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Encontro de Dilma e Macri prenuncia atrito na Cúpula do Mercosul

11.12.2015
 
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O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, que toma posse na quinta-feira, 10, visitou o Brasil nesta sexta-feira. Em Brasília, foi recebido por Dilma Rousseff, e em São Paulo, pelos empresários da FIESP, de oposição à presidente.

Com Dilma, Macri falou de seus planos à frente do Governo argentino e explicitou a sua posição em relação à Venezuela. Em sua primeira entrevista coletiva após a eleição no segundo turno, realizado em 22 de novembro, Mauricio Macri declarou que, uma vez empossado na Presidência, recomendará aos demais presidentes dos países do Mercosul a suspensão da Venezuela. A alegação do argentino é de que os venezuelanos não vivem numa democracia perfeita, porque membros da oposição ao Presidente Nicolás Maduro estão presos.

A presidente brasileira, então, repudiou pública e internacionalmente a afirmação de Macri. Após ser recebido por Dilma Rousseff, Mauricio Macri seguiu para São Paulo, onde se reuniu com a diretoria e integrantes da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Aos empresários paulistas, Macri também falou dos seus planos, dizendo que o Mercosul é "uma boa ideia" mas, a seu ver, está paralisado e deve se atualizar para demonstrar a importância do bloco regional.

O jornalista Mário Russo considera que as posições de Mauricio Macri devem ser vistas com cautela, para que não sejam criadas intimidações aos membros do Mercado Comum Sul-Americano, o Mercosul. "O grande tema desta reunião de Dilma e Macri, obviamente, são as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Argentina", comenta Russo. "Agora essa questão da Venezuela é um marco divisório, embora toda a linguagem diplomática esteja atenuando o atrito entre as posições do Macri e Dilma."

"Mauricio Macri, aos 56 anos, é um líder da frente de centro-direita na Argentina", lembra Mário Russo. "Com relação ao Mercosul, Macri tem uma clara posição neoliberal. Ele é um empresário bem-sucedido, filho de empresário bem-sucedido, e tem uma aproximação estratégica que não é com o Mercosul. Isto é muito claro. Uma coisa é a relação Argentina-Brasil, e outra coisa é Argentina-Mercosul. No assunto Argentina-Mercosul, Macri tem algumas restrições, e talvez a maior seja com relação à Venezuela."

Mário Russo recorda que o presidente eleito da Argentina já sugeriu a adoção da chamada cláusula democrática, que prevê desde a aplicação de sanções comerciais até a suspensão de um país, e com isso propôs a expulsão ou a retirada da Venezuela do bloco Mercosul. "No final de novembro, quando a Presidenta Dilma Rousseff participou em Paris da Conferência do Clima, a COP 21, antes mesmo de receber Mauricio Macri, ela se pronunciou contrária à proposta do argentino, porque, segundo ela, é necessário um fato determinado para que a medida seja adotada no bloco regional.  "Isso vai gerar muita polêmica na cúpula dos líderes do Mercosul, marcada para o dia 21 deste mês, em Assunção. De um lado, Mauricio Macri, querendo suspender a Venezuela do bloco, e de outro Dilma Rousseff, que tenta fortalecer o Mercado Comum Sul-Americano."

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