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Putin adverte Biden sobre adesão da Ucrânia à OTAN

O Ocidente tentará cruzar a "linha vermelha" de Vladimir Putin, a resposta será dura, considera o especialista militar Alexei Leonkov.

Putin avisa Biden sobre uma "linha vermelha"

O presidente russo, Vladimir Putin, na quarta-feira, em entrevista ao canal estatal de TV "Rossiya-1" avisou o Ocidente sobre uma "linha vermelha". Trata-se da adesão da Ucrânia à OTAN e implantação de mísseis americanos de médio alcance perto das cidades ucranianas de Kharkov ou Dnepropetrovsk.

Mesmo em tempos de bom relacionamento com Moscou, os países ocidentais não se importaram com os interesses da Russia ao ampliarem a OTAN, disse Putin.

"Quanto ao alargamento da OTAN e ao avanço da infraestrutura da OTAN em direção às fronteiras da Rússia, esta é uma questão de importância primordial no que diz respeito à segurança dos russos e da Rússia ", destacou o presidente.

Ucrânia aderindo à OTAN

Putin não ignora o discurso sobre a adesão da Ucrânia à OTAN como "conversa fiada", apesar das opiniões do público russo.

"Passemos agora à proposta sobre a admissão da Ucrânia à OTAN ou ao plano para o fazer. Pois, conheço e vejo comentários dos nossos especialistas, vejo a reacção dos nossos meios de comunicação e dos políticos. Todos estão rindo um pouco do [Presidente ucraniano Vladimir] Zelensky, dizendo que é tudo conversa fiada e nada vai acontecer lá e assim por diante. Sou de uma opinião diferente ", disse ele.

Sublinhou que todas as preocupações de Moscou foram ignoradas durante as duas últimas fases do alargamento da OTAN a leste. Segundo Putin, existem razões formais pelas quais a Ucrânia não pode aderir à Aliança, mas não há garantias nesta questão.

Mísseis da OTAN ameaçando Moscou

O tempo de voo dos mísseis da OTAN para Moscou diminuirá para apenas 7 a 10 minutos se a Ucrânia se juntar à Aliança, disse Putin.

Ele observou que os projéteis norte-americanos sendo lançados da Polônia e da Romênia poderiam atingir o centro da Rússia em 15 minutos porque os sistemas de lançamento de defesa antimísseis estacionados lá também serviam para realizar ataques.

"Imaginemos que a Ucrânia se torne um membro da OTAN. O tempo de voo de, digamos, Kharkov e, não sei, Dnepropetrovsk para o centro da Rússia, para Moscou, diminuirá para 7 a 10 minutos", disse Putin. "É uma "linha vermelha" para nós ou não?", perguntou ele.

Putin traçou paralelos com o lançamento de mísseis sovieticos em Cuba em ano 1962, o que era inaceitável para os EUA porque o tempo de voo da ilha para os centros industriais dos EUA, incluindo Washington, era de 15 minutos.

"Para reduzir o tempo de vôo para 7 a 10 minutos, deveriamos posicionar mísseis na fronteira sul do Canadá ou na fronteira norte do México. É uma "linha vermelha" para os EUA ou não?", disse.

"Alguém deveria pensar sobre nossa reação ao que está essencialmente sendo proposto e discutido [a expansão da OTAN]", concluiu.

A resposta será dura

Em comentário ao Pravda. Ru, o especialista militar da revista "Arsenal da Pátria" Alexei Leonkov, disse que o Ocidente tentaria ultrapassar "linha vermelha" marcada por Putin, pois Joe Biden iria a Genebra para falar com ele "de uma posição de força".

"Ele vai lá com um ultimato, tendo conseguido o apoio da União Europeia, OTAN, Grã-Bretanha. Eles farão suas reivindicações para nós e investigarão nossas "linhas vermelhas". Vladimir Putin identificou uma delas — a Ucrânia na OTAN e mísseis de médio alcance nas cidades ucranianas. Mas esta é apenas uma das "linhas vermelhas". Acho que haverá muitas mais. Uma surpresa muito desagradável aguarda os americanos nas negociações ", disse Alexei Leonkov.

Segundo ele, a Rússia está pronta para qualquer desenrolar dos acontecimentos e as consequências mais desfavoráveis e tomará o caminho radical mais rápido em resposta às iniciativas do Ocidente quanto à Ucrânia , porque é uma ameaça direta à parte europeia da Rússia.

"O presidente indicou que o tempo de vôo dos mísseis seria de 7 a 10 minutos. Portanto, não vamos olhar apenas para o fato de que eles estejam se preparando para nos destruir, tendo em vista que muitos dos políticos ucranianos declararam a necessidade de bombardear Moscou, lançar uma bomba nuclear. A Rússia não pretende tolerar mais esse tipo de palhaçada. E a resposta será dura ", tem certeza o especialista militar.

Segundo a imprensa venezuelana, o secretário do Conselho de Defesa da Venezuela, General Pasqualino Fernandez comunicou em 2019, que Moscou e Caracas haviam concordado em estabelecer uma base militar russa na Guiana, área formada pelos estados de Bolívar, Amazonas e Delta Amacuro no nordeste da Venezuela. A oposição venezuelana há muito fica convencida que a crise dos mísseis cubanos 2.0 está se aproximando.

Por Lyubov Stepushova, Pravda.Ru