar-se à nova Legislação eleitoral

Em meio à crise de credibilidade com o cenário político no país, em geral, os candidatos a cargos eletivos para essas próximas eleições municipais têm tido dificuldade em enfrentar tamanha resistência popular e encarar a campanha com as novas regras impostas pelo TSE.

Também há quem acredite que o cenário poderá estar propício para duas tendências: inovação e renovação.

Em meio à crise de credibilidade com o cenário político no país, em geral, os candidatos a cargos eletivos para essas próximas eleições municipais têm tido dificuldade em enfrentar tamanha resistência popular e encarar a campanha com as novas regras impostas pelo TSE. Essa dificuldade se torna ainda mais latente quando se trata de marinheiros de primeira viagem, candidatos que tentam seu primeiro mandato e que não têm, em geral, um grande poder de fogo que não sejam suas próprias palavras e propostas.   

As novas regras que entraram em vigor nessas eleições incluem menor tempo de campanha - agora são 45 dias - além de diversas outras alterações que vão desde mudanças com relação à doações de campanha - com o fim ao financiamento por pessoas jurídicas - até o debate na TV que também sofreu ajustes. De acordo com alguns críticos, a nova legislação eleitoral  tende a beneficiar candidatos que possuam um alto poder aquisitivo pessoal ou então candidatos à reeleição. E alguns ainda chamam a atenção para outro viés: podem estimular o caixa dois.

Mas se por um lado há um descrédito na política como um todo e a desconfiança com os benefícios dessas novas regras, por outro lado há quem acredite que o cenário poderá estar propício para duas tendências: inovação e renovação. O primeiro fica por conta dos esforços das equipes de campanha para ajustarem-se diante das mudanças. Uma saída tem sido usar e abusar das redes sociais para divulgar os candidatos e expor as propostas de campanha. Quem souber se utilizar melhor dessas mídias levará, certamente, grande vantagem.

Com relação à renovação, há uma expectativa de que candidatos que nunca foram eleitos ou, de preferência, que nunca se candidataram  possam surpreender nas urnas. É uma exigência que vai além da procura por candidatos "Ficha Limpa". Na verdade há um apelo popular para não reeleger quem já teve a chance de fazer alguma coisa e não fez. A voz das ruas está pedindo sangue novo. Para o candidato Caio Guerra, jovem de 21 anos postulante a um cargo de vereador em Duque de Caxias, estas eleições poderão ser um divisor de águas na política nacional: "Na minha opinião, o  resultado da urnas vai apontar uma nova tendência do eleitorado. O povo está cansado dessa política viciada. Eles estão clamando por renovação". 

Seja novato na política, seja macaco velho, um fato é notório no cenário atual: o eleitor está mais exigente e mais bem informado. Não será apenas uma cara nova que fará a diferença: "A internet está aí para identificar o histórico e as propostas dos candidatos. Quem não tiver o que apresentar ou quiser esconder algum fato da sua trajetória, não vai se criar", acrescenta Caio Guerra. Para outro candidato que almeja seu primeiro mandato, Jorge Turco, que tenta a vereança no Rio de Janeiro, o diferencial vai estar no histórico de cada um: "Aquele perfil de eleitor alienado está ficando ultrapassado. Cada vez mais o acesso à informação e o hábito de se informar é mais comum. E é aí que o candidato que construiu algo positivo em sua trajetória de vida vai levar vantagem", ressalta Jorge que coordena um Projeto Social em 70 unidades espalhadas pelo Rio de Janeiro - e fora dele - e conta com a visibilidade deste trabalho de 20 anos para conquistar votos.

De acordo com especialistas, essas eleições, em virtude de todas as mudanças nas regras das campanhas, vão ter um caráter experimental, ou como definiu o próprio Presidente do TSE, Ministro Gilmar Mendes, será um "experimento institucional". O que se espera realmente é que possamos viver novos tempos e recuperar um pouco da credibilidade na política nacional. Se é que já a tivemos em algum momento.

 

Marcos Oliveira


André Arraes

 


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