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O Mercosul e a CPLP

10.10.2014
 
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SÃO PAULO - O novo governo brasileiro que assumirá a partir de 1º de janeiro de 2015 deveria colocar em sua pauta de prioridades a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assumindo a liderança de um movimento de interligação desse organismo com o Mercosul. Afinal, está mais do que na hora de a CPLP deixar de ser um instrumento voltado apenas para a difusão da língua, da amizade, da cultura e das tradições lusófonas para se transformar num bloco econômico expressivo.

Milton Lourenço (*)

Aliás, esse é o pensamento do primeiro-ministro do Timor-Leste, Xanana Gusmão, que, ao assumir a presidência da CPLP em julho passado, anunciou sua disposição de estabelecer uma estratégia direcionada a promover maior cooperação e interligação das economias das nações do bloco (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), aproveitando-se as oportunidades de investimento que existem nos nove países.

No setor de petróleo, há uma proposta de Timor-Leste para o estabelecimento de um consórcio CPLP de exploração on shore naquele país na base de uma parceria estratégica entre os países-membros da comunidade. Por meio do Timor-Leste, além do setor de petróleo, há a possibilidade de uma interligação econômica do Brasil com países da região, a partir da adesão daquela nação ao mercado regional do Sudeste Asiático (Asean). Além disso, as parcerias de empresas lusófonas com empresas timorenses podem ajudar a dinamizar o setor privado no país, de maneira que muitas empresas locais possam apostar também na internacionalização.

Por sua economia e extensão geográfica, o Brasil, claro está, deveria assumir esse papel de aglutinador, valendo-se não só do fato de dispor de um mercado interno geograficamente maior que a Europa como de uma indústria petrolífera em expansão, uma indústria aeronáutica consolidada e uma construção naval em condições competitivas. É de ressaltar que o seu setor industrial necessita urgentemente de mercados para colocar seus produtos manufaturados e impedir o crescimento da atual tendência de desindustrialização. Ao mesmo tempo, seu mercado interno pode absorver commodities e produtos acabados de seus parceiros na CPLP.

É de lembrar também que, nos últimos anos, cresceram de modo significativo os investimentos brasileiros em Moçambique na exploração mineral e nos setores de logística e energia, além da exportação de carnes, veículos, caldeiras, máquinas e equipamentos para aquele país.  Com a Namíbia, país observador associado da CPLP, o Brasil já tem abertas as portas, depois da assinatura de recente acordo de cooperação entre as Marinhas das duas nações para o intercâmbio em escolas militares e assuntos de segurança internacional. Namíbia e Moçambique podem facilitar e estimular a participação brasileira e, por extensão, do Mercosul no desenvolvimento econômico do Sul da África.

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

 


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