Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

I Sarau das Poéticas Indígenas

Promoção: CASA DAS ROSAS

Dia 19 de abril, das 15 às 21 horas

A idéia do I Sarau das Poéticas Indígenas é reunir índios, escritores indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana , mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena.

Curadoria: Deborah Goldemberg

http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/2009/04/convite-i-sarau-das-poeticas-indigenas.html

REGIÃO NORDESTE

1. Apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé Fragoso.

Sobre o povo Pataxó: Os Pataxó são o povo que travou o primeiro contato com os portugueses na região de Porto Seguro há 509 anos. Sua trajetória é admirável e demonstra grande adaptabilidade frente às adversidades, capacidade de união em prol de seus direitos e resistência cultural. Hoje, com parte de suas terras reconquistadas, fala-se de uma ressurgência Pataxó, na qual índios idosos e jovens buscam resgatar sua cultura ancestral e reviver sua língua nativa.

Sobre os índios que se apresentam: Manoel Santana é um contador de histórias Pataxó da Aldeia Boca da Mata, próximo à cidade de Itamarajú no Sul da Bahia. Segundo o antropólogo Guga Sampaio é “um proseador desinibido, eloqüente e imaginativo”. Zé Fragoso é cacique da aldeia e escritor indígena da Aldeia Tibá , no Prado, Sul da Bahia.

2. Apresentação do índio Pankararu de São Paulo Bino Pankararu

Sobre o índio: Bino Pankararu é uma liderança dos índios Pankararu que vivem no Real Parque, São Paulo, e cumpre função religiosa em sua cultura. Nascido na Aldeia Brejo dos Padres em Pernambuco, ele é um dos muitos índios imigrantes que vieram para a metrópole num pau de arara fugindo da seca, das invasões de suas terras, em busca de novas alternativas de vida.

3. Apresentação e leitura da escritora indígena Eliane Potiguara*

Sobre a escritora: Indicada em 2005 para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo), Elian e é escritora, autora de METADE CARA, METADE MÁSCARA (Global Editora), professora e ativista indígena. É remanescente Potiguara, coordenadora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas / Rede de Comunicação Indígena,organização que ganhou o Prêmio Cidadania Internacional da Comunidade Bahai /IRÃ e diretora do INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual). Sites: www.elianepotiguara.org.br e www.grumin.org.br .

4. Leitura da poeta Graça Graúna, de Pernambuco

Sobre a poeta : Graça é descendente dos índios Potiguara do Rio Grande do Norte e escritora de ensaios, crônicas e poemas. Atualmente, reside em dois lugares: no litoral e no agreste pernambucano. É graduada, tem especialização, mestrado e doutorado em Letras, tendo dedicado-se aos temas de mitos indígenas na literatura infantil e literatura indígena contemporânea no Brasil. Tem vários livros publicados, o mais recente chama-se Tear da Palavra , de 2007. Mantém um blogue .

REGIÃO NORTE

1. Apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo

Sobre os índios Marubo : Os Maurbo vivem no Vale do Rio Javari , próximos à fronteira do Amazonas com o Peru. Algumas de suas aldeias são ainda isoladas, enquanto outras vêm sofrendo interferência da população regional. Têm uma vasta tradição oral identificada por antropólogos. Seus “ saitis ”, narrativas míticas cantadas, que tratam da formação do cosmos, chamam a atenção pelo seu valor poético.

Sobre o antropólogo: Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional (UFRJ). Especialista em etnologia e tradições orais ameríndias , vem realizando pesquisas junto aos Marubo do Vale do Javari (AM) desde 2004. É também co-editor da revista literária Azougue e colaborador da Companhia Livre da Cooperativa Paulista de Teatro. Atualmente, é pós-doutorando no Departamento de Letras da Universidade
de São Paulo.

2. Apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá de São Paulo

Sobre os índios Baniwa : Os Baniwa são índios do Amazonas que vivem no Alto Rio Negro, tendo como ponto de apoio a cidade de São Gabriel da Cachoeira, cidade brasileira com maior população indígena. A arte Baniwa , particularmente sua cestaria , é conhecida internacionalmente.

Sobre o índio que se apresenta: Eurico Baniwa nasceu na aldeia Baniwa do Rio Içna , do Alto Rio Negro. Formou-se em Filosofia em Manaus, trabalhou com saúde e educação entre os índios Ianomami . Desde 2004 está em SP, aonde estuda Direito e atua no IDET (Instituto das Tradições Indígenas).

Sobre os índios Mura: Os Mura são índios do Amazonas. Contatados nos Século XVIII por uma missão jesuítica que visava se assentar às margens do Rio Madeira e pelo sistema colonial do Grão Pará, os Mura registram longa convivência com a sociedade nacional, história marcada pela escravidão no período colonial e o trabalho semi-escravo para os patrões que monopolizavam o extrativismo da castanha-do-pará na área indígena. Em 1996 a FUNAI deu início à demarcação de suas terras. O povo Mura vive hoje em fraternidade, na margem do Rio Madeira, em harmonia com a mãe terra, cultivando a tradição milenar.

Sobre a índia que se apresenta: Juju Mura nasceu no Amazonas, na comunidade Manaquiri , e veio para São Paulo em 2001 para realizar seus estudos. Formou-se em pedagogia na FAAC, fez docência de ensino superior, é professora e divulga a cultura indígena em Cotia-SP .

3. A declamadora Tatiana Fraga lê obras dos poetas Joaquim Sousândrade e Raul Bopp

Sobre o poeta Joaquim Sousândrade: Joaquim Sousândrade foi um poeta maranhense que viveu no Século XIX que recorreu ao multilinguismo para incorporar o elemento indígena amazônico ao seu poema épico O Guesa Errante (1874). Morreu em São Luis, na miséria e sendo considerado louco. Sua obra veio ser reconhecida por Haroldo de Campos na década de 60.

Sobre o poeta Raul Bopp: Raul Bopp , nasceu no Rio Grande do Sul viveu no início do Século XX. Formado em direito, viajou o Brasil e escreveu sua obra prima, Cobra Norato, sobre a Amazônia. Integrou o grupo paulista do modernismo, cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez parte.

Sobre a declamadora: Tatiana Fraga é poeta e coordenadora de arte da Casa das Rosas.

4. Leitura da escritora Deborah Goldemberg

Sobre a escritora: Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia e é escritora. Tem diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em coletâneas e jornais. É atuante no movimento literário paulistano e curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Seu primeiro livro, Ressurgência Icamiaba , é uma novela baseada na lenda amazônica das guerreiras Icamiabas , uma neo-lenda multiétnica e transbrasileira . Mantém o blog literário ressurgenciaicamiaba. blogspot.com

SUL E SUDESTE DO PAÍS

Introdução geral aos índios do Sul/Sudeste: Os índios Guarani são naturais do Sul e Sudeste do Brasil, vivendo ao longo do litoral desde o Sul de São Paulo até Santa Catarina. Havia um caminho chamado Pearibu , que os ligava ao Paraguai, aonde viviam seus parentes. Com o avanço da escravidão portuguesa, eles recuaram mais para o Oeste, concentrando-se no Paraguai (Benedito Prezia , 2001). A experiência das Missões Jesuíticas do Século XVII, reduções cristãs criadas nas fronteiras do Brasil com a Argentina e Paraguai, deram margem à uma troca cultural inusitada, pois a arte e a música eram ali altamente valorizadas. Após a destruição das missões, muitos índios foram trazidos para São Paulo como escravos, influindo na cultura mestiça. No início do Século XIX, famílias Guarani começaram a voltar para São Paulo e hoje há três comunidades estabelecidas com cerca de 800 índios vivendo nelas. O Guarani é a língua indígena mais falada no Brasil, com 50 mil falantes. Há 4 dialetos: kaiowá , nhandeva , m’ bya e tupi-guarani. No Paraguai, cerca de 3 milhões de pessoas falam o guarani paraguaio.

1. Apresentação dos índios Guarani Nhandeva

Sobre a índia: Poty Porã é professora indígena, estudou na PUC e na Universidade de São Paulo.

Sobre o índio: William Macena é uma liderança indígena e monitor do CECI, Centro Educacional de Cultura Indígena de São Paulo.

2. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe

Sobre o escritor: Olívio Jekupe escreve poesia desde os 15 anos, cursou filosofia na PUC Paraná e na USP. É escritor de diversos livros indígenas e é muito requisitado para palestras sobre a temática, inclusive fora do Brasil. Atualmente vive na Aldeia Krukutu , em Parelheiros, São Paulo, com sua esposa e quatro filhos.

3. A declamadora Nicole Cristófalo lê o escritor José de Alencar e o poeta Gonçalves Dias.

Sobre o poeta: Gonçalves Dias, 1823-1864 é considerado o poeta nacional por excelência, tendo conseguido dar vida ao tema do índio na poesia brasileira.

Sobre o escritor: José de Alencar, nascido em Fortaleza, viveu o Brasil Imperial do Século XIX no Rio de Janeiro e é o grande nome da prosa romântica brasileira. Sua obra tem uma forte linha indigenista que inclui alguns de seus romances mais famosos, tal como O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1870 ).

Sobre a declamadora: Nicole Cristofalo é poeta, estudante de Letras da Universidade de São Paulo e colaboradora da revista literária Zunái . Desenvolve uma pesquisa sobre o poeta argentino Oliverio Girondo .

4. O declamador João Pedro Ribeiro relembra o modernismo brasileiro , em parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus.

Sobre o poeta modernista: Oswald de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. É de sua autoria o Manifesto Antropofágico de 1928, que criticava o academicismo da arte brasileira e buscava valorizar a cultura brasileira.

Sobre o poeta modernista: Mário de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. Pesquisador de etnografia e folclore, seu romance Macunaíma reelabora temas da mitologia indígena com visões folclóricas da Amazônia e do resto do Brasil; é considerado uma das obras capitais da narrativa brasileira no Século XX e o fundamento de uma nova linguagem literária.

Sobre o declamador: João Pedro Ribeiro é descendente de índios Kaingang do Rio Grande do Sul e italianos. Atualmente, cursa lingüística na Faculdade de Letras da USP, escreve e é um grande entusiasta da literatura indígena. Os poetas Caco Pontes e Berimba de Jesus do movimento maloqueirista participarão da declamação.

5. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción

Sobre o escritor: Douglas Diegues é escritor, vive na fronteira do Brasil com o Paraguai e escreve numa linguagem que ele auto-denominou como Portunhol Selvagem, misto de português, espanhol e Guarani, inspirada na linguagem que é de fato falada no contexto intercultural do território em que vive. Tem diversos livros publicados, inclusive uma coletânea de poesias Guarani M’ Bya , e mantém um blog.

6. Leitura do poeta Pedro Tostes

Sobre o poeta: Pedro Tostes nasceu no Rio de Janeiro e é poeta do movimento paulistano de “Poesia Maloqueirista ” Segundo Antonio Vicente Seraphim Pietroforte , professor da FFLCH-USP, “Os maloqueristas são originais assim: um negro, um branco e um índio; mas não são as três raças tristes, nem pretendem afastar as contribuições da cultura Holandesa no Brasil.” Mantém um blog.

7. O declamador indígena Emerson de Oliveira Souza lê um texto do Pajé Florêncio Portillo de 1993.

Sobre o declamador indígena: Emerson de Oliveira Souza é um índio Guarani Nhandeva , residente em São Paulo.

Sobre o pajé: Pajé Florêncio Portillo é do povo Avá Guarani, ou Guarani Nhandeva . O texto Para Deus somos Todos Iguais foi uma apresentação oral dele para os participantes fizeram no Encontro Nacional de Lideranças Indígenas, em Benjamin Aceval , Paraguai. Diante da diversidade étnica, havida naquele encontro, o pajé Florencio fez uma reflexão sobre a diversidade, que deve encontrar uma unidade em Deus, pai de todos.

Sobre o texto: A tradução do guarani para o espanhol foi feita pelo paraguaio Eri Daniel Rojas e a versão portuguesa foi feita por Benedito Prezia , antropólogo e escritor de diversos livros sobre povos indígenas.

Crédito das fotos: Dede Fedrizzi , fotógrafo, e Alikrim Pataxó, modelo.

Sobre o fotógrafo: Dede Fedrizzi já viveu na Espanha, Grécia, Suiça , Alemanha e os Estados Unidos. Hoje, passa a maior parte do tempo em São Paulo, Brasil. É mestre em Artes Plásticas, pela Universidade de Nova Iorque e tem fotografado publicidade e moda em todo o planeta. www.dedefedrizzi.com

Sobre o modelo: Alikrim Pataxó , reside na Aldeia Olho do Boi, Caraíva , Bahia.


* Escritora, professora e ativista indígena coordenadora do GRUMIN e Diretora do INBRAPI

 www.grumin.org.br

 www.elianepotiguara.org.br

 www.inbrapi.org.br